Na segunda parte da entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Alastair Crooke — ex-agente do MI6 e ex-conselheiro da União Europeia para a Ásia Ocidental, além de fundador e diretor do Conflicts Forum, baseado em Beirute — reflete sobre possíveis mudanças profundas na geopolítica da região. Para ele, o papel dos Estados Unidos como garantidor da segurança de seus aliados árabes e como controlador dos fluxos de comércio de energia dos países do Golfo se mostrou inviável, pois, por um lado, “não há como voltar a essas bases [militares dos EUA] […], acredito que elas tenham sido completamente destruídas” e, por outro, “se você quiser exportar seus produtos petrolíferos, alumínio, ou o que quer que seja, você tem que fazer isso mediante acordo com o Irã”. Ao garantir o controle do Estreito de Ormuz e propor que a energia exportada por ali seja paga em renminbi chineses, o Irã simplesmente está minando as bases da hegemonia do dólar e da financeirização da economia: “É o fim do petrodólar”, resume Crooke.
Essa nova configuração regional poderia até ter efeitos benéficos para o Brics a médio e longo prazos, apesar das contradições evidentes que a guerra tem suscitado. Para o ex-diplomata britânico, esse “é o tipo de impulso inicial que eu sempre achei que o Brics precisava para começar a pensar. Ele precisa de uma estratégia de segurança”.
Diante da possibilidade dessas transformações decisivas na correlação de forças política e econômica da região, o horizonte é nada menos que um retorno do Irã ao seu lugar de potência global, o qual ocupou por séculos. A sua perda de poder nas últimas décadas se deveu, em grande parte, à aliança entre os EUA e seus países aliados na região — de maioria sunita — que trabalharam para “enfraquecer e transformar o Irã em um Estado vassalo”. Se não chegou a se tornar um vassalo, o país deixou de ser uma “grande potência global”, algo que havia sido por séculos. No entanto, a guerra iniciada pelo eixo imperialista-sionista possibilitaria ao Irã “mudar todo o paradigma na Ásia Ocidental e restaurar o poder persa”.
Confira a segunda parte da entrevista de Alastair Crooke:
Brasil de Fato: Há muita especulação porque não sabemos o futuro, mas, com base no que estamos vendo agora, quais poderiam ser as possíveis tendências no futuro próximo? Você acha que essa guerra poderia mudar a relação entre os EUA e os outros países da região? O Irã está tentando expulsar os EUA da Ásia Ocidental? As bases militares estadunidenses — que são muito caras — serão reconstruídas? Você vê alguma possibilidade de uma mudança de regime nas monarquias da região, dada a tensão econômica e política em alguns desses países, por exemplo, o Bahrein?
Alastair Crooke: O novo Líder Supremo, Mujtaba Khamenti, há alguns dias, fez uma declaração bastante curta, de 12 minutos. E, em contradição com o ultimato de cinco pontos dos estadunidenses, o Irã apresentou o seu ultimato, que era o fim da presença [dos EUA] na região. Fim do regime militar, suspensão de todas as sanções e devolução dos ativos iranianos congelados [no exterior], além de reparações pelos danos causados. E não tenho provas, mas minha suposição é que, na verdade, isso é uma espécie de legado de seu pai nessa intervenção, desde a Guerra dos 12 Dias até o período em que ele foi martirizado. Acho que o objetivo é claro, e isso explica por que não haverá acordo com os estadunidenses. Porque não há e nem haverá negociações. Por que haveria negociações? Eles controlam o Estreito de Ormuz. Os EUA não vão tirá-los desse controle. Quer enviem tropas ou não, ou continuem a pressionar o Irã de outras formas, isso não vai acontecer. O sistema, como eu diria, o controle militar é automático e segue de acordo com um plano bem preparado, arraigado e profundamente elaborado.
Portanto, não há como voltar a essas bases. As pessoas discutem quantas bases existem, mas acredito que elas tenham sido completamente destruídas. Alguns dos equipamentos, como o radar, custam US$ 1 bilhão. Mas essa não é a questão. Leva de cinco a oito anos para substituí-los. Não dá para simplesmente entrar em uma loja, fazer um pedido e recebê-lo em um ano. Não vai ser assim.
Se a China fosse a fabricante, talvez eles pudessem ter em um ou dois anos, mas não é o caso [risos].
Seria muito mais rápido, isso é certo. Leva muito tempo, porque os EUA têm tão poucos fornecedores atualmente. De qualquer forma, eles não têm meios para isso. O ponto importante a entender são as exigências secundárias. Enumerei aquelas que foram estabelecidas muito claramente pelo Líder Supremo. Mas as exigências adicionais também foram muito claras. Ou seja, que o Estreito de Ormuz seria fechado, mas permaneceria aberto a países amigos para trânsito mediante o pagamento de uma taxa e com a garantia de que os produtos fossem comprados em yuan, a moeda chinesa. E então eles poderiam atravessar o mar apenas por esse estreito canal entre a Ilha de Larrak e a Ilha de Qeshm. Então você passa por Qeshm, inspecionado pela Guarda Revolucionária, e só então tem permissão para continuar, não pelo canal principal. E isso seria uma fonte de renda. Vi Rubio dizendo: “É ilegal, não podemos permitir isso”. Bem, o que eles acham que acontece no [Canal de] Suez? Você passa pelo Canal de Suez e, claro, paga aos egípcios uma taxa fixa pela passagem. O mesmo no Panamá. Então, isso é só os EUA fazendo barulho. Os iranianos vão fazer isso. E o que eles também estão ressaltando é que, nos Estados do Golfo, se você quiser exportar seus produtos petrolíferos, ou outros produtos, alumínio, ou o que quer que seja, fertilizantes, você tem que fazer isso mediante acordo com o Irã. E somente o Irã é capaz de lhe dar a segurança para esse comércio. No momento, há uma enorme indignação nos Estados árabes, nos Estados do Golfo, e dizem que isso é ultrajante, e que nunca aceitarão isso, e que se juntarão à guerra contra o Irã. Os Emirados Árabes Unidos estão dispostos a se juntar à guerra contra o Irã, porque o estreito deve permanecer aberto, e não aceitam isso. Mas, como eles não conseguirão expulsá-lo de Ormuz, e os Estados Unidos também não, com o tempo, certamente começarão a entender que, se quiserem continuar a existir como uma espécie de entidade econômica, terão que trabalhar com o Irã. Agora, o ponto importante aqui, e não posso dar todos os detalhes, porque não sou economista, mas alguns dos outros itens que passam por Ormuz, como o hélio, por exemplo, são cruciais na fabricação de chips. O ácido sulfúrico é crucial na cadeia de abastecimento. O fertilizante é crucial. Portanto, muitas dessas coisas significam que, na verdade, se Ormuz permanecer fechado por três semanas, o impacto sobre as economias ocidentais será enorme. Não será apenas um leve tremor nos mercados de dívida e coisas do tipo. Será muito maior, porque começaremos a ver que há racionamento de combustível. O gás vai escassear. Acho que você precisa de GNL para fazer parte do processamento de chips também. E o próprio hélio.
Cerca de um terço da produção global de hélio passa por Ormuz, e Taiwan já está contando os dias para começar a ter uma escassez na produção.
Acho que eles têm 12 dias, dizem, para que a escassez comece a se manifestar. Isso mesmo. Portanto, não é como se o Irã tivesse que aguentar anos para impor seu novo modelo Mas a questão aqui é muito maior, e isso é geopolítica: é a insistência de que o petróleo seja negociado em yuan. É o fim do petrodólar! É o fim da hegemonia do dólar, porque o petróleo sempre foi do Oriente Médio; o controle do ponto de estrangulamento, o controle da energia e sua precificação em dólares têm sido a base da hegemonia estadunidense, de sua hegemonia financeira. E, da mesma forma, tem sido — e isso é igualmente importante — o alicerce da financeirização da economia, devido ao domínio energético e à hegemonia do dólar.
A hegemonia do dólar, na verdade, gerou uma demanda artificial por dólares; o dólar se valorizou, o que esvaziou sua base industrial, porque os Estados Unidos se tornaram pouco competitivos na indústria manufatureira, e tudo está caminhando para um mundo financeirizado. Portanto, embora os EUA sejam amplamente autossuficientes em energia propriamente dita, estão estruturalmente voltados para um modo de vida diferente, e não manufatureiro. Eles precisariam mudar isso a fim de acabar com a economia binária que o Ocidente criou para si mesmo, na qual você tem a elite superior, os bilionários, que ganham cada vez mais dinheiro, sem qualquer esforço. Depois, você tem 90% ou 80% da população afundando, que não tem condições de comprar casa, que não tem condições de pagar por cuidados de saúde, nada disso. Mas, cada vez mais, devido à forma como os Estados Unidos e o Ocidente têm encarado a inteligência artificial, as consequências dessa crise econômica obviamente significarão que os planos de investimento em centros de dados, IA e afins não se concretizarão. A consequência disso é que haverá um enorme e lamentável massacre de empregos da classe média nos Estados Unidos e na Europa. Digo “lamentável” porque tenho dois filhos que estão prestes a sair da universidade. E digo a eles: “Espero sinceramente que vocês consigam, vai ser difícil, precisam pensar no que podem oferecer, porque não vai ser fácil conseguir emprego depois da universidade”. E na Europa, o impacto será o mais severo. Portanto, tudo isso faz parte do cálculo nessa questão.
Mas a resposta dos EUA foi: ou você entra em uma guerra comercial com tarifas, ou começa a restringir as linhas de abastecimento de energia para a China. Era disso que se tratava a Venezuela: interromper e dificultar as linhas de abastecimento de energia para a China, a fim de forçá-la a um nível mais baixo de produção. E restringir o oposto na Rússia, restringir a capacidade da Rússia de exportar energia. Estou dizendo que o que eles estão fazendo é por meio de bloqueios, do controle dessas rotas marítimas e dos pontos de estrangulamento navais. Mas os principais pontos de estrangulamento são os estreitos de Ormuz, Bab al-Mandab e Malaca. E é por isso que o fato de o Irã estar controlando Ormuz e Bab al-Mandab representa uma ameaça tão existencial para os Estados Unidos.
Agora, os iranianos entendem isso perfeitamente e compreendem a economia. E, claro, eles permitirão que os navios passem por Ormuz, mas controlarão o volume. E quem controla o volume controla o preço. Assim, os Estados Unidos perderão o controle sobre o preço da energia. Domesticamente, eles têm controle, mas o fato é que o petróleo é uma commodity, um produto fungível. Quero dizer, ele tende a ter um preço único. Apenas até certo ponto, pode-se ter um preço aqui e outro lá, porque as pessoas vão movimentar as coisas, e o preço se equalizará em algum momento. Assim, eles perdem o controle dos preços e, portanto, o controle do abastecimento de energia. E isso tem sido a base de toda a razão para destruir o Brics.
De que forma essa guerra vai afetar o Brics? O Ocidente já travava uma guerra contra um membro do Brics — a Rússia — e agora está travando uma com outro membro do Brics, o Irã, que se defende atacando ativos dos EUA nos Emirados Árabes Unidos — também membro do Brics. Ao mesmo tempo em que, como você já disse, China e Rússia dão um apoio crucial ao Irã. O cenário parece bem complexo, né?
Eu dei uma palestra em São Petersburgo sobre o Brics. Eu insisti: no momento, o Brics não passa de um fórum. As pessoas escrevem artigos, conversam, realizam conferências e coisas do tipo, mas não colocam seu espaço em prática. E eu entendo o porquê, porque você tem países como a Índia, que gosta de tentar manter um pé em um campo e outro pé em outro campo, e não se compromete com nada. O Brasil também, até certo ponto. E você tem os Emirados… Bem, os Emirados talvez não participem do Brics no futuro, quem sabe? Esse é o tipo de impulso inicial que eu sempre achei que o Brics precisava para começar a pensar. Ele precisa de uma estratégia de segurança, só para começar. Não uma russa, separada, e uma chinesa, separada, mas alguns princípios mais amplos sobre qual é a fronteira entre a esfera de influência da OTAN e a esfera de influência asiática. Onde ficam os limites e essas coisas? E pensar em como lidar com sanções. Talvez os países do Brics precisem ter suas próprias sanções, ou impor sanções. De qualquer forma, essas são apenas coisas que, de certa forma, estão no ar.
E eu sei que a China poderia implementar um novo sistema de transações financeiras em toda a Ásia, simplesmente assim. Se você pegar algo como o WeChat, pelo qual é possível fazer pagamentos e tudo mais, ele tem 1,4 bilhão de usuários chineses. Então, ampliando para mais algumas centenas de milhões, pronto. Poderia ser lançado amanhã, os chineses é que vão decidir. Não sei se eles vão decidir, porque estão agindo com muita cautela, pois compreendem a “Armadilha de Tucídides”. Eu estive na China no final do ano e conversava com um empresário local, que possui muitas patentes. Ele disse: “O Ocidente optou pela aplicação militar da IA”, o que exige enormes centros de dados e requisitos desse tipo. E acrescentou: “Nós fizemos de maneira completamente diferente. Utilizamos IA simplificada em todas as instalações fabris para oferecer não a IA completa, mas uma espécie de robótica avançada, automação avançada”. Então, ele disse: “Se você pegar uma das minhas fábricas, que no início do ano tinha provavelmente 2 mil pessoas, hoje tem 200. E somos muito competitivos”. Ele disse que, na indústria de manufatura, “temos deflação de preços, 2% de deflação de preços”. Então olhei para ele e disse: “Meu Deus, você tem deflação de preços, e nós, no Ocidente, temos inflação de preços e em aceleração”. Quero dizer, isso significa que eles não conseguem competir conosco. Não conseguem. Isso vai fazer com que a “Armadilha de Tucídides” entre em ação.
Mas você vai ter que administrar isso com muito cuidado, porque, do contrário, vai sair dos trilhos. E isso foi ainda mais agravado pelo fato de que eu descobri, ao mesmo tempo, que o custo de um gigawatt de energia na China é atualmente um sexto do custo nos Estados Unidos. Então, sabe, com seus data centers e IA, eles teriam que desvalorizar o dólar em cerca de 145% para serem competitivos em termos de consumo de energia, porque a IA consome muita energia. E é seis vezes mais caro nos EUA. Portanto, a competitividade é quase impossível. Você vai ter que lidar com esse paradoxo de que os chineses estão em ascensão e o Ocidente está se tornando pouco competitivo.
Como você acha que as relações dentro da Ummah [a comunidade islâmica global] vão se desenvolver no próximo período? Porque, de um lado, você tem países como a Arábia Saudita e os Emirados, que parecem estar apostando ainda mais na guerra, falando em entrar na guerra contra o Irã. Mas há países como o Catar, que parece estar mais cauteloso agora, tentando manter a neutralidade. Algumas declarações feitas pelo chanceler deles parecem muito cautelosas. Já o chanceler do Irã, Abbas Aghachi, reconheceu que restabelecer a confiança na região vai dar trabalho. Qual é a sua opinião?
É muito cedo para realmente ver como ficará o panorama, porque, como venho descrevendo, estamos vendo um mundo xiita que foi inflamado por esses acontecimentos, particularmente o assassinato do Líder Supremo e as fatwas que foram emitidas, e isso se estende a todos, seja no Paquistão, seja no Líbano. E então temos alguns dos Estados, independentemente de permanecerem ao lado dos EUA ou não, que estão falando a linguagem dos sunitas. Não exatamente em defesa, mas como reação sunita a isso. Os sunitas têm que reagir. Eles não podem permitir que o Irã domine. Então, isso significa que estamos caminhando para o sectarismo? Sabemos como é fácil para as pessoas darem início a isso. Já vimos em muitas ocasiões esse acirrar de correntes sunitas, como os wahhabitas [baseados na Arábia Saudita]. Será que vamos ver um retorno disso? Já vemos acontecendo na Síria. Eu vi isso ao longo da minha vida, porque comecei no Afeganistão. E, durante aquele período da presença russa no sul do país, em Kandahar, que hoje é vista como bastante extremista e linha-dura, eram todos sufistas [ramo do islamismo, em geral, ligado aos sunitas]. E assim, todo o norte era sufista. E, claro, na Síria também havia diversidade. Havia sufismo, havia várias formas de xiismo, várias formas de sunismo, e era uma sociedade muito holística. Tudo isso foi esmagado e será transformado em algo muito mais restrito. Por isso, é difícil dar uma resposta completa sobre para onde isso está indo. Mas eu diria que isso talvez toque na questão da “Armadilha de Tucídides”.
Veja, no século 19, a Pérsia era uma grande potência global e civilizacional. Continua sendo uma grande potência civilizacional, mas já não é uma grande potência global. E o que estamos vendo faz parte do plano: mudar todo o paradigma na Ásia Ocidental e restaurar o poder persa. Uso o termo “Pérsia” de forma ampla, simplesmente porque é muito complexo falar sobre os vários grupos étnicos e tudo mais. Assim, por muito tempo, desde os anos 70, os Estados Unidos procuraram opor o poder sunita ao poder iraniano e ao poder xiita como um todo. Isso ficou particularmente evidente em 2006, após a guerra no Líbano. E John Hannah escreveu sobre isso, que houve uma reunião com [Dick] Cheney [então vice-presidente dos EUA], e ele estava reclamando e lamentando o fato de que a guerra no Líbano, assim como a no Iraque, deveria ter enfraquecido o Irã. Mas, na verdade, eles ficaram mais fortes. E ele estava furioso com isso.
O príncipe Bandar, que era ministro da Inteligência da Arábia Saudita naquela época, interveio e disse: “Podemos fazer algo a respeito. Podemos isolar a Síria. Essa é a tábua de salvação do Irã. E o rei acredita que, se isolarmos a Síria, e tirarmos eles do cenário, será a segunda melhor opção depois de derrubar Teerã”.
Cheney disse: “Príncipe Bandar, como você faria isso?”
Ele respondeu: “Usaremo os fundamentalistas islâmicos”
E Cheney: “Ah, isso seria complicado pra gente. Quero dizer, não acho que poderíamos fazer isso”. Bandar disse: “Você não precisa se preocupar. Eu farei isso. Você não precisa se envolver”.
John Hanna estava lá, escreveu sobre isso e foi publicado. E então esse foi o momento, na minha perspectiva, em que os estadunidenses tentaram subverter toda a ordem do Oriente Médio; os sunitas iriam dominar. Sim, isso foi expresso, na época, no documento Clean Break e em outros lugares, mas seria uma hegemonia sunita. E essa hegemonia iria conter, enfraquecer e transformar o Irã em um Estado vassalo. Esse era o plano. E isso surgiu, ainda nos anos 70, no Hudson Institute, quando Scoop Jackson avançou com esse plano de enfraquecer e conter o Irã, porque temiam o papel dele. Algo inédito no século 20, mas que se manifestou após a revolução. Inicialmente, não estavam tão preocupados, mas a revolução mudou tudo. Então, o que estamos vendo, talvez, seja a reversão desse grande paradigma. Agora está voltando, e é por isso que podemos encontrar essa forte resistência no mundo sunita. Porque isso implica, possivelmente, o paradigma inverso, ou seja, o Irã se tornando a potência na Ásia Ocidental, e talvez o desaparecimento de alguns desses Estados que existiam anteriormente. Mas isso ainda está por se desenrolar, então não devemos nos precipitar muito na discussão, eu acho.
