CORRUPÇÃO

Manifestantes denunciam envolvimento de articulador de privatização da Copasa em esquema de propina

Sindicato denuncia que processo de desestatização da companhia mineira também pode ser marcado por ilegalidades

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Ex-presidente de conselho da Copasa admitiu pagamento de propina pró privatizações | Crédito: Reprodução/ALMG

Trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e movimentos sociais fizeram uma manifestação na manhã de segunda-feira (23), em frente à sede da empresa, em Belo Horizonte. O protesto denunciou a realização de uma assembleia de acionistas, na mesma data, que pautou a privatização da estatal. Os manifestantes denunciam que, além dos impactos negativos para a população, o processo de venda está marcado por irregularidades. 

A reunião havia sido convocada pelo ex-presidente do Conselho de Administração da Copasa, Hamilton Amadeo, que renunciou ao cargo no dia 12 de fevereiro, após se tornar pública a notícia de que ele participou de uma delação na qual admitiu ser um dos líderes de um esquema de pagamento de propina quando era CEO da Aegea, empresa que possui diversos contratos de concessão de serviços de saneamento ao redor do Brasil. 

Na avaliação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais (Sindágua-MG), o fato de Amadeo ter convocado a assembleia que discutiu os “moldes” da privatização da Copasa, por si só, já “fere a legalidade e a moralidade” do processo. 

“Não podemos aceitar que o futuro da Copasa e do saneamento de Minas Gerais seja decidido por um processo capitaneado por quem confessou, em acordo de leniência junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ser o operador de um esquema de propinas. As denúncias são estarrecedoras: Amadeo admitiu atuar no suborno de deputados e autoridades para viabilizar a privatização de empresas públicas”, argumenta a entidade.  

O Sindágua-MG ainda questiona: “como pode um réu confesso, que admitiu comprar apoio para privatizar estatais, assinar o documento que dá início à venda da nossa Copasa?”.

Na sexta-feira (20), a deputada estadual Bella Gonçalves (Psol) já havia entrado com uma representação na Procuradoria da República em Minas Gerais e no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) pedindo a suspensão dos atos já tomados em relação à desestatização da companhia, “diante de indícios robustos de crimes e irregularidades” que, na avaliação da parlamentar, “podem viciar todo o procedimento”.   

Entenda

Sob forte rejeição popular, no ano passado, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou em dois turnos o projeto de lei, de autoria do governo Zema (Novo), que autoriza a privatização da Copasa. 

A medida é vista de forma crítica por trabalhadores, especialistas e a ampla maioria da população, uma vez que experiências de desestatização de setores essenciais, como distribuição e tratamento de água e saneamento, ao redor de todo o mundo, não se mostraram exitosas, levando à piora na qualidade do serviço, aumento das tarifas para a população e perda do controle estatal em áreas estratégicas. 

Uma pesquisa de opinião contratada pela Associação Mineira de Municípios (AMM) e divulgada em dezembro de 2025 apontou que quase 60% dos moradores de Minas Gerais não são favoráveis à venda da companhia de saneamento mineira. Organizado por movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos em 2024, outra consulta,  o Plebiscito Popular em Defesa das Estatais de Minas Gerais indicou que o índice de reprovação à privatização pode ser ainda maior, chegando a 95%. 

Passado o trâmite na ALMG, segundo o Sindágua-MG, a assembleia de acionistas desta segunda-feira (23) teve o objetivo de “pavimentar o caminho definitivo para a entrega do patrimônio ao setor privado”. O sindicato busca anular os efeitos da reunião. 

Eduardo Pereira, presidente da entidade, alerta para o fato de que, assim como foi revelado o esquema de pagamentos de propina envolvendo a Aegea, o mesmo pode estar acontecendo com a Copasa. 

“Tem deputado que pode estar ganhando dinheiro com a venda da Copasa. O ex-presidente do Conselho de Administração da Copasa confessou ter autorizado o pagamento de propinas para políticos, deputados e conselheiros do TCE em sete estados do nosso país, para favorecer a Aegea, que quer comprar a Copasa. Então, eu fico pensando que tem deputado na ALMG que ganhou dinheiro para votar pela privatização da Copasa”, questiona. 

Editado por: Elis Almeida

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