Movimentos populares e centrais sindicais realizam nesta sexta-feira (20) uma mobilização nacional pelo fim da escala 6×1 — modelo que impõe seis dias de trabalho para apenas um de descanso. A iniciativa reúne organizações como a Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, centrais sindicais e o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), em uma agenda que mistura panfletagens, rodas de conversa, colagem de lambes e atos simbólicos em diversas cidades.
O coordenador nacional do VAT, Lucas Sidrach explica que a escolha por ações descentralizadas é estratégica. “A gente compreende que esse formato tradicional de ocupar a Paulista não é necessariamente o que a gente pretende nesse momento. Em Belo Horizonte, por exemplo, vamos fazer uma panfletagem na Pedro II, uma avenida não central. A panfletagem não é só entregar um panfleto. Para isso, a gente precisa ir aonde a classe trabalhadora está”, afirma no É de Manhã da Rádio Brasil de Fato.
Ele convoca a população a participar ativamente. “Você, cidadão comum que não está em nenhuma organização, imprima o panfleto daquilo que você acredita, vai para a rua no dia 20, leva para o seu serviço, leva para a escola do seu filho, leva para o bar que você vai à noite. Vamos colocar isso em pauta.”
Sidrach contextualiza a luta pelo fim da escala 6×1 como parte de um movimento maior. “A gente entende que é um grito de socorro da classe trabalhadora em relação a cargas horárias e condições de trabalho deploráveis. Um dia de folga é irrisório para quem quer estudar mais, ter mais tempo na igreja, ficar com a família ou até mesmo descansar.”
Ele destaca o impacto específico sobre as mulheres. “É ainda mais agressivo quando a gente fala da realidade das mulheres. Ela chega em casa do serviço, tem que cuidar da criança, do marido, da casa, fazer comida. É o cuidado sobre o cuidado.”
O movimento, que nasceu nas redes sociais a partir de um vídeo de desabafo de Henrique Azevedo, hoje vereador no Rio de Janeiro, tem como horizonte a redução da jornada para 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias. “A gente compreende que 5×2 é uma etapa. O ideal é 36 horas, 4 dias por semana, sem redução de salário. Só assim a classe trabalhadora vai ter espaço de respiro.”
Sidrach critica a postura do Legislativo diante da PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP). “Mais da metade do Congresso é de empresários. A outra metade, quase toda, é bancada por empresários. As decisões são viciadas em não ajudar a sociedade de maneira plena.”
Segundo ele, há manobas regimentais que atrasam a tramitação. “Foram solicitadas 60 audiências sobre a pauta. São 60 dias de debate com convidados específicos, com objetivos para lá de estranhos. É só para adiar e fazer com que o povo canse.”
A demora na votação na CCJ, presidida por Paulo Azi (União Brasil-BA), e a ausência de posicionamento do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), são alvos de cobrança. “A gente pergunta: Hugo Motta, e aí? Você mandou para a CCJ. Paulo Azi, você vai esperar mais o quê para a gente avançar?”
Sobre as eleições de 2026, Sidrach é cauteloso. “A gente compreende que é uma estratégia com começo, meio e fim. Precisamos ter uma incidência direta no debate, mas também entendemos que muita gente vai tentar ser eleita com esse discurso. O que tem que ser colocado não é a boa vontade, mas o histórico de construção.”
Ele ressalta que o VAT está se organizando internamente para participar ativamente da disputa eleitoral, sem abrir mão da autonomia. “Nós temos deputados no Congresso desde a Constituinte. Eu tenho 33 anos e não vi nenhum avanço para a classe trabalhadora por parte do Congresso.”
A mobilização desta sexta é o início de uma agenda que promete se intensificar. “A gente vai ter uma caminhada para Brasília no dia 15 de abril, junto com os movimentos. E este ano, todo mundo precisa estar na rua no 1º de Maio.”
“Quando a gente chama a classe trabalhadora para a rua, a gente está chamando todo mundo que está ouvindo a gente. O artista é trabalhador. O ambulante que está na rua é trabalhador. A gente quer todo mundo junto para avançar em conjunto. O povo pode até cansar, mas o movimento Vida Além do Trabalho tem muita energia para gastar”, finaliza.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
