Revelações do Caso Epstein, envolvendo exploração sexual e tráfico de influências, continuam causando repercussões entre poderosos de vários países. Nesta quinta-feira (26), Borge Brende, CEO do Fórum Econômico Mundial (WEF), que organiza todos os anos a reunião de cúpula de Davos na Suíça, renunciou ao cargo após as revelações sobre seus vínculos com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Também nesta quinta, prestam depoimento o ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. O casal foi convocado em uma investigação conduzida pelo Congresso dos Estados Unidos sobre os crimes de Epstein. Embora tenham inicialmente resistido à intimação sob alegações de motivação política, eles aceitaram depor após ameaças de serem acusados de desacato.
Ter o nome citado nos arquivos de Epstein não implica ter necessariamente cometido qualquer crime, mas levanta questões sobre a relação da pessoa citada com o criminoso, que se suicidou na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por exploração sexual de mulheres, incluindo menores.
Fórum Econômico Mundial
“Após uma reflexão cuidadosa, decidi renunciar aos cargos de presidente e CEO do Fórum Econômico Mundial”, afirmou Borge Brende, que foi ex-ministro das Relações Exteriores da Noruega. “Agora é o momento certo para que o Fórum continue seu importante trabalho sem distrações.”
No início deste mês, o WEF anunciou uma investigação sobre a relação de Brende com Epstein, depois que o nome do norueguês apareceu dezenas de vezes nos milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
O Fórum informou nesta quinta-feira que a investigação sobre Brende havia sido concluída.”Os resultados indicaram que não existem preocupações adicionais às reveladas anteriormente”, indica o relatório.
Brende disse que jantou duas vezes com Epstein, junto com outros diplomatas e empresários. “Esses jantares, e alguns e-mails e mensagens SMS, foram a totalidade das minhas interações com ele”, explicou, garantindo que “desconhecia por completo o passado e as atividades criminosas” do financista.
Bill e Hillary Clinton
O ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton prestam depoimento ao Congresso dos Estados Unidos sobre os crimes de Epstein. O comitê busca esclarecer a natureza das relações entre os Clinton e o criminoso, incluindo visitas à Casa Branca e viagens no avião particular de Epstein. Enquanto Bill Clinton nega conhecimento sobre as atividades ilícitas e Hillary afirma não se lembrar de interações diretas, as autoridades buscam transparência e justiça para as vítimas.
As sessões, que ocorrerão em Nova York, serão gravadas e transcritas para posterior divulgação pública como parte de um esforço maior para responsabilizar figuras de alto escalão.
Trump
Membros do Partido Democrata estão acusando o governo de Donald Trump de realizar uma ocultação histórica de documentos federais ligados ao caso Epstein. Embora o Departamento de Justiça tenha liberado milhões de arquivos, investigações da mídia revelaram a ausência de registros cruciais sobre denúncias de agressão sexual envolvendo o atual presidente.
Documentos do FBI sugerem que múltiplos depoimentos de uma sobrevivente foram omitidos da base de dados pública, levantando suspeitas de irregularidades legais na transparência governamental. Enquanto o governo nega qualquer má conduta e afirma que os arquivos publicados o isentam, congressistas prometem investigações paralelas para obter o material que falta.
O Departamento de Justiça se comprometeu a revisar os processos de catalogação para garantir que nenhuma informação tenha sido retida de forma indevida.
Bill Gates
O cofundador da Microsoft Bill Gates admitiu ter cometido “um grave erro” ao se relacionar com Jeffrey Epstein, e disse aos funcionários de sua fundação filantrópica que de fato teve casos com duas mulheres russas, mas negou qualquer ligação com os crimes do financista condenado por crimes sexuais.
“Foi um grande erro passar tempo com Epstein” e organizar reuniões entre executivos da fundação e o financista, disse Gates.
Em um rascunho divulgado pelo Departamento de Justiça, Epstein afirmou que Gates manteve relações extraconjugais. Ele escreveu que sua relação com Gates ia desde “ajudar Bill a conseguir drogas para lidar com as consequências de ter feito sexo com garotas russas, até facilitar seus encontros ilícitos com mulheres casadas”.
Gates, de 70 anos, reconheceu na assembleia dois casos. “Sim, tive casos amorosos; um com uma jogadora russa de bridge, que conheci em eventos de bridge, e outro com uma física nuclear russa, que conheci em atividades de negócios”, afirmou.
Mas negou qualquer relação com vítimas de Epstein. O empresário de tecnologia disse que sua relação com Epstein começou em 2011, três anos depois de o financista ter se declarado culpado de solicitar uma menor para prostituição.