Memória histórica

O acusado da História: quem está manipulando a memória de Taiwan

Historiador Lan Bozhou diz que 'status indeterminado de Taiwan' foi criado pelos EUA para manter influência na Ásia

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O historiador e editor taiwanês Lan Bozhou
O historiador e editor taiwanês Lan Bozhou | Crédito: Reprodução / GSAF

Este conteúdo faz parte de uma série de conteúdos produzidos nos marcos da realização do 2º Fórum Acadêmico do Sul Global, realizado em Xangai, em novembro de 2025. O evento reuniu pesquisadores e instituições para promover cooperação, troca de saberes e pensamento crítico, fortalecendo a produção de conhecimento e soluções para desafios sociais, políticos e ambientais.


O historiador e editor taiwanês Lan Bozhou foi um dos participantes do Fórum Acadêmico do Sul Global, realizado em novembro de 2025, em Xangai, na China. Ele apresentou uma análise sobre a cronologia da resistência antifascista no Leste Asiático. O historiador propõe uma revisão dos marcos temporais da Segunda Guerra Mundial, argumentando que a agressão japonesa contra a China não se iniciou em 1931 ou 1937, mas em 1874, com a primeira expedição militar ao território de Taiwan. Para o palestrante, a resistência dos habitantes da ilha deve ser compreendida como a fase inicial da luta do povo chinês contra o expansionismo japonês, integrando Taiwan diretamente ao contexto do campo de batalha oriental.

Bozhou examina como as decisões geopolíticas do pós-guerra, influenciadas pela Guerra Fria, moldaram a situação atual da região. Ele afirma que o conceito de “status indeterminado de Taiwan” foi uma formulação jurídica e política estabelecida pelos Estados Unidos para justificar a manutenção de sua influência e presença militar no Nordeste da Ásia. Segundo sua análise, essa construção serviu para separar a ilha do continente chinês e transformá-la em um ponto estratégico de contenção, o que, em sua visão, compromete a soberania nacional e a estabilidade regional.

Lan Bozhou conclui sua intervenção situando a história de Taiwan como parte essencial da fundação da ordem internacional pós-1945 e do sistema das Nações Unidas. O historiador sustenta que a recuperação da memória histórica sobre o papel da China na derrota do fascismo é fundamental para contrapor narrativas que buscam justificar novas tensões geopolíticas.

Clique aqui para assistir ao vídeo com legendas em chinês e inglês no nosso Youtube.

Editado por: Geisa Marques

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