Paralisação

Estudantes de Medicina da UPE iniciam greve após cortes em alimentação

Greve foi aprovada em assembleia após suspensão de alimentação para alunos do internato por corte de despesas

No audio source provided.
Suspensão de alimentação para alunos no Cisam foi pontapé inicial para paralisação
Suspensão de alimentação para alunos no Cisam foi pontapé inicial para paralisação | Crédito: UPE/Divulgação

Estudantes do curso de Medicina da Universidade de Pernambuco (UPE) deflagraram uma paralisação nesta semana após serem comunicados que os alunos internos do Centro Integrado Amaury de Medeiros (Cisam) não teriam mais acesso à alimentação gratuita no refeitório do hospital, que faz parte do complexo hospitalar da universidade. A greve foi aprovada nesta semana em uma assembleia organizada pelo diretório acadêmico do curso por unanimidade dos alunos presentes. 

A paralisação vem em reação ao memorando circular assinado pela direção da Unidade de Educação e Saúde, que anunciou a suspensão da alimentação para alunos do internato por conta de uma medida de “controle de despesas e de economicidade” sob orientação da Secretaria da Controladoria Geral do Estado (SCGE). 

“Ressalta-se que, não havendo amparo legal, os discentes de graduação em atividades práticas e estágios não possuem direito à alimentação nos refeitórios dos Hospitais Universitários. O acesso deve ser restrito exclusivamente aos servidores plantonistas e às demais pessoas expressamente previstas em lei, conforme exigência dos órgãos de controle do Estado”, diz um trecho da circular divulgada. 

De acordo com o coordenador-geral do Diretório Acadêmico Josué de Castro, Arthur Godê, o Cisam era a única unidade do complexo hospitalar que ainda oferecia alimentação gratuita aos alunos do internato. O Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) e o Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape), por exemplo, já não contavam com suporte alimentar para os estudantes. 

“Não temos uma boa cobertura de assistência estudantil na UPE, comparado com outras universidade estaduais, sobretudo considerando que temos um complexo hospitalar, o orçamento é pouco, também não temos um restaurante universitário”, explica Arthur Godê. Ele aponta que os gastos com alimentação no Cisam não chegavam a ultrapassar o valor de R$ 4 mil, cujo corte impacta diretamente a rotina dos estudantes menos privilegiados. “É uma mensagem do Governo de Estado para o estudante pobre, filho de trabalhador, que a família muitas vezes precisa fazer um esforço hercúleo para manter em um curso elitizado, que já é de difícil acesso”, complementa. 

Os estudantes estão organizando um ato de protesto na próxima terça-feira (3), em frente ao Hospital Oswaldo Cruz. A UPE foi procurada pela reportagem, mas decidiu não se pronunciar sobre a situação.

Editado por: Luís Indriunas

|

Newsletter