A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (5), a Operação Zona Cinzenta, contra a Amapá Previdência (Amprev), que faz a gestão do Regime Próprio de Previdência Social do estado, por investimentos na soma de aproximadamente R$ 400 milhões no Banco Master, de Daniel Vorcaro.
De acordo com a PF, a Amprev é investigada por aprovação e a execução de investimentos realizados em Letras Financeiras emitidas pelo Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado após identificar falta de recursos para cumprir compromissos. Estão sendo investigados os crimes de gestão temerária e de gestão fraudulenta.
Entre os alvos estão o presidente da Amprev Jocildo Silva Lemos e os membros do comitê de investimentos, Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves.
Jocildo Silva Lemos foi nomeado presidente da Amprev em 2023 pelo governador Clécio Luís (Solidariedade) por indicação do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de quem foi tesoureiro de campanha em 2022. Em 2024, Lemos declarou em evento público que foi convidado pelo senador para o cargo.
Em janeiro, o Ministério Público do Amapá, que investiga a aplicação de fundos de previdência em fundos do Master, informou que uma apuração feita antes da liquidação do banco analisou as aplicações segundo a política de investimentos do órgão.
Na ocasião, o governo do Amapá declarou que a Amprev mantém condições para pagar cerca de 6 mil aposentadorias e pensões sob sua responsabilidade, com projeção até 2059. Segundo o governo, o investimento de R$ 400 milhões no Banco Master corresponde a 4,7% do patrimônio do fundo. Em 2024, o fundo de previdência do Amapá tinha um ativo de R$ 10 bilhões, com R$ 8,3 bilhões em investimentos, e registrava déficit de R$ 387 milhões.
