COMBATE À FOME

Armazém do Campo inaugura cozinha solidária para ampliar ações de segurança alimentar na capital paraibana

Espaço solidário resulta de parceria com o governo da Paraíba e organizações sociais e homenageia militante popular

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Projeto busca ampliar acesso à alimentação saudável e fortalecer ações de combate à fome na Paraíba
Projeto busca ampliar acesso à alimentação saudável e fortalecer ações de combate à fome na Paraíba | Crédito: Andre Borges/Agência Brasília

O Armazém do Campo de João Pessoa realiza neste sábado (14), às 10h, a inauguração da Cozinha Comunitária Solidária Marilene Dantas de Melo. Segundo Max Castelo, coordenador do espaço, a iniciativa busca ampliar o acesso à alimentação saudável e fortalecer ações de combate à fome na capital paraibana. O espaço funcionará no próprio Armazém do Campo e foi estruturado a partir de uma articulação entre o movimento social, o governo da Paraíba e entidades da sociedade civil.

Castelo destaca que a cozinha comunitária surge a partir de um diálogo institucional com o governo do estado, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano. A ação conta ainda com cooperação técnica do Centro de Formação Elizabeth e João Pedro Teixeira e do Instituto Ideias. A proposta combina a distribuição de alimentos com atividades formativas voltadas à promoção da alimentação saudável e ao debate sobre direitos sociais.

A cozinha leva o nome de Marilene Dantas de Melo, lembrada por integrantes do movimento como uma referência em práticas populares de saúde e alimentação. A homenagem, segundo os organizadores, busca preservar a memória de militantes que atuaram na defesa da saúde comunitária e da soberania alimentar.

Cozinha solidária como estratégia de combate à fome

A iniciativa pretende ir além da preparação de refeições. Segundo Castelo, o espaço também deve funcionar como um local de formação política e de reflexão sobre alimentação e saúde nas comunidades populares.

A escolha do nome da cozinha também reflete o legado de atuação de Marilene Dantas de Melo nas práticas populares de cuidado e saúde.

“A cozinha solidária também é uma forma de defender a saúde das populações vulneráveis. Marilene sempre esteve envolvida com práticas populares de cura e com a luta pela alimentação. Ela dizia que muitos problemas de saúde das comunidades estavam ligados diretamente à alimentação, seja pela falta de comida ou pela ausência de alimentos saudáveis”, afirmou.

De acordo ainda com o coordenador, a proposta também busca estimular a organização comunitária em torno do direito à alimentação. “Esse espaço pretende provocar reflexão sobre saúde, alimentação e combate à fome. A cozinha solidária pode despertar nas pessoas a consciência sobre o direito à alimentação e sobre a necessidade de lutar por políticas públicas que garantam esse direito”.

Rede de solidariedade e agricultura familiar

Conforme informações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o Armazém do Campo integra uma rede nacional de espaços voltados à comercialização de produtos da reforma agrária e da agricultura familiar. De acordo com o movimento, esses locais também têm sido utilizados para ações solidárias de combate à fome, especialmente após a pandemia de Covid-19.

Dados divulgados pelo MST indicam que, entre 2020 e 2023, assentamentos e cooperativas ligadas ao movimento teriam doado mais de 7 mil toneladas de alimentos em todo o país, distribuídas para comunidades urbanas vulneráveis, cozinhas solidárias e organizações populares. As informações estão disponíveis no portal oficial do movimento.

Segundo o MST, a produção de alimentos em assentamentos da reforma agrária envolve cerca de 450 mil famílias em todo o país, com forte presença na produção de arroz, feijão, hortaliças, leite e frutas destinadas tanto ao mercado quanto a programas de abastecimento alimentar.

Contexto da fome no Brasil e na Paraíba

O debate sobre iniciativas de combate à fome ocorre em um contexto de persistência da insegurança alimentar no Brasil. Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional apontam que cerca de 33 milhões de brasileiros enfrentavam situação de fome em 2022, segundo o II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Brasil. O levantamento indicou ainda que mais da metade da população do país vivia com algum grau de insegurança alimentar naquele período.

No recorte estadual, levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a Paraíba também enfrenta desafios relacionados ao acesso à alimentação. Em 2024, cerca de 32,4% dos domicílios paraibanos, o equivalente a aproximadamente 481 mil lares, viviam algum grau de insegurança alimentar, apesar de uma redução em relação ao ano anterior.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no módulo de Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, apontam que o estado registrou diminuição de aproximadamente 53 mil domicílios nessa condição, o que representa uma queda de cerca de 9,9% no indicador. Segundo o instituto, o levantamento integra um sistema nacional de monitoramento das condições de acesso da população brasileira à alimentação e permite acompanhar a evolução da segurança alimentar nos estados ao longo do tempo.

Castelo enfatiza que, no contexto da Paraíba, a iniciativa se apresenta como um instrumento de transformação social, voltado não apenas ao enfrentamento da fome, mas também à promoção do debate sobre alimentação e saúde nas comunidades populares.

“A importância dessa cozinha é que ela não será apenas um lugar para produzir comida. Ela será um instrumento de transformação social, um espaço de debate sobre alimentação saudável e sobre alternativas populares de alimentação. Queremos resgatar práticas que Marilene defendia durante a vida, como o aproveitamento dos alimentos e a ressignificação daquilo que chega às cozinhas da classe trabalhadora”.

Editado por: Cida Alves

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