reviravolta

‘Não’ contra Meloni: os caminhos para a vitória da esquerda na Itália

Primeira ministra de direita, Giorgia Meloni, sai perdendo em referendo sobre autonomia do Judiciário

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Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália desde 22 de outubro de 2022
Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália desde 22 de outubro de 2022 | Crédito: Tiziana Fabi/AFP

Após a queda do governo da direita radical na Holanda no ano passado — indiretamente relacionada às grandes mobilizações contra o genocídio em Gaza —, a vitória do candidato do Partido Socialista contra o candidato do Chega nas eleições presidenciais de Portugal e a vitória de candidatos de centro-esquerda nas eleições municipais em Paris, Marselha e Lyon, na França, contra candidatos altamente competitivos da Frente Nacional, chegou a vez do eleitorado italiano impor uma derrota ao governo de Giorgia Meloni, primeira-ministra da direita italiana, na segunda-feira (23).

O que estava em jogo era um referendo sobre uma reforma constitucional que diminuiria a autonomia do Judiciário, o que seria um grande triunfo do governo, fortalecendo-o para as eleições parlamentares do ano que vem. Tudo indicava que a proposta seria aprovada, mas, nas últimas semanas, a esquerda conseguiu transformar o referendo em um voto a favor ou contra Meloni e mudar o quadro, levando a uma derrota contundente: 53,6% votaram contra e 46,4%, a favor.

Embora Meloni tente diminuir a importância política do resultado, ele é amplamente considerado uma derrota. Chama muita atenção a participação acima da média para um referendo, sobretudo entre os jovens (18–34 anos), dos quais 61,1% votaram pelo “não”. O senador do Partido Democrático, Michele Fina, avaliou que havia um clima geral pelo “não”: “não” contra o genocídio, “não” contra a guerra no Irã e “não” contra Meloni, o que explicaria a mobilização e o voto expressivo dos jovens.

Isso significa que a Europa está indo para a esquerda? Não. Significa que a extrema direita está derrotada? Também não. Mas indica, sim, que há força e vontade, por parte de amplos setores democráticos, para barrar seu avanço.

No caso específico italiano, o desafio agora é transformar esse “não”, e toda a energia que sustentou a mobilização nas últimas semanas, em uma unidade programática e na escolha de uma liderança convincente. Trata-se de uma tarefa bem mais complicada, pois o centro-esquerda italiano é composto basicamente por dois grandes grupos, com trajetórias muito diferentes, e duas lideranças de personalidades fortes. Contudo, o voto desta semana mostrou que uma parcela significativa da população italiana quer virar a página da era Meloni.

*Giorgio Romano Schutte é coordenador da pós-graduação em Relações Internacionais da Ufabc e membro do Observatório da Política Externa e Inserção Internacional do Brasil (OPEB).

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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