Em Porto Alegre (RS), lideranças do PT, Psol, PCdoB, PV, Rede e PSB realizaram, na segunda-geira (6), uma plenária que marcou a consolidação de uma articulação política no estado com foco na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na construção de uma candidatura unificada ao governo gaúcho, tendo como referência o nome de Edegar Pretto.

Convocada por dirigentes partidários e parlamentares, a atividade teve como eixo a leitura de um documento político que será encaminhado à direção nacional dos partidos envolvidos. O texto sustenta a legitimidade da construção da candidatura no estado e questiona possíveis decisões tomadas sem diálogo com a base local.
Na abertura do ato, o ex-prefeito Beto Grill (PSB) destacou o caráter coletivo da articulação. “Não temos mais tempo a perder com idiossincrasias, vontades pessoais, vaidades de grupos. Nós precisamos mudar o Rio Grande, levantar o Rio Grande, reeleger Lula”, afirmou.

Documento reforça apoio a Lula e alerta para riscos de desarticulação
A carta lida durante a plenária, apresentada pela deputada federal Fernanda Melchionna (Psol-/RS), reafirma que a reeleição de Lula é prioridade absoluta das forças políticas presentes. O texto também situa o cenário internacional e menciona preocupações com interferências externas em processos eleitorais.
“Estamos cientes do tamanho do desafio, em especial pela importância desse projeto não apenas para o Brasil, mas para a América Latina e para o mundo”, afirma o documento.
Ao mesmo tempo, o texto destaca que a construção da pré-candidatura de Edegar Pretto vem sendo realizada há meses em diferentes regiões do estado, com mobilização social e articulação partidária. Segundo a carta, uma eventual mudança nessa composição poderia gerar desmobilização.
“A eventual desarticulação dessa frente acarretaria desmobilização e frustração de uma base social que dá sinais inequívocos de que não aceitará ver uma construção coletiva ser substituída por uma imposição definida a portas fechadas”, diz o documento.
Nesta terça-feira (7), o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT se reuniu e divulgou uma resolução após o encontro. O documento diz que deve ser definida “uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no Estado do Rio Grande do Sul”.
O texto também afirma que Edegar Pretto “é a liderança com maior legitimidade para essa construção”. Apesar da ambiguidade, a resolução foi interpretada como uma mensagem para que Pretto abra mão de sua candidatura, inclusive pelo próprio pré-candidato, que se manifestou a respeito do documento em suas redes sociais.
Edegar Pretto recebeu o documento do GTE e convocou o diretório estadual do PT para deliberar sobre o tema. “Quero tratar desse tema com a instância que me colocou na condição em que estou hoje. A instância partidária que definiu a tática eleitoral no Rio Grande do Sul é soberana para decidir o meu papel nas eleições deste ano”, afirmou.

Construção Coletiva e defesa da unidade política
Ao longo da atividade, o objetivo central foi a construção de unidade política no estado, associada à necessidade de fortalecer o projeto nacional liderado por Lula. “Reafirmo a minha disposição para liderar a frente política no Rio Grande do Sul, que vai garantir a reeleição do presidente Lula. E também o meu compromisso de construir um novo projeto de desenvolvimento para o RS”, falou Edegar Pretto durante o evento.
Durante o encontro, diferentes lideranças manifestaram apoio ao nome de Pretto como representante desse campo político na disputa estadual. A deputada Luciana Genro afirmou: “No Rio Grande do Sul precisamos de uma candidatura que tenha a capacidade de se apresentar como uma alternativa de governo, que se contraponha ao neoliberalismo de Eduardo Leite e a extrema direita de Zucco, e esse nome é de Edegar Pretto!”.

A pré-candidata ao Senado Manuela D’Ávila (Psol) também destacou o papel de Pretto na articulação política. “Edegar nos lidera pela coragem, porque construiu conosco as bases sólidas para uma agenda de enfrentamento à extrema direita. Edegar é incansável na busca da unidade.”

As falas destacaram a importância de consolidar um palanque forte no Rio Grande do Sul para sustentar a campanha de reeleição presidencial. O presidente estadual do PSB, Beto Albuquerque, sintetizou esse posicionamento ao afirmar: “Nunca faltamos a Lula, a sua eleição e reeleição. No Rio Grande do Sul não temos mais tempo a perder com vontades pessoais e vaidades de grupos, nós precisamos mudar o Rio Grande!”.
No mesmo sentido, lideranças reforçaram que a construção política no estado está diretamente vinculada ao fortalecimento do projeto nacional. O presidente do PV no estado, Márcio Souza, afirmou a necessidade “de um palanque potente que reverbere as propostas e represente o presidente Lula”. Em outro momento, completou: “Esse estado merece Edegar Pretto, o melhor, e é por isso que o Partido Verde te apoia incondicionalmente”.
A deputada federal Fernanda Melchionna também ressaltou a continuidade do apoio político ao projeto. “O Psol esteve com Edegar Pretto em 2022 e segue em 2026, por acreditar que o seu nome é a alternativa para a reconstrução do Rio Grande do Sul. Seguimos com o compromisso de construir com as bases, enfrentar à extrema direita e o neoliberalismo de Eduardo Leite.”
Presenças históricas e simbolismo político
A plenária contou ainda com a presença de lideranças históricas do estado, como o ex-governador Tarso Genro, que ressaltou o peso da trajetória política construída no Rio Grande do Sul. “Aqui no Rio Grande do Sul, ninguém aceita intervenção! E não viveremos este desrespeito, em honra aos quadros históricos que temos, mas principalmente pela história da nossa militância.”

Também esteve presente o ex-governador Olívio Dutra, símbolo da história e da continuidade das lutas políticas no estado.

Apoios à pré-candidatura e cenário estadual
A plenária também foi marcada por referências ao processo coletivo de construção da candidatura no estado. A vice-presidenta do PT-RS, Sofia Cavedon, destacou a dimensão participativa desse caminho. “Nós queremos uma democracia participativa, radical e das ruas. Nós também defendemos a democracia dentro do nosso partido e no processo coletivo que nós construímos até aqui. Nós somos seis partidos do campo popular!”.

Na mesma linha, o ex-presidente do PT Raul Pont enfatizou o papel do diálogo político. “Política não se faz com ultimato. Política se faz entre companheiros, se faz com discussão, com debate, com convencimento, e é assim que nós vamos continuar construindo a nossa unidade”.
O vereador de Porto Alegre Roberto Robaina (Psol) também situou o papel do estado no cenário nacional. “O Rio Grande do Sul é a regional mais combativa e mais esquerda do PT em todo o país. E nós teremos candidatura de esquerda no nosso estado.”

Mobilização e próximos passos
Além das falas políticas, a plenária foi marcada por manifestações de apoio, cantos e demonstrações de mobilização da militância. A leitura da carta conjunta e os discursos reforçaram o alinhamento entre os partidos presentes.
Em avaliação ao encontro, Edegar Pretto afirmou: “O ato da nossa frente política foi intenso, potente e, acima de tudo, uma grande demonstração de compromisso, coragem e amor pela democracia. Foi uma noite que já entrou para a nossa história e que seguirá marcando essa caminhada.”

Ele também destacou a mobilização construída. “Também foi muito simbólico ver lideranças de todas as regiões do estado presentes em uma plenária construída praticamente de um dia para o outro, mostrando a nossa capacidade de mobilização e, principalmente, a força dessa unidade.”
Pesquisas indicam presença competitiva na disputa
Levantamentos de intenção de voto divulgados ao longo dos últimos meses, apontam Edegar Pretto como um dos nomes presentes na disputa pelo governo do estado, com desempenho que o coloca no cenário competitivo, especialmente entre os eleitores identificados com o campo progressista.
As pesquisas também indicam um cenário ainda em consolidação, com espaço para crescimento das candidaturas à medida que as alianças e os palanques forem se definindo. Nesse contexto, lideranças avaliam que a construção de unidade entre os partidos pode influenciar diretamente o desempenho eleitoral nos próximos meses.
Ao comentar o conteúdo político do ato, Pretto afirmou: “A carta que apresentamos, os discursos, os cantos de apoio, cada gesto de incentivo e confiança foram mais do que manifestações políticas: foram sinais claros de que estamos no caminho certo, conectados com o sentimento do povo e com o futuro que queremos construir.”
