Um dia antes do julgamento sobre sua cassação e inelegibilidade ser retomado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) oficializou sua renúncia do cargo para concorrer à vaga de senador. Diante de dois votos favoráveis para sua cassação e inelegibilidade, a cientista política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart, aponta o afastamento de Castro da política como o evento mais provável. Uma situação recorrente dentro da política do Estado do Rio de Janeiro, em que quase todos os seus ex-governadores foram presos, com exceção de Benedita da Silva.
Castro iniciou seu mandato como governador após Wilson Witzel, do qual era vice, ter o mandato cassado em 2021. Agora, Castro sofre o mesmo processo. “O estado não consegue ter o término de dois mandatos de governador consecutivos sem uma interrupção institucional. É uma situação grave”, avalia.
A principal acusação que pesa contra o então governador é a falta de transparência contratação de quase 28 mil pessoas e um gasto de R$ 248 milhões por meio do Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Posteriormente, esse esquema teria sido utilizado para favorecer o então governador nas eleições de 2022. Também são responsabilizados neste esquema o ex-vice-governador Thiago Pampolha, Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Fundação, e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), ex-secretário de governo.
Eleições indiretas
A renúncia ocorre em um momento peculiar não apenas por ser às vésperas de sua possível cassação, mas também por forçar o estado a realizar eleições indiretas. O governo está sem vice desde a ida de Thiago Pampolha para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em maio de 2025, o que abriu espaço para o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, se lançar como pré-candidato ao governo do Estado com o apoio de Castro. Com a investigação de Bacellar em curso devido a suas ligações com o deputado TH Joias e o Comando Vermelho, quem assume o cargo de governador é o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Ricardo Couto Castro. Ele será o responsável por convocar eleições indiretas para um mandato tampão até as eleições majoritárias em outubro.
No entanto, Goulart aponta que a provável cassação ocorre em um período de virada de popularidade do governador entre as elites políticas, após a briga com Bacellar em julho do ano passado. “Castro conseguiu fazer uma articulação interessante, colocando o Pampolha no TCE e abrindo espaço para o Bacellar, que era seu aliado, assumir a Alerj e, com isso, ele se posicionar para ser seu sucessor. Ou seja, ele se mostrou um articulador com capacidade. E aí ele já ganhou alguns pontos”, avalia Goulart. “Depois disso, ele fez uma operação, que na verdade foi a chacina mais letal do país. Só que, infelizmente, no Rio de Janeiro e em outros lugares do Brasil, esse tipo de atitude, que a gente chama até no eufemismo de “punitivista”, tem muita popularidade”, completa.
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Além de publicar sua renúncia no diário oficial nesta segunda-feira (23), Castro editou as atribuições da Casa Civil, com amplo poder sobre orçamento e nomeações e que ficará a cargo de Marcos Simões. O então secretário Nicola Miccione, é o candidato de Castro numa eleição tampão, que depende da manutenção ou não da decisão recente do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que indica que só poderá concorrer a eleição indireta quem está há seis meses fora dos cargos do executivo. A regra inviabiliza tanto o Nicola como o Douglas Ruas, que eram os candidatos da extrema-direita, Ruas apoiado por Flávio Bolsonaro.
