De acordo com dados divulgados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), das 7h de terça-feira (27) às 7h de hoje (28) choveu em aproximadamente 160 municípios cearenses. “Entre os destaques estão os acumulados de Itapipoca, no Litoral do Pecém. No posto Fazenda Pau D’Arco foram 264,8 milímetros” informa. As primeiras chuvas do ano já trouxeram preocupações com alertas de chuvas intensas e transtornos em algumas cidades, inclusive, Fortaleza.
Mesmo com o grande volume de chuva nos últimos dias, Meiry Sakamoto, gerente de Meteorologia da Funceme explica que essa ainda não é a quadra chuvosa, se refere ao período de fevereiro a maio, que constituem os quatro meses que concentram a maior parte das precipitações no estado do Ceará. “O mês de janeiro faz parte da chamada pré-estação chuvosa”.
Previsões para os próximos dias
Sakamoto diz que, de modo geral, a previsão do tempo até sexta-feira (30) ainda é de instabilidade atmosférica, ou seja, condições favoráveis para formação de nuvens de chuva, em todo o estado. No entanto, os acumulados diários de precipitações tendem a ser menores em comparação ao início desta semana.
Nesta quarta-feira (28), de acordo com Sakamoto, a cobertura do céu deve ficar entre nublado e poucas nuvens com chuva nas macrorregiões do Litoral de Fortaleza e Litoral do Pecém ainda no período da manhã. Nas demais macrorregiões, as precipitações devem acontecer nos períodos da tarde e noite. “Os maiores acumulados de precipitação devem ocorrer no sul do estado (sul das macrorregiões da Jaguaribana e Sertão Central e Inhamuns e Cariri) e Ibiapaba, entre o final da tarde e noite”.
Para quinta-feira (29), segue o indicativo de céu variando de nublado a poucas nuvens com chuva em todo o estado, sendo os maiores acumulados de precipitação na faixa litorânea e na região do Cariri. Já para sexta-feira (30), espera-se uma diminuição gradual da nebulosidade e precipitações no estado. “Mesmo assim, há possibilidade de chuvas na faixa litorânea e região da Ibiapaba e de forma mais isoladas nas demais macrorregiões”, explica Sakamoto.
As chuvas previstas, como informa Sakamoto, seguem associadas a efeitos locais e áreas de instabilidades provenientes do oceano Atlântico. “Ressalta-se, ainda, que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), encontra-se, no momento, posicionada em torno da linha do Equador”.
De acordo com as previsões, nos próximos dias, os maiores acumulados devem se concentrar na faixa litorânea, Ibiapaba, Cariri e parte do Sertão Central. No entanto, pedimos que acessem a previsão do tempo atualizada diariamente pela Funceme, para acompanhar a evolução das condições atmosféricas.
A previsão do tempo pode ser acompanhada no site da Funceme e também através do App Funceme Tempo.
Poder público
Renato Pequeno, Doutor em Arquitetura e Urbanismo, professor do IAUD-UFC, coordenador do Lehab e pesquisador do Observatório das Metrópoles ressalta que faz parte da gestão municipal se programar para o período de chuvas, a chamada quadra chuvosa. “Para além da limpeza das vias e dos espaços públicos, ações como a limpeza de canais e bueiros, retirada de vegetação encobrindo recursos hídricos. Ademais, a partir da identificação das áreas de risco e quantificação das demandas, cabe à gestão municipal, planejar o seu reassentamento em situação de maior segurança, garantindo a vida dos cidadãos”.
Pequeno informa que Fortaleza é a capital mais densa do Brasil. De acordo com ele, a cidade se encontra amplamente asfaltada, porém sem um satisfatório sistema de drenagem urbana. “Essa densidade pode ser também percebida pela intensa ocupação do solo, podendo esse fenômeno ser constatado tanto em bairros populares, como em áreas valorizadas, onde tem sido implantados os chamados ‘super prédios’, onde os pontos de alagamento são percebidos nas vias públicas”.
Pequeno também ressalta que a drenagem tem sido predominantemente implantada nas áreas ditas de maior interesse do mercado imobiliário, muitas vezes refazendo obras por conta da maior impermeabilização do solo. “Nas áreas mais pobres, o problema afeta diretamente os loteamentos populares, onde a ocupação do solo urbano desconsidera linhas de drenagem natural, assim como as comunidades onde prevalece a lógica da necessidade”.
Cuidados
A Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE) apresentou alguns cuidados que a população deve ter nesse período de chuva como: acompanhar os alertas da Defesa Civil sobre áreas de risco; proteger documentos em sacos plásticos e deixá-los em local acessível; evitar áreas alagadas e locais com risco de deslizamento; desligar aparelhos elétricos em caso de oscilação de energia; • comunicar situações de perigo à Defesa Civil pelo telefone: 190.
Além disso, a DPCE, por meio de seus núcleos especializados, orienta, dialoga com os órgãos responsáveis e, quando necessário, atua na Justiça para garantir proteção, reparos, reassentamento ou indenizações.
Em relação à moradia, a DPCE informa que em Fortaleza, o Núcleo de Habitação e Moradia (Nuham) atua em casos de risco, remoções ou negligência do poder público, buscando soluções junto às autoridades e, quando necessário, ingressando com medidas judiciais para garantir reparos, reassentamento ou indenizações. Os telefones de contatos são: (85) 3194-5063, para ligações, e o (85) 98983-1938, pelo WhatsApp.
Defesa civil
A Defesa Civil oferece um serviço gratuito de alertas via SMS para a população, disponível em todo o estado do Ceará, incluindo Fortaleza. O cadastro é simples: basta enviar um SMS para o número 40199 informando o seu CEP. Após a confirmação de cadastro, o cidadão começará a receber alertas sobre riscos de desastres naturais na região, como chuvas fortes, enchentes, alagamentos, deslizamentos de terra e vendavais.
Os alertas da Defesa Civil são enviados em tempo real e com antecedência, permitindo que a população se planeje, adote medidas preventivas para reduzir possíveis transtornos.
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