Direito de todos

‘Justiça energética’: movimento popular em São Paulo leva energia solar a famílias da periferia

Coletivo Nosso Sol, do MST, tem campanha de financiamento para instalar placas solares

Coletivo Nosso Sol busca levar energia solar para famílias da periferia da Zona Leste de São Paulo
Coletivo Nosso Sol busca levar energia solar para famílias da periferia da Zona Leste de São Paulo | Crédito: Chris Olszewski / Wikimedia Commons

Imagine se a conta de luz deixasse de ser um peso no final do mês. E se a energia solar, tão falada hoje em dia, deixasse de ser coisa de quem tem dinheiro e virasse um direito para toda a população? Essa é a proposta do coletivo Nosso Sol, formado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) Leste 1 e da União de Movimentos por Moradia de São Paulo. Atualmente, o coletivo busca levar energia solar para famílias da periferia da Zona Leste de São Paulo.

“O movimento vai completar 40 anos no ano que vem. A gente tem uma tecnologia que chamamos de autogestão. Produzimos moradias com a participação das famílias não só no planejamento, mas também na construção de fato”, explica Gabriela Alves dos Santos, integrante do coletivo, no É de Manhã da Rádio Brasil de Fato.

Foi a partir dessa experiência que surgiu a ideia de levar energia solar para as comunidades. “Com uma parceria com o Instituto Pólis, a gente criou essa ideia de trazer a energia solar. Hoje ela está aí nos prédios de luxo, para aquecer piscina. A gente entende que, como uma energia produzida de graça, com a luz do sol, renovável, que faz bem para o planeta, ela deveria ir para as famílias de baixa renda.”

“A gente já tem o condomínio Paulo Freire, na cidade de Tiradentes, com essas placas instaladas. Agora, queremos expandir com essa campanha de financiamento coletivo”. E acrescenta os resultados concretos da instalação: “A média de economia de energia é de 70%. Uma conta de energia condominial que vinha aí 4 mil, 3 mil reais, baixou para 200, para 100 reais. Em alguns meses, eles já mencionaram que não pagaram nada de conta de energia.”

A economia não foi apenas financeira, mas social. “Como a gente trabalha com autogestão, as próprias famílias decidem o que fazer com essa economia. Elas decidiram fazer melhorias no próprio conjunto: instalar lixeiras nas áreas comuns, fazer um parquinho para as crianças brincarem. Pegaram a economia e investiram no bem-estar, num conforto maior para as próprias famílias.”

Santos enfatiza que o debate vai além da tecnologia e se trata de uma questão de justiça energética. “Justiça para que essa produção de energia chegue para quem mais precisa.”

Ela lembra o peso das contas no orçamento das famílias pobres. “A gente está falando de pessoas que têm que escolher se vão pagar a conta de luz ou a conta de água. Se vão pagar a conta de luz ou se vão fazer a compra do mês no supermercado. Quando a gente fala de levar essas placas para as famílias que mais precisam, a gente está falando de proporcionar uma qualidade de vida.”

“A pessoa consegue comer um alimento com mais qualidade, fazer uma reforminha que precisa, investir num curso para os filhos. É uma questão que proporciona qualidade de vida para as famílias que a gente está buscando atingir”, destaca.

Santos reforça, porém, que a luta “é para que os programas já tenham incluídos no orçamento o recurso para as placas solares” e defende que o investimento não é grande quando comparado ao custo total da obra. “Não é um recurso muito grande, não é uma coisa que o Estado, o município não conseguiria subsidiar. Quando a gente fala de habitação social, a gente também tem que falar de justiça energética.”

É possível acompanhar o trabalho através do Instagram @coletivonossosol. “Lá você encontra o link da campanha, o Pix e pode nos conhecer. Todo apoio é importante – financeiro, ou vindo conhecer, apoiando como cada um puder. Para muita gente, a energia solar não é uma possibilidade. Vem conhecer, é possível, é real”, convida.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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