A ausência do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Souza, na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal, na manhã desta terça-feira (7), provocou reação imediata dos parlamentares e resultou na aprovação de um novo requerimento de convocação obrigatória. A reunião previa esclarecimentos sobre operações do banco, que vem sendo investigado como um dos maiores casos de corrupção da história do Brasil.
A sessão da CCJ durou poucos minutos e foi marcada por críticas à ausência não apenas do presidente do Banco de Brasília, mas também de integrantes da Secretaria de Economia do Distrito Federal. Inicialmente convidados, Nelson Souza e o secretário adjunto Daniel Izaías não compareceram, apesar de haver, segundo parlamentares, um compromisso prévio de comparecimento. Diante do esvaziamento, o colegiado decidiu encerrar rapidamente a reunião e avançar na aprovação de medidas mais duras para garantir a presença das autoridades.
O presidente da comissão, Thiago Manzoni (PL), colocou em votação requerimentos que transformaram o convite em convocação formal, que obriga o comparecimento. Além de Nelson Souza, foram aprovados os requerimentos que incluem o secretário de Economia, Valdivino Oliveira. A nova data da oitiva ainda será definida e deve considerar o andamento de auditorias internas no banco.
Ausência
A ausência foi justificada por Nelson Souza em ofício enviado à CLDF, no qual alegou necessidade de cautela devido a auditorias internas e forenses em curso no BRB. Segundo ele, o momento exige sigilo nas manifestações públicas. O documento também afirma que a instituição deverá prestar esclarecimentos após a conclusão dos trabalhos. A justificativa, no entanto, não conteve a insatisfação dos deputados.
O deputado Fábio Félix (Psol-DF) classificou como “lamentável” o não comparecimento e cobrou providências da comissão e transparência do Governo do Distrito Federal. “Queremos saber qual é a real situação do BRB. É isso que as pessoas perguntam nas ruas”, afirmou. Para ele, o episódio reforça a necessidade de esclarecimentos diante das recentes notícias envolvendo a compra de ativos do Banco Master.
Já o deputado Chico Vigilante (PT-DF) criticou duramente a postura do presidente do banco e afirmou que o Legislativo não aceitará interferência no seu funcionamento. “A pessoa que não cumpre palavra não merece respeito. Não é ele que determina o nosso funcionamento, o nosso cronograma. Somos nós que definimos isso”, declarou. O parlamentar também mencionou denúncias divulgadas na imprensa sobre a compra de R$ 1,5 bilhão em ativos após operações policiais, afirmando que o banco “tem muita coisa a explicar à sociedade”.
Vigilante ainda mencionou a responsabilidade do governo comandado pelo ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e a atual governadora Celina Leão (PP), apontando falhas na condução das decisões envolvendo o BRB. Segundo ele, medidas tomadas sem o devido debate podem ter causado prejuízos à instituição. “O governo tem muito a dizer. Agora não é convite, é convocação”, reforçou.
Próximos passos
Durante a reunião, também foi destacado que a ausência ocorre em meio a mudanças recentes na gestão do Executivo local. O presidente da CCJ mencionou que a governadora em exercício adotou medidas relacionadas ao banco, como o afastamento de dirigentes, o que foi interpretado como resposta insuficiente à crise.
Parlamentares da oposição passaram a defender medidas mais duras, como a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as operações do BRB.
A expectativa é que, com a convocação formal aprovada na CLDF, os dirigentes compareçam à próxima sessão da CCJ para prestar esclarecimentos detalhados sobre a situação financeira do banco e os negócios recentes que vêm sendo questionados por parlamentares, órgãos de controle e pela própria população do Distrito Federal.
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