governo Trump

Democratas denunciam reclusão de mais de 6.200 crianças migrantes em centros de detenção dos EUA

Congressistas relataram graves violações aos direitos humanos em instalação 'familiar'

No audio source provided.
Membros da Guarda Nacional do Texas caminham pelo interior do perímetro de uma instalação de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras dos EUA (ICE) em Broadview, Illinois, em 8 de outubro de 2025
Membros da Guarda Nacional do Texas caminham pelo interior do perímetro de uma instalação de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras dos EUA (ICE) em Broadview, Illinois | Crédito: Octavio Jones/AFP

Legisladores democratas denunciaram na quarta-feira (8) que mais de 6.200 menores de idade foram reclusos em centros de detenção para migrantes nos Estados Unidos durante o último ano.

Os congressistas Joaquín Castro e Greg Casar visitaram o centro de detenção familiar em Dilley, Texas, onde quase 400 pessoas permanecem detidas. O grupo inclui 49 famílias, algumas das quais privadas de liberdade há mais de um ano. Dados da organização FWD.us confirmam que a população desse estabelecimento é composta principalmente por 77 menores de idade e 244 mulheres adultas.

Após conversar com os internos, os legisladores relataram graves violações aos direitos humanos. As famílias denunciaram falta de atendimento médico, maus-tratos e agressões verbais racistas.

O congressista Castro expôs o caso de uma menina de cinco anos com dor dental severa a quem a equipe médica receitou apenas ibuprofeno durante dois meses, sem oferecer tratamento odontológico. “Essas pessoas não estão sendo levadas a sério, porque não são tratadas como seres humanos”, afirmou Castro.

Além disso, foi apresentada uma denúncia formal contra a CoreCivic, empresa privada que administra o centro, após guardas de segurança utilizarem termos depreciativos como “mojados” e “spics” para insultar os detidos de origem latino-americana.

O representante Greg Casar desmentiu a retórica oficial sobre a periculosidade dos detidos. “O governo diz que prende o pior do pior, mas nenhuma das pessoas com quem conversamos tinha histórico criminal”, destacou.

As detenções respondem a uma estratégia de busca intensiva dentro do território norte-americano, por meio de megaoperações semelhantes à realizada recentemente em Minneapolis. Segundo o Deportation Data Project, as capturas em ruas, tribunais e repartições migratórias se multiplicaram por 11 em comparação com o último semestre da gestão anterior.

Informações vazadas à rede CBS News revelam que as detenções atingiram níveis históricos. Em janeiro deste ano, os Estados Unidos mantinham sob custódia mais de 73.000 migrantes — o número mais alto registrado desde a criação do Departamento de Segurança Nacional (DHS) em 2001.

Os legisladores reiteraram a urgência de fechar as instalações de Dilley, classificando-as como uma prisão traumatizante para a infância.

A perseguição sistemática contra migrantes se consolidou em 2017 com a política de Tolerância Zero de Donald Trump. Esse modelo substituiu o direito ao asilo por um sistema punitivo de detenções em massa e separação de famílias, lançando as bases de uma infraestrutura projetada para criminalizar a mobilidade humana.

Desde 2025, o governo intensificou sua perseguição com operações em massa em cidades de todo o país. Ao determinar a detenção de qualquer imigrante indistintamente, as autoridades já não se concentram apenas em criminosos — agora perseguem ativamente famílias trabalhadoras e crianças sem antecedentes. Essa falta de distinção transformou pessoas inocentes nos principais alvos de uma caçada humana que já quebra recordes históricos.

Editado por: Telesur
Conteúdo originalmente publicado em: Telesur

|

Newsletter