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Metroviários do DF aprovam greve contra sucateamento e falta de investimentos

Categoria denuncia descaso do GDF com o transporte público e déficit de servidores há 13 anos

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Metroviários do DF aprovam greve após denunciarem sucateamento do sistema, falta de investimentos e déficit de servidores.
Metroviários do DF aprovam greve após denunciarem sucateamento do sistema, falta de investimentos e déficit de servidores. | Crédito: Tony Oliveira/ Agência Brasília

Em assembleia geral extraordinária realizada na noite desta terça-feira (24), os metroviários do Distrito Federal decidiram, por ampla maioria, entrar em greve a partir da zero hora da próxima segunda-feira (30). A mobilização, que contou com a participação de mais de 100 trabalhadores de forma presencial e virtual, teve apenas um voto contrário à paralisação das atividades.

A categoria protesta contra a ausência de uma proposta econômica por parte do Governo do Distrito Federal (GDF) e a falta de disposição da gestão em negociar com a entidade sindical. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (Sindmetrô), a pauta envolve a data-base intermediária do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025/2027, cujas reivindicações foram enviadas em novembro do ano passado sem resposta oficial até o momento.

Colapso do sistema e descaso

O agravamento da crise no sistema foi tema de debate na Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nesta quarta-feira (25). O presidente da comissão, deputado distrital Max Maciel (Psol), manifestou solidariedade ao movimento e alertou para a gravidade da situação.

“Estamos aqui primeiro para dizer que a gente se solidariza e entende a importância, nessa fase, de os metroviários sinalizarem o indicativo de greve. Isso não é à toa, pois eles já fizeram greves anteriores, uma das mais longas. Essa greve impacta diretamente os usuários e os próprios metroviários devido à ausência de novos concursos e de novos equipamentos”, afirmou Maciel.

O parlamentar destacou a precariedade com que o governo de Ibaneis Rocha (MDB) vem tratando o setor nos últimos anos. “Em 2020, nós tínhamos 32 trens, e hoje temos 14, sendo que às vezes apenas 11 estão funcionando, dependendo do momento e do horário. Isso mostra o total descaso”, denunciou o deputado.

Maciel informou ainda que a comissão busca mediar o conflito para evitar uma paralisação prolongada. “Chamamos a população a somar esforços e cobrar o governo para olhar o metrô como um foco de prioridade. Na comissão, estamos tentando fazer uma mesa de negociação com o governo e com o sindicato para a gente sair com propostas de valorização profissional, melhoria do sistema e plano de cargos e carreira”, completou.

Sucateamento e exaustão

O deputado distrital Fábio Félix (Psol) manifestou apoio ao movimento e denunciou as precárias condições de operação da companhia. Félix também ressaltou a legitimidade da greve diante da postura do governo: “Esses trabalhadores estão numa condição muito ruim e o governo não apresentou nenhuma proposta.”

Um dos pontos centrais da denúncia sindical é que a companhia não realiza concursos públicos há 13 anos. A diretora do Sindmetrô, Neiva Lopes, destaca que, embora três novas estações tenham sido inauguradas recentemente, o quadro de funcionários reduziu de 1.300 empregados em 2018 para pouco mais de 1.100 atualmente. “Essa defasagem tem adoecido os empregados e gerado afastamentos por exaustão. Nosso maior pleito é a falta de pessoal”, pontuou Lopes.

Diretoria como ‘cabide de emprego’

O sindicato também critica a gestão da empresa, denunciando suposto uso político na indicação do quadro. “Temos uma nova diretoria que foi implantada no metrô servindo de cabide de emprego, com comissionados com salários altíssimos, enquanto para os empregados nunca tem dinheiro”, afirmou Neiva Lopes.

A manobra é vista como uma tentativa deliberada de sucatear a empresa pública para justificar futuras privatizações e terceirizações. Informações levantadas pelos deputados reforçam a tese de descaso orçamentário: a companhia muitas vezes executa apenas 10% do orçamento destinado ao sistema, devolvendo o restante ao Tesouro do Distrito Federal.

Atualmente, o metrô atende diariamente cerca de 170 mil usuários. O Sindmetrô assegura que todos os trâmites legais para a paralisação estão sendo seguidos e a população está sendo avisada. 

Procurada pela reportagem, a gestão do Metrô-DF não se pronunciou sobre as reivindicações ou a decisão de greve até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.


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Editado por: Clivia Mesquita

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