O presidente russo Vladimir Putin garantiu nesta terça-feira (4) ao líder chinês Xi Jinping o firme apoio da Rússia “a todos os esforços conjuntos para garantir a soberania e a segurança dos dois países, a sua prosperidade socioeconômica e o seu direito de escolher o seu próprio caminho de desenvolvimento”, segundo a agência de notícias russa TASS. A declaração foi feita durante videoconferência realizada às vésperas do Ano Novo Chinês, que será celebrado em 17 de fevereiro e marca o início do Ano do Cavalo de Fogo.
O encontro virtual ocorre sete meses após a última reunião presencial entre os dois líderes, quando Putin realizou uma visita de Estado de quatro dias à China, em setembro de 2025. Na ocasião, os países assinaram mais de vinte documentos de cooperação nas áreas de energia, tecnologia, ciência e saúde.
Durante a videochamada, Putin classificou a cooperação entre Rússia e China como “exemplar” e afirmou que “o vínculo de política externa entre Moscou e Pequim permanece um importante fator de estabilização” em meio à “crescente turbulência global”.
Putin parabenizou Xi Jinping e o povo chinês pelo Ano Novo Chinês. “O cavalo é caracterizado por força, energia e o desejo de seguir em frente. É isso que distingue os laços entre nossos países, independentemente da situação internacional”, declarou o presidente russo, manifestando confiança “na força e desenvolvimento progressivo” das relações bilaterais “em todas as áreas”.
O líder russo destacou também que este ano os dois países celebram o 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação, assinado em 2001 e considerado fundamental para as atuais relações bilaterais. “A sua implementação contínua atende, sem dúvida, aos interesses fundamentais dos povos de ambos os países, contribui para o fortalecimento da cooperação abrangente e verdadeiramente completa entre a Rússia e a China e, mais importante ainda, melhora o bem-estar dos nossos cidadãos”, afirmou Putin.
Traçar um “novo plano”
Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da China, Xi Jinping manifestou sua disposição em trabalhar com Putin “neste dia auspicioso para traçar conjuntamente um novo plano para as relações China-Rússia”. O líder chinês disse que os dois países comemoraram solenemente o 80º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial contra o Fascismo, demonstrando “sua firme determinação em defender os frutos da vitória na Segunda Guerra Mundial e a justiça e equidade internacionais”.
Xi Jinping lembrou que, além do 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação mencionado por Putin, este ano também marca o 30º aniversário do estabelecimento da parceria estratégica de coordenação China-Rússia e o lançamento do Ano da Educação China-Rússia.
O presidente chinês propôs aproveitar “esta oportunidade histórica” para “manter estreitas trocas em alto nível, fortalecer a cooperação pragmática em diversas áreas e garantir que as relações China-Rússia continuem a se desenvolver no caminho certo por meio de uma cooperação estratégica mais profunda e uma abordagem mais proativa e responsável como grandes potências”.
Xi Jinping afirmou que a “situação internacional se tornou cada vez mais turbulenta” e destacou as responsabilidades de China e Rússia. “Como grandes potências responsáveis e membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a China e a Rússia têm a obrigação de promover a adesão da comunidade internacional à equidade e à justiça, defender firmemente as conquistas da vitória na Segunda Guerra Mundial, apoiar resolutamente o sistema internacional com a ONU em seu núcleo e as normas básicas do direito internacional, e trabalhar em conjunto para salvaguardar a estabilidade estratégica global”, declarou o líder chinês.
Segundo o comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China, os dois chefes de Estado também conversaram sobre pontos críticos internacionais e regionais de interesse comum, embora não tenham sido divulgados detalhes específicos dessas discussões.
Comércio acima de US$ 200 bilhões e liderança energética
Putin informou que as trocas comerciais entre Rússia e China mantiveram-se estáveis acima de US$ 200 bilhões, cerca de R$ 1,044 trilhão. A Rússia mantém-se como principal fornecedora de recursos energéticos para a China, numa parceria que o líder russo definiu como “mutuamente benéfica e verdadeiramente estratégica”.
“Estamos mantendo um diálogo ativo sobre energia nuclear pacífica e promovendo projetos de alta tecnologia, inclusive na indústria e na exploração espacial”, acrescentou Putin. A cooperação agrícola também registra expansão significativa, com crescimento superior a 20% no volume do comércio bilateral do setor, segundo dados apresentados pelo presidente russo.
Coordenação em fóruns multilaterais
Putin enfatizou que Rússia e China estão preparadas para continuar “a mais estreita coordenação em questões globais e regionais, tanto bilateralmente quanto em todos os fóruns multilaterais (ONU, Brics, Organização de Cooperação de Xangai e outros), onde a parceria russo-chinesa desempenha um papel fundamental”.
A videoconferência ocorre três dias após o encontro em Pequim entre Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China, e Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Federação Russa. Na ocasião, realizada em 1º de fevereiro, Shoigu estendeu cumprimentos antecipados ao povo chinês pelo Ano do Cavalo e destacou que as relações bilaterais fundamentam-se em “respeito mútuo, confiança mútua, igualdade e benefício mútuo”.
Durante o encontro com Shoigu, Wang Yi observou que “o mundo hoje está passando por crescentes mudanças e turbulências, com a ordem internacional do pós-guerra e as normas que regem as relações internacionais severamente impactadas, e o mundo enfrenta um risco real de retroceder à lei da selva”. Wang Yi declarou que China e Rússia têm “a responsabilidade e a obrigação de praticar o verdadeiro multilateralismo, salvaguardar o sistema internacional com a ONU como núcleo” e trabalhar para construir “um sistema de governança global mais justo e equitativo”.
Shoigu, por sua vez, afirmou que a Rússia “mantém consistentemente o princípio de Uma Só China” e manifestou que Moscou “acompanha de perto os movimentos de forças hostis para minar a estabilidade no Estreito de Taiwan” e “se opõe firmemente às tentativas do Japão de acelerar a remilitarização”.
