O ministro do Interior da Rússia, Vladimir Kolokoltsev, realizou uma visita oficial a Havana no âmbito de uma agenda que incluiu encontros com o líder histórico da Revolução Cubana e general de Exército Raúl Castro, bem como com o presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel.
Kolokoltsev, que está à frente do Ministério do Interior desde 2012, chegou a Cuba na terça-feira. Trata-se de sua segunda visita oficial à ilha, após a anterior realizada em novembro de 2023.
Como parte dos atos protocolares, o ministro prestou homenagem no Mausoléu do Soldado Internacionalista Soviético, em Havana, monumento que honra os combatentes soviéticos que participaram de missões de cooperação com Cuba em décadas passadas.
Da mesma forma, no emblemático Cemitério de Colón, participou de homenagens a 32 heróis cubanos caídos em combate durante o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Segundo informações divulgadas, esses combatentes desempenhavam tarefas de segurança no país sul-americano como parte da guarda pessoal do presidente Nicolás Maduro, além de outras atividades de cooperação técnica.
O ministro russo foi recebido oficialmente no Palácio da Revolução pelo presidente Miguel Díaz-Canel. De acordo com a sucinta informação divulgada pela mídia local, o mandatário cubano agradeceu a visita, à qual atribuiu “uma enorme significação”, em razão do contexto em que ocorre. Durante o encontro, ambas as partes dialogaram sobre o complexo cenário mundial e regional, com especial ênfase na situação que Cuba enfrenta.
A visita de Kolokoltsev ocorre em um contexto de crescente hostilidade dos Estados Unidos contra a região, apenas duas semanas após o ataque estadunidense à Venezuela, no qual Washington sequestrou o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Da mesma forma, desde setembro do ano passado, o Exército dos Estados Unidos vem realizando bombardeios contra diversas embarcações, tanto no Caribe quanto no Pacífico, assassinando de forma extrajudicial pelo menos 115 pessoas. Somado a isso, desde dezembro o Exército dos Estados Unidos mantém um cerco militar contra embarcações petroleiras que navegam pelo Caribe, tanto de bandeira venezuelana quanto russa. Desde então, os Estados Unidos assaltaram pelo menos sete navios petroleiros.
Por meio de um comunicado publicado nas redes sociais, o embaixador russo em Havana, Víctor Koronelli, afirmou que o objetivo da visita era reforçar a cooperação bilateral nas áreas de segurança e combate à criminalidade.
Além disso, ao desembarcar no Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, Kolokoltsev afirmou ao canal estatal russo Rossiya-1 que Moscou vê o ataque dos Estados Unidos à Venezuela como “um ato de agressão armada injustificada”. Ele acrescentou que “esse ato não pode ser justificado de forma alguma e reforça, mais uma vez, a necessidade de intensificar a vigilância e unir todos os esforços para enfrentar influências externas”.
Ao mesmo tempo em que se realizava a visita do ministro do Interior russo a Havana, o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Cuba, Mike Hammer, manteve um encontro em Miami com o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, o tenente-general Evan L. Pettus, para “falar sobre a situação em Cuba e no Caribe”, segundo informou a embaixada estadunidense nas redes sociais.
Desde o ataque de Washington contra Caracas, o governo de Donald Trump tem insistido em ampliar sua hostilidade em relação à ilha caribenha, bloqueando o fluxo diário de petróleo com o qual a Venezuela abastecia aproximadamente 30% do consumo de Cuba, o que coloca a ilha — que atravessa uma das crises mais graves de sua história — em uma situação de extrema fragilidade.
