CAOS POLÍTICO

Em cenário de desilução política e sem favoritos, Peru vota para presidente no domingo (12)

Keiko Fujimori com apenas 15% das intenções de voto lidera em pleito que não conta com candidatos fortes da esquerda

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Filha do ditador Alberto Fujimori, Keiko lidera a corrida segundo pesquisas
Filha do ditador Alberto Fujimori, Keiko lidera a corrida segundo pesquisas | Crédito: ERNESTO BENAVIDES / AFP

O Peru vai às urnas no próximo domingo (12) começar a escolher seu novo presidente. O cenário é marcado tanto pela incerteza como por desilusão popular após anos de crises políticas, impeachments e escândalos de corrupção.

Desde 2018, o país teve oito presidentes, conferindo extrema instabilidade para a vida política peruana, reflexo de uma sucessão frenética de mandatos interrompidos nos últimos anos. O Parlamento destituiu quatro e levou outros dois à renúncia.

A população demonstra forte ceticismo e desinteresse devido ao histórico de corrupção sistêmica e analistas apontam que esta é uma das disputas mais complexas da história recente do país, sem favoritos claros. Nesse contexto, a juventude peruana é apontada como fundamental no pleito que tem número recorde de 35 candidatos, mas sem opções que os empolguem.

Os menores de 30 anos formam o grupo de eleitores mais numeroso do país, com 26% do eleitorado, e são uma força com peso suficiente para inclinar a balança de um pleito no qual as pesquisas não preveem vitórias expressivas. Dezesseis por cento dos eleitores não sabem em quem votar e outros 11% pretendem votar em branco, anular o voto ou não escolher nenhum candidato, segundo uma pesquisa recente da Ipsos.

“Nenhum convence”, afirmou à AFP Ainhoa Hurtado, estudante de 21 anos. Ela dará seu voto a um dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas, ao “mal menor” entre eles. “Caso contrário, meu voto não valerá nada”, acrescenta.

Entre as tendências políticas, o fujimorismo, corrente que nasceu com ditador Alberto Fujimori que governou o país entre 1990 até sofrer impeachment em 2000, busca se reinventar nas eleições do Peru.

Sua filha, Keiko Fujimori, candidata de extrema direita que disputa a presidência pela quarta vez, lidera com 15% das intenções de voto, segundo pesquisa da Ipsos divulgada no domingo, a última autorizada antes da eleição. Disputam para enfrentá-la em um segundo turno o ex-prefeito de Lima Ricardo Belmont, de perfil centrista, o comediante de direita Carlos Álvarez e o ultraconservador Rafael López Aliaga, com diferenças muito pequenas entre eles.

Belmont, ex-apresentador de televisão de 80 anos, cresceu de forma constante nas pesquisas nas últimas semanas graças a uma conta no TikTok administrada por uma de suas filhas de 18 anos.

O distanciamento dos jovens peruanos das elites no poder não implica desinteresse pelo que ocorre no país. Em outubro passado, a geração Z, formada por peruanos de 18 a 29 anos, protagonizou fortes protestos contra a classe política que levaram à destituição de Dina Boluarte (2022-2025), em um contexto de aumento da criminalidade que hoje é a principal preocupação dos eleitores.

Editado por: Rodrigo Durão Coelho

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