A revista Forbes divulgou o seu ranking anual de bilionários na última semana. Nesta edição, 70 brasileiros estão entre os mais ricos do mundo. Entre esses, apenas dois são nascidos em Minas Gerais, mas a lista também conta com famílias e personagens que, mesmo não sendo naturais do estado, construíram carreira em terras mineiras.
Confira quem são eles:
Construtora, banco e até rádio
O primeiro é Rubens Menin, com uma fortuna de US$ 2,3 bilhões. Nascido em Belo Horizonte, o empresário é fundador da MRV Engenharia — empresa que se envolveu em polêmicas no último período com a construção da Arena MRV, tem histórico de violações trabalhistas e já apareceu na “Lista Suja do Trabalho Escravo”, tendo sido flagrada sete vezes com trabalhadores em situação análoga à escravidãodo.
Ele também é dono do Banco Inter, da CNN Brasil e da Rádio Itatiaia. Entre os 70 brasileiros, ele ocupa a 31ª posição. Menin também é o principal dono da Galo Holding, Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético.
Empresário da energia
Nascido em Leopoldina, no interior de Minas Gerais, Ivan Müller Botelho é o 65º entre os 70 brasileiros mais ricos. Ele é presidente do Conselho de Administração da Energisa, um dos mais antigos grupos privados do setor elétrico brasileiro.
Enquanto milhões de brasileiros vivenciam os impactos da privatização de serviços essenciais, lidando com preços abusivos e baixa qualidade, Botelho é um dos maiores beneficiados das desestatizações, em especial no setor elétrico.
O grupo controlado por ele, originalmente fundado na região da Zona da Mata mineira, expandiu sua atuação nacionalmente atuando em leilões de privatização em diversos estados do Brasil, chegando a comprar as empresas públicas de energia da Paraíba e de Sergipe. A Energisa também arrematou distribuidoras da Eletrobras de Rondônia e do Acre.
Representante do poder econômico
Outro empresário que atua no setor elétrico, José João Abdalla Filho, conhecido como Juca Abdalla, tem um patrimônio de US$ 4,2 bilhões e é o 16º brasileiro mais rico. Mesmo não tendo nascido em Minas Gerais, ele possui influência política e econômica no estado.
Abdalla é o principal acionista da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e uma das figuras mais atuantes pela privatização da empresa pública mineira. Ele também foi um dos atores decisivos no processo de desestatização da Eletrobras e possui uma cadeira no conselho de administração da Petrobrás.
Por sua atuação favorável à entrega do patrimônio público para a iniciativa privada, movimentos sociais e sindicais do estado apontam Abdalla como um dos principais adversários dos interesses da população mineira.
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Além da JBS
Os irmãos Joesley e Wesley Batista também aparecem na lista da Forbes, com a fortuna de US$ 5,4 bilhões. Naturais de Goiás, mesmo não tendo nascido em Minas Gerais, os empresários e a família possuem atuação expressiva no estado, por meio do conglomerado J&F Investimentos.
Além do setor de carnes da JBS, um dos braços do J&F é a Âmbar Energia, que, entre 2024 e 2025, comprou ativos da Cemig, como as usinas hidrelétricas de Marmelos, em Juiz de Fora, de Martins, em Uberlândia, de Sinceridade, em Manhuaçu, e a PCH Machado Mineiro, em Águas Vermelhas. Recentemente, os irmãos também iniciaram atuação no ramo da siderurgia de Minas Gerais e compraram ações da Usiminas que pertenciam à CSN.
