Cinema

Precisamos ouvir a palestina Hind Rajab

Filme registra pedido real de socorro de criança palestina e estreia nesta quinta-feira (29) no país

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Hind Rajab, uma criança branca, com cabelos compridos cacheados está sentada em uma cadeira decorada com flores
“A Voz de Hind Rajab” ganhou Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza 2025 e está indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme Internacional | Crédito: Divulgação

Tropas israelenses metralham o carro de uma família palestina que tentava fugir do norte de Gaza. Hind Rajab, uma menina de seis anos, é a única sobrevivente e entra em contato com a emergência do Crescente Vermelho para pedir socorro.

O filme A voz de Hind Rajab, com estreia nacional nos cinemas brasileiros no próximo dia 29 de janeiro, narra a ação da equipe de socorristas para o resgate de Rajab. A utilização de trechos da gravação original da ligação da menina para a central de socorro, e também de vídeos gravados pelo celular, nos jogam dramaticamente para dentro daquela situação. A cronologia dos fatos nos transporta para a central de atendimento do Crescente Vermelho, como se estivéssemos ali acompanhando tudo, em tempo real. Nos agitamos em nossa cadeira pensando em o que podemos fazer para contribuir com a ação e salvar a vida de Hind Rajab.

Resgatar uma criança ferida, vítima de um “acidente”, que em qualquer parte do mundo é algo urgente e que deve ser feito rapidamente, na Palestina invadida se demonstra extremamente complexo e arriscado. O Crescente Vermelho tem que acionar a Cruz Vermelha Internacional – na Suíça, que aciona o Governo de Israel, que fala com o comando do Exército, que tem que comunicar o comando terrestre…. Um vai e vem de contatos num fluxo infinito para, enfim, obterem a “luz verde” para iniciar o resgate. Durante essas tratativas surreais, Hind Rajab segue no telefone suplicando por ajuda e relatando o seu horror: os parentes mortos ao seu lado dentro do carro, a aproximação do tanque, mais tiros, o olho, a impossibilidade de sair do carro por estar presa nas ferragens.

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Uma sensação de impotência toma conta. O tempo vai passando e a humanidade surge como um grito nas lágrimas dos atendentes, na discussão acalorada entre os membros do Crescente Vermelho, na ligação desesperada para o embaixador e em um post de denúncia nas redes sociais. Na situação absurda de se coordenar o resgate de uma criança, os profissionais mais preparados para situações extremas demonstram que são pessoas humanas, não há protocolos e procedimentos que resistam diante de tamanho absurdo. A revolta é legítima e só nos resta ela.

Se Anne Frank nos legou um diário, Hind Rajab nos deixou sua voz.

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A Voz de Hind Rajab” (The Voice of Hind Rajab) é dirigido pela diretora tunisiana Kaouther Ben Hania. Foi vencedor do Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza 2025 e está indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme Internacional.

Veja o trailer aqui: https://youtu.be/oQrFhgruWw8?si=DNTskugaqVs5ncCb

*Talles Reis é integrante do MST e da produtora Poética Marginal

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Juliana Passos

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