Este conteúdo faz parte de uma série de conteúdos produzidos nos marcos da realização do 2º Fórum Acadêmico do Sul Global, realizado em Xangai, em novembro de 2025. O evento reuniu pesquisadores e instituições para promover cooperação, troca de saberes e pensamento crítico, fortalecendo a produção de conhecimento e soluções para desafios sociais, políticos e ambientais.
As discussões realizadas em Xangai em novembro de 2025 durante o Fórum Acadêmico do Sul Global estabeleceram uma conexão direta entre o 80º aniversário da vitória antifascista e a necessidade de uma nova arquitetura para as relações internacionais. O foco recai sobre a trajetória histórica do Sul Global, que, desde a Conferência de Bandung, busca alternativas à lógica de blocos antagônicos.
No contexto do Painel 3 — O Sul Global do Pós-Guerra e os Novos Desenvolvimentos no Movimento Não-Alinhado, o professor Yin Zhiguang, da Universidade Fudan, propõe uma reflexão sobre a natureza da governança global, questionando se o poder militar deve continuar sendo o principal eixo de determinação histórica. Ele aponta que as nações hegemônicas frequentemente transformam sua posição no comércio internacional em uma ferramenta de coerção, limitando as opções de desenvolvimento dos países periféricos. Para o pesquisador, a união política do Sul Global é o que permite desafiar a imposição de um modelo único de progresso, garantindo que a pluralidade de caminhos nacionais seja respeitada.
A análise destaca a diferença fundamental entre parcerias baseadas em subordinação e aquelas fundamentadas na cooperação voluntária. Citando a Iniciativa do Cinturão e Rota, Yin argumenta que o papel da China tem sido o de oferecer alternativas estruturais que não exigem o abandono da soberania nacional como pré-requisito. Essa abordagem é descrita como um suporte estratégico que permite aos países em desenvolvimento resistirem a pressões externas, assegurando o direito de escolherem seus parceiros e seus próprios métodos de governança interna sem sofrer retaliações.
Ele reforça que o antigo espírito de Bandung evoluiu para uma nova fase de “multi-alinhamento”, exemplificada pelo fortalecimento do grupo Brics+. Em vez de se isolarem das disputas globais, os países do Sul agora buscam forjar múltiplas parcerias que garantam sua autonomia energética, tecnológica e financeira.
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