Multilateralismo

O crepúsculo de Yalta e a aurora de uma nova ordem mundial

Carlos Ron discute o desmantelamento das normas internacionais e defende a construção de uma ordem multipolar

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O pesquisador e diplomata venezuelano Carlos Ron
O pesquisador e diplomata venezuelano Carlos Ron | Crédito: Divulgação / GSAF

Este conteúdo faz parte de uma série de conteúdos produzidos nos marcos da realização do 2º Fórum Acadêmico do Sul Global, realizado em Xangai, em novembro de 2025. O evento reuniu pesquisadores e instituições para promover cooperação, troca de saberes e pensamento crítico, fortalecendo a produção de conhecimento e soluções para desafios sociais, políticos e ambientais.


O Painel 2 do Fórum Acadêmico do Sul Global 2025 — Além da Guerra Fria: O Sistema de Yalta, as Nações Unidas e a Ordem Internacional do Pós-Guerra –foi centrado na crise do sistema de Yalta e das Nações Unidas, estruturas estabelecidas no pós-Segunda Guerra Mundial. A discussão analisou a paralisia do Conselho de Segurança e a tendência de substituição do direito internacional por normativas unilaterais que não passaram por consenso global.

Carlos Ron, pesquisador sênior do Instituto Tricontinental e diplomata venezuelano, argumenta que a estratégia das potências hegemônicas em relação à Organização das Nações Unidas (ONU) passou de uma tentativa de controle institucional para uma tendência de desmantelamento da autoridade da organização. Segundo Ron, o uso frequente de sanções econômicas unilaterais e o abandono de instâncias coletivas de diálogo indicam um afastamento das normas pactuadas em 1945. Ele sustenta que essa conduta compromete a eficácia das instituições internacionais na mediação de crises e na manutenção da paz global.

Como exemplo da aplicação de medidas de exceção, o pesquisador cita a reativação da Lei de Inimigos Estrangeiros nos Estados Unidos — legislação historicamente utilizada para o internamento de cidadãos de origem japonesa durante a Segunda Guerra Mundial — agora aplicada no contexto migratório e político. Em contraposição a esse modelo, Ron resgata o conceito de “equilíbrio do universo” de Simón Bolívar. A proposta defende que a estabilidade global deve advir de um balanço de interesses entre nações soberanas que buscam o benefício mútuo, em vez da imposição da vontade de um único Estado sobre os demais.

Clique aqui para assistir ao vídeo com legendas em chinês e inglês no nosso Youtube.

Editado por: Geisa Marques

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