A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou nesta quarta-feira (1º) a retirada de parte da área da Serrinha do Paranoá da lista de imóveis públicos para salvar o Banco de Brasília (BRB). A medida altera o plano original do ex-governador Ibaneis Rocha, que havia sido aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sob fortes críticas.
O governo determinou que a Secretaria de Meio Ambiente adote providências para a criação do Parque da Serrinha, visando a conservação e o uso sustentável da região. Entretanto, a gestão ainda não especificou qual extensão da área será protegida e qual trecho poderá permanecer como ativo financeiro do banco.
Lúcia Mendes, presidenta da Preserva Serrinha, recebeu o anúncio da governadora com cautela e cobrou definições concretas sobre a preservação da área. “Ela anunciou que iria tirar. Mas ainda não disse como. Disse que faria um parque de preservação ecológico”, afirmou Lucinha.
A comunidade e os movimentos sociais agora buscam garantir que o desenho do novo parque contemple as áreas de maior relevância hídrica. “Nós já manifestamos que estamos à disposição para contribuir no desenho da poligonal dos parques”, destacou a presidenta da associação, enfatizando a necessidade de participação técnica.
Além da Serrinha, os defensores do patrimônio público seguem vigilantes quanto aos demais imóveis incluídos no plano de salvamento bancário. “Estamos aguardando a solução para os demais terrenos públicos que são patrimônio da cidade e não podem ser disponibilizados nessa tentativa de salvamento do BRB”, completou Lúcia.
No início da semana, representantes de 25 organizações protocolaram um ofício no Banco Central solicitando a exclusão da Serrinha do Paranoá dos ativos de capitalização vinculados ao BRB no caso Master. No documento o coletivo argumenta que “a manutenção da Serrinha do Paranoá no arranjo de capitalização amplia a insegurança jurídica, expõe o sistema financeiro a riscos desnecessários e contraria diretrizes ambientais e prudenciais diversas”.
Entenda o caso
A Gleba “A” da Serrinha do Paranoá possui 716 hectares e abriga 119 nascentes que alimentam o Lago Paranoá, ponto estratégico para o abastecimento do Distrito Federal. Especialistas e ambientalistas alertam que a impermeabilização do solo na região comprometeria a recarga dos aquíferos e a vazão de nove córregos locais.
O projeto de capitalização surgiu para socorrer o BRB, que enfrenta problemas de liquidez após adquirir R$ 12,2 bilhões em créditos de alto risco do Banco Master. A proposta do GDF era utilizar terrenos públicos, avaliados em bilhões de reais, para ampliar a capacidade financeira da instituição.
Em março, a CLDF aprovou o PL nº 2.175/2026 por 14 votos a 10, autorizando o uso dessas áreas como garantia em operações de crédito. A oposição classificou a medida como um “cheque em branco”, argumentando que a venda de patrimônio ambiental não resolve as falhas de gestão do banco.
A inclusão da Serrinha no pacote de ativos foi judicializada, resultando em uma liminar que proibiu a venda da área e fixou multa de R$ 500 milhões para o governo. O juiz Carlos Frederico Maroja ressaltou, na época, que bens ambientais não podem ser tratados como mercadorias para sanar contas públicas.
Procurado pela reportagem para se manifestar sobre os detalhes da retirada da área, o GDF não respondeu até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto.
Com informações da Agência Brasil.
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