Eleições em Portugal

Derrota de André Ventura e extrema direita de Portugal deve ser comemorada, avalia internacionalista

Amanda Harumy observa abertura para diálogo com América Latina, mas reconhece limites de influência no cenário global

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António José Seguro, presidente eleito de Portugal
António José Seguro, presidente eleito de Portugal | Crédito: Patricia de Melo Moreira/AFP

Portugal elegeu José António Seguro, de 63 anos, como o novo Presidente da República. O candidato do Partido Socialista (PS) recebeu, com 99% das urnas apuradas, 66,7% dos votos válidos contra 33,3% de André Ventura, do partido de extrema direita Chega. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a internacionalista Amanda Harumy observou que é uma vitória muito profunda em Portugal dentro dessa perspectiva do debate da extrema direita.

“Considerando o Chega uma representação da extrema direita mundial, temos que comemorar sua derrota. Mas chamar o Partido Socialista de esquerda também é um exercício. O PS, hoje, está atuando como um conciliador importante para essas classes, mas nós temos outras referências de esquerda em Portugal, como o próprio Partido Comunista”, relembra.

Portugal tem um regime semipresidencialista, ou seja, é formado por um presidente e por um primeiro-ministro. O premiê é responsável pela condução cotidiana do governo, enquanto o presidente exerce funções de chefia de Estado, com poderes de fiscalização e moderação, representando o país no exterior e intervindo quando considera necessário.

“O presidente significa uma unidade e uma representação nacional importante para as questões das Forças Armadas, para as questões institucionais, mas a dinâmica política de condução ela vai estar muito relacionada ao primeiro-ministro e essa capacidade de coesão da Assembleia da República para aplicar políticas. Então Portugal é uma novidade, esse tensionamento da extrema direita”, explica.

Harumy observa que a vitória de um partido progressista em Portugal, somando-se ao de Pedro Sánchez, na Espanha, possui, segundo ela, “uma compreensão sobre a América Latina, que talvez a outra parte da Europa não tenha”. O país participa de diversas articulações internacionais quando estão em pauta temas de consenso mínimo, ou seja, direitos humanos, desenvolvimento econômico, proteção do meio ambiente.

“Então acredito que sim, mas não podemos colocar Portugal como uma potência que vá influenciar dentro dessa correlação de forças que a gente tem hoje que é explícita, que são as disputas entre Estados Unidos, China, um novo mundo multipolar e os países que estão em ascensão, no caso, os membros dos Brics”, conclui.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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