HIP-HOP

Coletivo Rimando no Front devolve área abandonada à população e reativa espaço comunitário em Foz do Iguaçu

Galeria urbana no local marca retomada do convívio no bairro e impulsiona cobrança por melhorias na infraestrutura

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Jovens do coletivo de hip-hop Rimando no Front fazem reforma e customização do edifício da associação de moradores
Jovens do coletivo de hip-hop Rimando no Front fazem reforma e customização do edifício da associação de moradores | Crédito: Rimando no Front

Um barracão com infiltrações no telhado, fiação furtada, portas arrombadas e sem qualquer uso voltou a receber circulação diária de moradores após ser ocupado por jovens do coletivo de hip-hop Rimando no Front, em Foz do Iguaçu (PR).

Em menos de um mês, a Associação de Moradores do Campos do Iguaçu, antes degradada, passou a abrigar atividades culturais, esportivas e de convivência, alterando o padrão de uso do espaço e do entorno.

A mudança começou após a eleição da nova diretoria da associação, em 8 de março. No dia seguinte, teve início a limpeza do local, então tomado por mato, lixo e entulho. A principal intervenção foi a pintura completa da área externa do barracão, convertida em uma galeria urbana a céu aberto.

O mutirão reuniu mais de 20 artistas da tríplice fronteira, em parceria com o coletivo Beco dos Sonhos, e transformou o espaço em um acervo permanente de arte urbana no bairro.

Sem iluminação pública funcional, o coletivo organizou uma vaquinha e executou a instalação elétrica do barracão e da quadra. O custo da intervenção foi de R$ 4.750, com cerca de 70% cobertos por doações de materiais e apoio local. A nova iluminação permitiu o uso noturno da quadra, que passou a receber jogos diários, e ampliou a circulação de moradores no período da noite.

A parte elétrica foi executada de forma voluntária pelo eletricista Glewbe Silva, que atuou tanto no barracão quanto na quadra. “Satisfação ajudar na parte elétrica sem cobrar nada. Galera cola lá à noite, ficou muito top e agradável, com bastante iluminação”, disse.

A repercussão da iniciativa também se deu entre moradores. A moradora Sandra Serafim Soares destacou o impacto da mobilização. “Esses jovens devolveram ao bairro um espaço que já foi muito importante para quem vive aqui. Um baita exemplo do poder que a juventude tem de transformar a realidade”, destacou.

A melhoria vem sendo registrada nas redes sociais do Rimando no Front, em uma série que chegou ao décimo episódio e já ultrapassa 240 mil visualizações.

O evento Domingo Graffiti, realizado em parceria com o Beco dos Sonhos, reuniu artistas, DJs e moradores no espaço já revitalizado. Segundo o presidente da associação e mestre de cerimônias do Rimando no Front, Stênio Fornari, o mutirão foi o primeiro passo de uma agenda contínua. “Foram mais de 20 artistas plásticos, com apoio de parceiros, para trazer vida e fazer com que o barracão se tornasse uma galeria de arte. Esse é o primeiro passo.”

Apesar dos avanços, a estrutura ainda apresenta problemas. O telhado segue com infiltrações, o alambrado da quadra tem trechos comprometidos e há necessidade de reforço na segurança. A estimativa para recuperação completa do espaço, incluindo cobertura, esquadrias e adequações internas, chega a R$ 25 mil. Parte dos custos vem sendo absorvida por trabalho voluntário e doações.

A mobilização ampliou a atuação do coletivo para além da cultura. Com o espaço reativado, moradores passaram a organizar demandas por melhorias nas ruas do bairro, que apresentam buracos e desgaste do asfalto. O grupo iniciou conversas com a prefeitura para cobrar intervenções de manutenção viária.

Entre os próximos passos estão a organização de salas para oficinas e atividades formativas, a implantação de um estúdio de produção musical e a criação de um jardim fitoterápico em parceria com a Unidade Básica de Saúde em frente à associação.

“Esse espaço não é do coletivo, é da comunidade. A ideia agora é que as pessoas voltem a ocupar, usar, cuidar e construir junto. É assim que a gente muda a realidade, partindo do lugar em que estamos”, finaliza Fornari.

Editado por: Rafaella Coury
Sindicalizadas/os no SISMUC

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