Solidariedade

Do campo à cidade: doação de feijão reforça redes populares de apoio no Ceará

Ação do MST leva alimento a comunidades vulneráveis e fortalece a articulação entre territórios rurais e urbanos

No audio source provided.
carregamento de feijão
Feijão a ser doado é fruto do trabalho dos assentamentos da região do Sertão dos Inhamuns. Foto: Vivaldo Witchoff

A solidariedade como prática concreta de organização popular tem marcado novas ações de distribuição de alimentos no Ceará. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Cooperamuns iniciaram a destinação de 58 toneladas de feijão-de-corda para famílias em situação de vulnerabilidade social, em uma mobilização que articula campo e cidade por meio de redes solidárias.

O alimento será encaminhado a cozinhas populares, entidades sociais e coletivos que atuam nas periferias de Fortaleza, na Região Metropolitana e em municípios do interior, com prioridade para territórios que enfrentam insegurança alimentar.

Para a cooperativa, a ação reflete um compromisso político e social que acompanha a própria produção agrícola oriunda da Reforma Agrária. Cidivan Veras, coordenador industrial do Frigorífico e Abatedouro Terra Conquistada e integrante da Cooperamuns, destaca que a iniciativa está alinhada aos princípios que orientam a organização.

“Nós, da Cooperamuns, estamos destinando parte da safra de feijão de 2025, fruto da reforma agrária, para famílias em situação de vulnerabilidade em várias regiões do Ceará. Essa ação se apoia em um dos pilares que sustentam a nossa cooperativa: garantir a distribuição de alimentos saudáveis junto com a prática da solidariedade com os povos mais pobres.”

Segundo ele, a decisão foi construída coletivamente entre a direção e os sócios da cooperativa, que há mais de uma década organizam a comercialização da produção das famílias assentadas, inclusive por meio de políticas públicas de abastecimento e alimentação. A iniciativa também dialoga com a experiência acumulada durante o período da pandemia, quando as ações solidárias foram intensificadas.

“Durante a pandemia, intensificamos as ações de solidariedade, realizando doações de alimentos para comunidades que enfrentavam dificuldades ainda maiores. Para nós, produzir alimentos também é assumir um compromisso social com quem mais precisa.”

A produção destinada à doação é resultado direto do trabalho das famílias agricultoras organizadas na Cooperamuns, sediada nos Sertões de Crateús. A logística de distribuição é feita em parceria com organizações populares e projetos sociais que já atuam nos territórios, o que contribui para que os alimentos cheguem de forma mais rápida e direcionada às famílias em maior situação de vulnerabilidade.

Movimento Brasil Popular vai distribuir em Fortaleza

A ação também evidencia o papel das redes de solidariedade construídas por movimentos sociais no estado. Para Tamyres Lima, da Coordenação Estadual do Movimento Brasil Popular, a iniciativa fortalece a integração entre diferentes frentes de atuação social.

“Nós, enquanto movimentos sociais, ficamos imensamente gratos por essa grande ação de solidariedade da Cooperamuns e do MST. O feijão, que é base da alimentação e da força do povo brasileiro, nos próximos dias vai reforçar o prato das nossas cozinhas populares e chegar a dezenas de territórios da periferia da nossa capital. É um gesto que aquece o coração e fortalece a nossa luta diária por dignidade e justiça social.”

Mais do que uma ação pontual, a destinação dos alimentos se insere em uma estratégia contínua de garantia do direito à alimentação e de fortalecimento das relações solidárias entre comunidades rurais e urbanas, reafirmando a solidariedade como um princípio estruturante da atuação dos movimentos sociais no Ceará.

Editado por: Camila Garcia

|

Newsletter