A presidenta em exercício da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um apelo para que o país supere o ódio para poder seguir em frente. As declarações foram feitas na segunda-feira (24) durante evento com vítimas da violência política.
No encontro emotivo no Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano, familiares das vítimas compartilharam experiências, relatando o difícil processo de luto e a incansável busca por justiça.
“A primeira coisa que precisa ser curada é o ódio, essas expressões de intolerância que não reconhecem aqueles que são diferentes por causa da cor da pele, religião ou posição política. A Venezuela precisa se curar“, declarou a presidenta, que pediu maior participação no Programa Nacional de Convivência – iniciativa recente que busca desidratar o extremismo político e a polarização no país, fortalecendo o diálogo para a resolução dos problemas.
Rodríguez reconheceu que, embora haja uma dívida a ser paga em termos de celeridade da justiça para as vítimas, a ativação do Programa busca cumprir essa obrigação moral.
Nesse contexto, a presidenta enfatizou que o perdão é um ato de “desapego pessoal” necessário para que a dor não se torne um obstáculo ao desenvolvimento do país, ressaltando o compromisso do Estado em garantir que esses eventos não se repitam.
“Sua coragem é a força motriz para continuarmos construindo uma pátria livre da violência fascista”, disse ela às vítimas.
Rodríguez também expressou profunda empatia com as famílias e denunciou que setores extremistas “que odeiam a Venezuela” preferiram pedir intervenção estrangeira e “promover o sequestro institucional” em vez de buscar soluções políticas.
Em seguida, exemplificou como é necessário esforço e sacrifício pessoal para essa superação, ao mencionar o sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cília Flores em 3 de janeiro pelos Estados Unidos, ação que matou mais de 100 pessoas. “Tive que me sentar com os algozes da Venezuela, e estou fazendo isso pela Venezuela, pela soberania que os Libertadores nos deram”, disse, se referindo ao governo estadunidense e aos pioneiros do chavismo.
Durante o encontro, o deputado Jorge Arreaza enfatizou a necessidade de esclarecer as interpretações equivocadas que diversos setores têm difundido a respeito da Lei de Anistia, lembrando que o Artigo 9º do referido instrumento legal é explícito ao excluir do benefício graves violações de direitos humanos, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, homicídio doloso, narcotráfico e os crimes previstos na Lei Anticorrupção.
O parlamentar também enfatizou que aqueles que promoveram, financiaram ou participaram de ações armadas contra a soberania nacional, ou que invocaram a intervenção de potências estrangeiras contra o povo venezuelano, não serão elegíveis para a anistia.
