Enquanto governos e corporações globais vendem a ideia de uma “transição energética” baseada em fontes renováveis, um novo documentário produzido pelo Brasil de Fato em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo escancara a face oculta desse discurso. Mineração, Lucro e Devastação – A farsa da transição energética revela os vínculos profundos entre os megaprojetos de energia eólica e solar e a exploração mineral predatória, que tem causado tragédias socioambientais e violações de direitos em todo o Sul Global.
A diretora Elis Soldadelli desconstroi o conceito de transição energética no Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato: “Hoje em dia, há um debate sobre transição, mas o que a gente tem avaliado é que não existe um processo de transição. Existe uma adicionalidade das fontes supostamente renováveis. A maioria dos grandes projetos de infraestrutura de energia renovável tem por trás uma mineração bastante relevante, que tem causado impactos socioambientais, tragédias e violações de direitos.”
Ela explica que o documentário não é contra projetos de energia renovável, mas contra sua dimensão predatória. “Projetos comunitários, de pequena escala, são importantes para a geração de renda e distribuição de energia. Mas não estamos falando disso. Estamos falando dos megaprojetos, que exigem uma extração mineral em proporções catastróficas.”
A diretora apresenta dados estarrecedores. “A comparação da produção atual de minerais com a expectativa de demanda para a chamada transição energética até 2050 mostra aumentos brutais: mais de 1.700% para o cobalto, mais de 8.000% para o lítio e mais de 300% para o níquel. Esses minerais são necessários para equipamentos como turbinas eólicas e painéis solares.”
Soldadelli critica a narrativa que trata tragédias como Mariana e Brumadinho como “desastres naturais”. “São crimes premeditados. As empresas sabiam que aquilo poderia acontecer. Houve negligência, e o resultado foram mortes e destruição em escala gigantesca.”
Ela questiona o discurso das mineradoras. “Elas não negam mais os danos ambientais, mas buscam minimizá-los. Dizem que vão compensar, que vão mitigar. Na prática, isso não acontece. O controle do Estado é frágil, e as empresas seguem impunes.”
A diretora conecta a mineração predatória às guerras e à intensificação da crise climática. “Estamos vivendo um momento de diversas guerras no mundo, de violação de direitos, e isso está diretamente relacionado com a exploração de recursos naturais. A crise climática não é um fenômeno isolado — ela é agravada por esse modelo extrativista.”
Serviço
- Data: 19 de março de 2026 (quinta-feira)
- Horário: 20h
- Local: Sala Barão de Ramalho – Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
- Endereço: Largo São Francisco, 95 – Centro – São Paulo (SP)
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
