ESCÂNDALO MUNDIAL

Caso Epstein: premiê britânico descarta renúncia e ex-cúmplice de financista fica em silêncio durante depoimento

Embaixador britânico para os EUA tinha ligações próximas com condenado por pedofilia

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Epstein, Mandelson e Starmer: caso afeta o governo britânico
Epstein, Mandelson e Starmer: caso afeta o governo britânico | Crédito: NEW YORK STATE SEX OFFENDER REGISTRY / AFP

O Caso Epstein segue causando terremotos políticos. No Reino Unido, o primeiro-ministro, Keir Starmer, rejeitou a ideia de renunciar devido a vínculos de seu ex-embaixador nos Estados Unidos com o financista morto em 2019. A crise já custou o cargo de seu chefe de gabinete e do seu diretor de comunicação.

Questionado se Starmer poderia renunciar nesta segunda-feira (9), um dos seus porta-vozes respondeu negativamente e afirmou que o primeiro-ministro trabalhista está “focado no seu trabalho” e “dedicado a implementar mudanças por todo o país”.

Os pedidos por sua renúncia aumentaram dentro de seu próprio partido e o líder do Partido Trabalhista escocês, Anas Sarwar, pediu que Starmer deixasse o cargo nesta segunda-feira.

“Essa distração precisa parar; a liderança em Downing Street precisa mudar”, declarou Sarwar após o escândalo sobre os vínculos entre o criminoso sexual Jeffrey Epstein e o seu ex-embaixador em Washington Peter Mandelson nomeado pelo governo de Starmer.

Vários ministros do gabinete expressaram apoio a Starmer, mas o líder trabalhista sofreu outro revés nesta segunda-feira com a renúncia de Tim Allan, seu diretor de comunicação.

“Decidi me afastar para permitir a formação de uma nova equipe em Downing Street”, declarou Allan em um comunicado, menos de 24 horas após a renúncia do chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney.

O governo de Starmer está mergulhado em uma crise sem precedentes após as revelações mais recentes sobre as relações entre o ex-embaixador nos Estados Unidos e Epstein.

Qual a ligação entre Epstein e Mandelson?

O chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, renunciou no domingo por ter “aconselhado” o primeiro-ministro a nomear Mandelson como embaixador em Washington, apesar das suas relações com Epstein.

“A nomeação de Peter Mandelson foi um erro. Aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo a responsabilidade”, anunciou McSweeney.

Mandelson, de 72 anos, foi nomeado embaixador em 2024, quando sua relação com Epstein já era conhecida, embora sem a profundidade demonstrada nos documentos recém-revelados.

Mandelson é uma das figuras envolvidas nas últimas revelações sobre vínculos com o falecido financista americano, que se suicidou na prisão em 2019, quando enfrentava acusações de tráfico de menores para fins sexuais.

As trocas de e-mails entre Epstein e Mandelson evidenciaram amizade, transações financeiras, fotos privadas, além de indícios de que o diplomata britânico compartilhou informação confidencial com o financista há quase duas décadas.

“Lamento ter acreditado nas mentiras de Mandelson e tê-lo nomeado”, declarou Starmer na semana passada.

Epstein e Ghislaine Maxwell a bordo do avião do pedófilo condenado
Epstein e Ghislaine Maxwell a bordo do avião do pedófilo condenado | Crédito: Departamento de Estado dos EUA/AFP

Congresso dos EUA

Ghislaine Maxwell, ex-parceira e cúmplice de Jeffrey Epstein, recusou-se nesta segunda-feira (9) a responder às perguntas de um comitê do Congresso dos Estados Unidos, invocando seu direito legal de não se incriminar, informaram parlamentares.

Maxwell, que cumpre uma pena de 20 anos de prisão por tráfico sexual, foi convocada a depor perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, que investiga as conexões do falecido Epstein com figuras poderosas e como foram tratadas as informações sobre seus crimes.

“Como era de esperar, Ghislaine Maxwell recorreu à Quinta Emenda e se recusou a responder a qualquer pergunta”, disse a jornalistas o presidente republicano do comitê, James Comer, em referência ao direito de não se incriminar garantido pela Constituição dos Estados Unidos.

“Isto é obviamente muito decepcionante”, acrescentou. “Tínhamos muitas perguntas sobre os crimes que ela e Epstein cometeram, assim como perguntas sobre outros possíveis cúmplices.”

Os advogados de Maxwell disseram ao painel da Câmara que a ex-socialite britânica estava disposta a depor somente se antes o presidente Donald Trump a perdoasse, apontou Comer. Os advogados haviam pressionado para que o Congresso lhe concedesse imunidade legal a fim de que prestasse depoimento, mas os parlamentares se negaram.

Contexto

Maxwell é a única pessoa condenada por um delito relacionado a Epstein, que foi encontrado morto na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores, em um fato que foi classificado como suicídio.

Epstein havia sido condenado em 2008 por solicitar serviços de prostituição a uma menor. Seus amplos vínculos com os ricos e poderosos, especialmente após sua libertação em 2009, tornaram-se politicamente explosivos em todo o planeta.

Uma lei obrigou o governo Trump a publicar milhões de documentos, fotos e vídeos relacionados à investigação sobre Epstein. O ex-presidente democrata americano Bill Clinton vai depor sobre sua relação com Epstein em 27 de fevereiro, enquanto sua esposa e ex-chefe da diplomacia americana Hillary Clinton o fará um dia antes, indicou o comitê.

Trump já foi um amigo próximo de Epstein, mas não foi convocado a depor pelo painel, que é dirigido por membros de seu Partido Republicano. Nem os Clinton nem Trump foram acusados de qualquer ato ilícito relacionado ao financista.

No ano passado, Maxwell foi transferida para uma prisão de mínima segurança no Texas após se reunir em duas ocasiões com o procurador-geral adjunto Todd Blanche, que anteriormente era advogado pessoal do presidente.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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