O déficit anual aos cofres públicos por beneficiário do INSS é de R$ 9,4 mil, enquanto para militares chega a R$ 159 mil. Ou seja, o custo de manter a aposentadoria de um militar é o equivalente à manutenção previdenciária de 17 civis, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU).
Para o economista e membro do Conselho Federal de Economia (CFE) Odilon Guedes, os dados evidenciam como determinados setores são extremamente privilegiados. “Você tem castas no Brasil que você não consegue mexer. Um militar, quando se aposenta, recebe o seu salário integral. Ou seja, se ele ganhava R$ 35 mil, ele continua recebendo esse valor. A aposentadoria máxima na previdência é pouco mais de R$ 8,4 mil”, afirma.
“Todos os governos que passaram pelo país não tiveram coragem de enfrentar os militares. Os militares são melhores que o cidadão comum? Isso precisa ser debatido seriamente, inclusive pela imprensa”, diz Guedes, ao citar que, além dos militares, o pagamento de aposentadoria ao Judiciário também gera um déficit primário — que considera receitas e despesas sem incluir o pagamento de juros — para as contas públicas.
Segundo relatório do Tesouro Nacional, o Judiciário brasileiro é o mais caro dentre 53 países, custando 1,6% do PIB, mais de três vezes acima da média dos países emergentes.
“O Judiciário, que é o setor que faz a lei valer, tem uma influência decisiva na economia e eles se autodefendem e são altamente privilegiados. O salário máximo de um servidor público é o mesmo de um juiz do Supremo. Mas há estudos que mostram que a quase totalidade dos juízes recebe R$ 68 mil por vez, fora os penduricalhos. É outro setor privilegiado que ninguém mexe”, diz Guedes.
