O que podemos esperar para as eleições de 2026 é uma escalada do uso de inteligência artificial na produção e disseminação de desinformação — com fake news, imagens, áudios e vídeos cada vez mais convincentes, dificultando a distinção entre o real e o fabricado.
O risco não é apenas o de confundir eleitores, mas o de pressionar e descredibilizar instituições centrais do processo eleitoral, como a Justiça Eleitoral e o Judiciário como um todo, abrindo espaço para contestação artificial de resultados e instabilidade política. E o ponto mais sensível é que esses ataques tendem a ocorrer tanto por redes internas quanto por influência e infraestrutura externas, colocando à prova a soberania nacional.
Em novembro de 2024, a primeira-dama Janja mandou um recado bastante firme para o bilionário Elon Musk, que logo reagiu em sua rede social X (antigo Twitter), dizendo: “vão perder a próxima eleição”. Não podemos pensar que a afirmação do bilionário foi apenas uma bravata momentânea; devemos levá-la a sério e nos preparar para o que está por vir.
A grande “garra tecnofascista” das big techs , representadas polos líderes do setor tecnológico, com enorme poder de amplificação e controle de distribuição de conteúdo, tendem a ser atores relevantes na disputa informacional — e isso pode transbordar fronteiras e pressionar instituições nacionais.
O cercadinho do ex-presidente e atual presidiário acabou de forma física, mas ainda se mantém de forma virtual e é alimentado por políticos da extrema direita. Como esquecer a fake news do deputado Nikolas sobre a falsa taxação do Pix? Uma coisa que não podemos negar é que a extrema direita domina o campo da comunicação virtual muito melhor do que a esquerda.
Nesse momento é uma espécie de “fritura” do STF, onde o principal objetivo é descredibilizar a Suprema Corte — e isso é uma pavimentação para uma nova tentativa de golpe.
Quando o STF ou o TSE punir um deputado de eleitorado expressivo como o Nikolas, farão o discurso de perseguição e censura. Por outro lado, isso dá ao deputado mais coragem de desafiar as instituições com a produção de mais notícias falsas.
Essa armadilha às instituições não é só por conta de políticos. Na rádio Jovem Pan, o apresentador Emílio Surita afirmou falsamente que transações financeiras acima de R$ 5 mil seriam tributadas pelo governo federal. Mas não houve nenhuma ação jurídica por parte do governo contra a rádio, a serviço da extrema direita. Será medo do discurso de censura?
O uso de inteligência artificial está se expandindo cada vez mais e, em curtos intervalos de tempo, temos atualizações mais surpreendentes, como geração de imagens e vídeos, e o uso de deepfake – que é o uso da inteligência artificial para criar vídeos, áudios ou imagens falsas, simulando que uma pessoa real disse ou fez algo que nunca aconteceu — tão realistas que é difícil de ser distinguido por um observador atento. Imagine como estará nos próximos meses.
As nossas instituições devem se mostrar coesas, fortes e unidas agora, e não esperar chegar o período eleitoral para lutar contra um sistema tecnofascista que está querendo pegar cada vez mais uma roupagem legalista para o golpe que está por vir com ajuda externa.
Mais propagandas contra deepfake devem ser veiculadas pelo governo; é preciso ser incisivo. Veículos de comunicação devem ser responsabilizados pelos comentários de fake news veiculados em seus canais; partidos políticos e seus candidatos devem sofrer fortes punições, inclusive perda de mandato e inelegibilidade. E as big techs, responsabilizadas e multadas.
O gabinete do ódio não deixou de existir, pois os seus operadores estão soltos, prontos e ansiosos para voltar à ativa, com o aval do “Grande Laranja do Norte”.
Ediel Rangel é fotógrafo documentarista (minilink.club/edielrangel).
P.S.: As imagens que ilustram esse artigo foram geradas por inteligência artificial (IA)
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