CANÇÃO REBELDE

Discos de Zé da Terreira e Carlos Patrício serão relançados com apoio coletivo

Campanha financia retorno de obras raras e inclui shows de lançamento em Porto Alegre no final de maio

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Zé da Terreira e Carlos Patrício, amigos e parceiros desde os anos 80
Zé da Terreira e Carlos Patrício, amigos e parceiros desde os anos 80 | Crédito: Divulgação/Mariana Sever

A produção independente da música gaúcha dos anos 1980 e 2000 volta ao centro da cena com o relançamento de dois discos considerados raridades: Quem Tem Boca é Pra Cantar, de Zé da Terreira, e Vertente, de Carlos Patrício. Os álbuns chegam às plataformas digitais em maio de 2026, impulsionados por uma campanha de financiamento coletivo já em andamento, que segue aberta para apoio do público. O projeto inclui ainda shows de lançamento em Porto Alegre, nos dias 29 e 30 de maio.

Conhecido como “cantor e atormentado”, como se definia, Zé da Terreira — nome artístico de José Carlos Peixoto — construiu uma presença singular na cultura popular de Porto Alegre. Atuou em grupos como o Ói Nóis Aqui Traveiz e levou à rua uma combinação de teatro, música e improviso que o transformou em figura reconhecida pelo público. Também participou de montagens no Rio de Janeiro, integrou o grupo Tá na Rua, dirigido por Amir Haddad, e esteve em produções como o musical Hair no Brasil.

Gravado em 2002, Quem Tem Boca é Pra Cantar reúne composições próprias e parcerias, incluindo músicas de Carlos Patrício. O disco teve tiragem limitada a mil cópias, hoje esgotadas, e sintetiza a potência performática do artista, construída em apresentações em praças, parques e espaços alternativos da capital gaúcha.

Trajetória artística compartilhada

A relação de Zé da Terreira com Carlos Patrício atravessa décadas. Amigos desde os anos 1980, os dois compartilharam experiências artísticas entre Porto Alegre e São Paulo, incluindo apresentações conjuntas e processos criativos. Foi dessa convivência que surgiu a marchinha Quem Tem Boca é Pra Cantar, composta por Patrício após um período em que Zé esteve hospedado em sua casa, no início dos anos 1990.

Patrício teve projeção inicial ao apresentar Vertente no Festival Musipuc, em 1980, em uma performance experimental que combinava poesia concreta, ruídos e improvisação. Lançado em vinil em 1986, o disco teve tiragem de 900 cópias, tornando-se uma raridade da produção independente gaúcha.

Ao longo da carreira, o compositor manteve uma produção autoral ligada à experimentação e a parcerias com nomes como Alexandre Vieira e Johann Alex de Souza. Também desenvolveu o projeto Revertério, que reúne músicos e poetas em encontros realizados em espaços alternativos de Porto Alegre e Viamão.

O relançamento dos álbuns será viabilizado por meio de financiamento coletivo na plataforma Benfeitoria. A campanha oferece recompensas como ecobags, livros, ingressos para shows e uma nova edição em vinil de Vertente. A proposta é garantir a circulação digital de obras esgotadas e reafirmar a relevância de artistas que marcaram a cena cultural do Rio Grande do Sul fora do circuito comercial.

Financiamento coletivo aposta na preservação

O relançamento dos álbuns será viabilizado por meio de financiamento coletivo na plataforma Benfeitoria. A campanha oferece recompensas como ecobags, livros, ingressos para shows e uma nova edição em vinil de Vertente.

A proposta é garantir a circulação digital de obras esgotadas e reafirmar a relevância de artistas que marcaram a cena cultural do Rio Grande do Sul fora do circuito comercial.

Para apoiar acesse: https://benfeitoria.com/projeto/vertente-quem-tem-boca-e-pra-cantar-24j1

Shows marcam o relançamento em Porto Alegre

Como parte do projeto, duas apresentações estão previstas na capital gaúcha. No dia 29 de maio, ocorre o espetáculo Revertério Re-Vertente, no Meme Estação Cultural (R. Lopo Gonçalves, 176 – Cidade Baixa), com Carlos Patrício e convidados.

Já no dia 30, a Terreira da Tribo (Av. Pátria, 98 – São Geraldo) recebe o show Quem Tem Boca é Pra Cantar, reunindo artistas e parceiros como Johann Alex de Souza, Leonor Melo, Mário Falcão, Zé Ramos, Carlos Eduardo Falcão, Tânia Farias e integrantes do Ói Nóis Aqui Traveiz.

Editado por: Marcelo Ferreira

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