As quatro indicações de O Agente Secreto ao Oscar encheram de euforia e esperança o público brasileiro que sonha com novas conquistas na principal premiação do mundo do cinema. Mas quais as reais chances de conquista das estatuetas?
Em entrevista ao Conexão BdF 1ª Edição, a crítica de cinema Lorenna Montenegro aposta que o filme de Kleber Mendonça Filho tem mais chances na disputa da categoria de Melhor Filme Internacional – o que pode representar uma sequência de vitórias brasileiras após a conquista de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, no Oscar de 2025.
“Sendo realista, nossa grande chance é Melhor Filme Internacional, fazer essa ‘dobradinha’ é que seria muito histórica, muito importante e muito significativa. Pouquíssimos países conseguiram ganhar dois Oscars, um seguido do outro”, disse a especialista. Até aqui, apenas França, Itália, Dinamarca e Suécia já conquistaram o troféu por duas vezes seguidas. “É um grupo muito seleto. O Brasil pode entrar nesse grupo”, apontou.
A disputa, porém, não será nada fácil. O norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier, que também concorre a Melhor Filme Internacional, foi indicado em nada menos que nove categorias. A conquista seria a primeira do cinema norueguês, e isso pode pesar na avaliação.
Além da categoria de Melhor Filme Internacional, O Agente Secreto concorre também em Melhor Filme, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura – o primeiro homem brasileiro indicado.
“O Wagner pode surpreender”, avalia Lorenna Montenegro. “A surpresa que a gente não conseguiu concretizar ano passado [com Fernanda Torres, que concorreu a melhor atriz], e eu acho que não tem que colocar isso como uma derrota”. “Se a gente sai com dois Oscars, a gente pode prorrogar o carnaval por mais um mês”, brincou a crítica de cinema.
Independente de conquistar ou não os Oscars, as indicações de O Agente Secreto marcam uma continuidade da relevância do Brasil no cenário do cinema internacional. Para a especialista, isso deve ser valorizado.
“O Oscar não é só um retrato da indústria hollywoodiana. Hoje acho que é um retrato da indústria mundial, da importância do mérito artístico do filme e também do mérito mercadológico, porque cinema é indústria”, lembrou.
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