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Condepac recomenda tombamento da ocupação cultural Mercado Sul como patrimônio do DF

Parecer sugere medidas de proteção do espaço histórico e fortalecimento da economia criativa

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Mercado Sul em Taguatinga é um território que mantém uma frequência diária de circulação de moradores, trabalhadores de oficinas, artistas e coletivos. | Crédito: Webert da Cruz

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Distrito Federal (Condepac) encaminhou, na última segunda-feira (30), um parecer ao secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Cláudio Abrantes, recomendando o prosseguimento do processo de tombamento do Mercado Sul, em Taguatinga, como patrimônio cultural do Distrito Federal. A medida reconhece a importância histórica, social e cultural do espaço e pode garantir sua preservação nas dimensões material e imaterial.

O documento orienta que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) adote as providências necessárias para formalizar o pedido, além de sugerir a criação imediata de uma comissão técnica para elaboração de relatório detalhado sobre o tema.

Para o fotógrafo e produtor cultural, Webert da Cruz, idealizador do livro Mercado Sul, um chão de cores, desenvolvido pelo coletivo, em 2026, o reconhecimento é um marco para a cultura produzida para além do Plano Piloto. “É um processo histórico para quem está construindo cultura nas periferias. Esse reconhecimento fortalece não só o espaço, mas toda a comunidade cultural que atua ali”, afirma.

Segundo o autor, o tombamento materializa um reconhecimento já consolidado ao longo dos anos. “A gente já tem uma legitimidade construída coletivamente. O que muda agora é ter esse reconhecimento formal, documentado, que abre caminhos e garante mais segurança para a continuidade do nosso trabalho”, destaca.

Webert também ressalta que o processo pode ampliar esse acesso a políticas públicas. “Esse reconhecimento permite que o Estado olhe com mais cuidado e responsabilidade para o território. A gente passa a acessar novas linhas de fomento, especialmente na área de patrimônio, o que é fundamental para manter e expandir as atividades culturais”, explica.

Parecer do Condepac destaca a relevância histórica, social e artística do espaço, símbolo de cultura viva e resistência comunitária.
Parecer do Condepac destaca a relevância histórica, social e artística do espaço, símbolo de cultura viva e resistência comunitária.
| Crédito: Breno Lopes/SECEC

Experiência de construção coletiva

A recomendação do Condepac está inserida no contexto das políticas públicas de preservação do patrimônio cultural do Distrito Federal, que buscam proteger espaços de relevância simbólica e fortalecer a identidade cultural da população, que vive na comunidade.

Localizado em Taguatinga, Região Administrativa do Distrito Federal, o Mercado Sul se consolidou ao longo dos anos como um importante polo de cultura viva no DF. Há mais de uma década, a ocupação cultural urbana reúne iniciativas ligadas à economia criativa, produção artística independente, sendo reconhecida pela atuação coletiva de artistas, produtores e comunidade local. 

Segundo o secretário de Cultura do DF, Cláudio Abrantes, o parecer será analisado com prioridade. Ele destacou que o Mercado Sul representa uma experiência de construção cultural coletiva, refletindo a diversidade e a identidade do DF.

“O Mercado Sul representa uma experiência consolidada de cultura viva, construída coletivamente ao longo dos anos. Vamos analisar o parecer com responsabilidade e celeridade, considerando a importância de preservar espaços que expressam a identidade e a diversidade cultural do Distrito Federal”, destacou.

De acordo com o produtor cultural Webert, o momento é de fortalecimento das práticas comunitárias e criativas no local. “O Mercado Sul deixou de ser apenas um espaço físico e se tornou uma comunidade histórica dentro da história do Distrito Federal”, afirma.

Próximos passos

Caso o processo de tombamento seja formalmente aberto, a área passará por uma avaliação técnica minuciosa, que considerará aspectos históricos, arquitetônicos e socioculturais. A medida poderá resultar na adoção de instrumentos legais de proteção e na implementação de políticas de salvaguarda voltadas à manutenção das atividades culturais e comunitárias no local.

“Foram enviados dois pedidos de reconhecimento, um pelo secretário de Cultura e outro pela própria comunidade cultural do Beco. Isso mostra a força dessa construção coletiva e o quanto esse reconhecimento é desejado por todos”, diz Webert da Cruz.

A decisão final dependerá da tramitação administrativa e da análise dos órgãos competentes, conforme previsto na legislação de proteção ao patrimônio cultural do Distrito Federal.


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Editado por: Clivia Mesquita

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