Em conversa com a CNN, nesta quinta-feira (5), o senador pernambucano Humberto Costa (PT) afirmou que o seu partido deve mesmo firmar aliança com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), pré-candidato ao Governo do Estado. Humberto deve disputar a reeleição este ano compondo a chapa encabeçada pelo PSB. A bancada do PT na Assembleia Legislativa (Alepe) integra a base do governo Lyra (PSD), que tentará a reeleição enfrentando Campos.
O deputado estadual João Paulo (PT), ex-prefeito do Recife e aliado da governadora Raquel Lyra (PSD), tem defendido publicamente que Lula “divida” seu apoio entre Campos, Lyra e Ivan Moraes (Psol), mas Humberto não endossou a proposta. “Temos uma boa relação com Raquel Lyra, que é boa gestora, mas também temos uma relação histórica com o PSB. A tendência é estarmos com João Campos”, disse Humberto Costa à CNN.
O senador acredita que o PSD da governadora Raquel Lyra deve, majoritariamente, apoiar a candidatura do presidente Lula (PT) à reeleição, ao menos na região Nordeste. Nacionalmente liderado por Gilberto Kassab, o PSD tem entre seus quadros três pré-candidatos à Presidência da República: os governadores Ronaldo Caiado (de Goiás), Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Mas Kassab deve “liberar” seus filiados a selarem apoios às candidaturas de Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL).
Datafolha e a corrida pelo Senado
Dois senadores pernambucanos encerram mandato este ano. Além de Humberto Costa (PT), o senador Fernando Dueire (MDB) – suplente de Jarbas Vasconcelos – também tenta se viabilizar para buscar a renovação do mandato. Enquanto Costa deve compor a chapa de João Campos, Dueire é mais próximo da governadora Raquel Lyra, mas o grupo majoritário no MDB defende uma aliança com Campos, onde não há espaço para a candidatura do emedebista ao Senado. Ele pode mudar de partido ou tentar levar a sigla para a chapa da governadora.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (6) aponta a ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade) como nome mais forte para a disputa de uma das vagas no Senado. Nos quatro cenários pesquisados, Arraes tem intenções de voto que variam entre 36% e 41%. Reconciliada com o primo João Campos, Marília está num partido pouco expressivo em Pernambuco e pode ter dificuldades de cavar espaço na chapa de Campos. Ela pode arriscar uma candidatura “avulso” ou partir para uma candidatura segura para a Câmara Federal, puxando a irmã Maria Arraes para a disputa na Assembleia Legislativa.

O nome de Humberto Costa (PT) aparece em 2º lugar em todos os cenários da pesquisa Datafolha. As intenções de voto do petista variam entre 24% e 26%. Ele é seguido por Miguel Coelho (União Brasil, com entre 18% e 22%), que busca se encaixar na chapa de João Campos; e Eduardo da Fonte (PP, também com entre 18% e 22%), mas que pode figurar tanto na chapa de Campos como na de Raquel. Como seus partidos firmaram uma federação partidária (a “União Progressista”), passando a atuar como uma única sigla, eles não podem disputar a eleição em chapas diferentes.
A disputa pelo Senado também tem o ex-senador Armando Monteiro (Podemos), com entre 12% e 16%, aliado de Raquel Lyra; o ex-deputado federal Anderson Ferreira (PL), com entre 11% e 16%; o ex-ministro Gilson Machado (ainda sem partido, após deixar o PL), com entre 11% e 13%; o ministro Silvio Costa Filho (Republicanos), com entre 10% e 13% aliado de João Campos; a vereadora Jô Cavalcanti (Psol), com entre 3% e 4%, aliada de Ivan Moraes; e Fernando Dueire (MDB), com entre 2% e 3%.
