A Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) não reconheceu o atestado médico enviado pela procuradora Rebeca Teixeira Ramagem Rodrigues, esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado à prisão por participação na trama golpista. Ela está nos Estados Unidos, onde acompanha o marido fugitivo, e, sem o documento, a servidora pública não é considerada formalmente afastada das funções. A ausência se tornou alvo de apuração administrativa.
Rebeca deixou o trabalho em 17 de novembro de 2025, quando iniciou um período de férias que se encerraria no dia 28 do mesmo mês. As férias, no entanto, foram prorrogadas por mais três semanas. Na sequência, houve o recesso forense, entre 20 de dezembro e 6 de janeiro.
Após esse período, a procuradora apresentou à PGE-RR um atestado solicitando licença médica de 60 dias, a contar de 22 de dezembro de 2025. O documento, porém, não foi reconhecido pela junta médica. Sem a validação, o afastamento não foi formalizado e a ausência passou a ser alvo de apuração administrativa interna.
Com isso, ficou um intervalo sem justificativa formal entre 7 de janeiro e 19 de fevereiro de 2026, que deverá ser justificado internamente pela procuradora. Diante da não homologação do atestado, Rodrigues solicitou ainda 78 dias de férias acumuladas, a partir desta sexta-feira (20).
Em suas redes sociais, ela afirmou que não existe justificativa técnica ou operacional para que sua presença física seja exigida na Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) e que os protocolos, audiências, despachos e reuniões podem ser realizados de forma virtual.
“Exerço minhas funções dessa forma desde 2016, sem qualquer prejuízo ao serviço público. Além disso, aproximadamente um terço dos procuradores do Estado atua em regime de teletrabalho. Ou seja, o modelo é aceito, regulamentado e disponível a quem desejar, menos para mim”, afirmou. “Trata-se de mais um ato arbitrário que reforça de forma inequívoca o cenário de perseguição política. Os fatos falam por si. Sigo firme, confiante de que ainda existem, no Brasil e em Roraima, pessoas com coragem para agir com justiça, acima do medo e da conveniência”.
Em nota, a Procuradoria rebateu as acusações e afirmou que a servidora não exerce teletrabalho desde agosto de 2020, a despeito de Rodrigues declarar que atua remotamente desde 2016.
Em novembro do ano passado, Rodrigues publicou em suas redes sociais que deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos com o seu marido para “proteger a sua família”.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão na ação penal da trama golpista. Em setembro do ano passado, ele fugiu do país para evitar o cumprimento da pena e desde então está morando em Miami.
Segundo a Polícia Federal, Ramagem fugiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido. No final do ano passado, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a cassação do mandato de Ramagem. A Constituição determina que a Casa declare a perda do mandato de parlamentar em função de condenação criminal.
