acordo difícil

‘Mesmo que aconteça, cessar-fogo não vai significar paz para o Oriente Médio’, afirma professor de Relações Internacionais

Rodrigo Amaral afirma que, para Israel, projeto sionista é mais importante do que qualquer aliança

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Líbano
Ataques de Israel deixaram imensa destruição no Líbano, centenas de mortos e milhares de feridos | Crédito: Ibrahim Amro/AFP

Os bombardeios realizados por Israel contra o Líbano, que deixaram mais de 300 mortos, acabaram com o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e impuseram desafios para a negociação por paz na região. Muitos países repudiaram o ataque, entre eles o Brasil, que, através do Itamaraty, defendeu a soberania do Líbano e pediu que Israel suspenda imediatamente as ações militares e se retire do território libanês.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Rodrigo Amaral avalia que, se de um lado os Estados Unidos estão cada vez mais derrotados, Israel mantém o governo Trump refém de seu projeto sionista.

“Desde a criação do Estado de Israel, os EUA endossam uma certa liberdade para o projeto sionista operar. Acho que essa é uma questão central. De que maneira esse sionismo radical que tem como projeto a ampliação desse território israelense coloca os EUA como refém desse momento”, explica.

Amaral destaca que durante as negociações do cessar-fogo, o Irã deixou claro que um dos critérios para a trégua era a interrupção da violência contra o Hezbollah. “Para mim, isso [ação de Israel no Líbano] só reforça a derrota moral dos EUA. Os EUA não atingem seus objetivos e mostram quem está mandando nessa correlação. O momento norte-americano é bem ruim.”

Para Rodrigo Amaral, ainda que a negociação entre representantes dos Estados Unidos e do Irã, mediados pelo Paquistão, prevista para começar nesta sexta-feira (10), sinalize para a interrupção do conflito, isso não significa paz para o Oriente Médio.

“Temos que olhar em perspectiva mais alongada. Desde outubro de 2023, o Oriente Médio passa por um período de conflitualidade contínua. Eu acho que o cessar-fogo está longe de significar paz para o Oriente Médio. Desde o início, era muito claro, diante das condições colocadas pelos EUA e as respostas iranianas, de que eles correspondem a um âmbito do conflito muito particular que aflige o Irã e afeta a economia internacional no que se refere a passagem do Estreito de Ormuz, mas não olha para a questão da Palestina ou para os conflitos no sul do Líbano.”

Por outro lado, o professor destaca o protagonismo que países como China e Paquistão tem assumido no conflito no Irã. “A China tem mostrado uma capacidade diplomática que os EUA não têm mais. E mesmo distantes, os chineses se mostram fortalecidos e capazes de atuar nessa conflituosidade. A estabilidade favorece o projeto chinês. Tudo de certa maneira mostra esse enfraquecimento, esse declínio da hegemonia norte-americana. O Paquistão é um ator extremamente relevante para o projeto de expansão chinesa. Ele se mostra um ator importante que tem capacidade nuclear e está num espaço geográfico importante que conecta o Oriente Médio e a Ásia, e com capacidade diplomática e militar”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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