Após Cuba frustrar uma tentativa de entrada ilegal na ilha de uma embarcação com registro do estado da Flórida, carregada de armamentos, Havana informou nesta quinta-feira (26) sua “disposição em trocar” informações com Washington para esclarecer o ocorrido e afirmou que as autoridades estadunindenses “mostraram disposição em cooperar”.
Os fatos resultaram na morte de quatro pessoas e na detenção de outras seis, quando, na quarta-feira (25), as autoridades tentaram interceptar e identificar a embarcação após sua entrada ilegal em águas cubanas. Naquele momento, a lancha, registrada na Flórida, abriu fogo contra os guardas costeiros, gerando um confronto.
Durante uma breve coletiva de imprensa, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, reafirmou que a incursão ilegal da lancha rápida, com dez pessoas armadas a bordo, constituiu “uma tentativa de infiltração com fins terroristas”.
“Desde o primeiro momento, e após ser detectado que o veículo procedia do território dos Estados Unidos, as autoridades cubanas mantiveram comunicação sobre essa tentativa terrorista com suas contrapartes americanas, incluindo o Departamento de Estado e a Guarda Costeira”, afirmou Fernández de Cossío.
Além disso, o vice-ministro informou que, entre os objetos apreendidos, estavam armas como fuzis de assalto e de precisão, pistolas e coquetéis molotov, assim como diversos equipamentos de assalto e de visão noturna, baionetas, roupas camufladas e munição de diferentes calibres, entre outros materiais.
Fernández de Cossío destacou que o ocorrido não pode ser entendido como um “ato isolado”. Lembrou que “Cuba tem sido vítima de agressões e inúmeros atos terroristas há mais de 60 anos”, ações que — ressaltou —, em sua maioria, foram organizadas e executadas a partir dos Estados Unidos. Além disso, indicou que, nos últimos anos, as tentativas de ataques terroristas aumentaram, sem que — segundo ele — houvesse investigações por parte das autoridades estadunidenses.
“Os grupos anticubanos que operam nos EUA recorrem ao terrorismo como expressão de seu ódio a Cuba e da impunidade que acreditam desfrutar”, disse. “Cuba reafirma seu compromisso absoluto e categórico contra todos os atos, métodos e práticas terroristas, em todas as suas formas e manifestações”, acrescentou.
Por fim, o vice-ministro afirmou que Cuba “mantém um desempenho exemplar no enfrentamento ao terrorismo e cumpriu, e continuará cumprindo, os compromissos assumidos nessa área”, ao mesmo tempo em que destacou que o país “tem o dever e a responsabilidade de proteger suas águas territoriais”.
