No último sábado (31), o Elefante de Olinda realizou seu trote, uma das principais prévias de rua do calendário do Carnaval de Olinda. Milhares de foliões se reuniram na Praça do Jacaré e seguiram em cortejo pelas ladeiras do Sítio Histórico. Mas, de acordo com uma carta publicada pela agremiação nas redes sociais, o desfile quase foi interrompido em seu início por uma ação truculenta da Polícia Militar.
De acordo com o relato, no momento da saída do cortejo, a capitã responsável pelo grupamento policial interrompeu a orquestra aos gritos, lançando agressões verbais ao maestro, músicos e diretoria do clube. Ainda segundo a nota, a oficial chegou a ameaçar o prosseguimento do desfile. “É inadmissível e injustificável que esse tipo de conduta seja adotado por agentes públicos na condução de atividades relacionadas ao Carnaval e à cultura popular”, diz o texto.
A agremiação chegou a entrar em contato com o major responsável, conseguindo o afastamento da capitã e seu efetivo, substituído por outro grupo de patrulhamento. Contudo, o Elefante relata que o prosseguir do desfile contou com um “uso desproporcional de força” durante o cortejo, mau posicionamento de viaturas apertando o fluxo e dispersão com spray de pimenta ao fim do desfile durante a execução do Regresso do Elefante, tradicional música de encerramento dos desfiles.
“Nosso compromisso é com a cultura do Carnaval e, sobretudo, com a dignidade das pessoas poderem ser e estar na rua festejando. Não silenciaremos diante de atitudes que colocam em risco a integridade física e moral de quem nos acompanha. Por isso, destacamos que vamos tomar todas as medidas cabíveis e reafirmamos que a cultura popular não se curva ao autoritarismo e ao abuso de poder”, conclui a nota.
Atuação similar da Polícia Militar foi registrada no dia 18 de janeiro, durante o cortejo do tradicional John Travolta, quando uma policial chegou a ameaçar impedir a saída do bloco caso a concentração não se encerrasse de maneira imediata.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) em busca de um posicionamento, mas até o momento não obteve retorno.
Confira abaixo a íntegra da nota divulgada pelo Elefante.
