AGENDA CULTURAL

Fortaleza celebra 300 anos com fim de semana de cultura gratuita e diversa

De forró a cultura indígena, programação ocupa equipamentos públicos com música, arte e atividades para todas as idades

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Nesta quinta-feira acontece a apresentação do Plano Operacional da Programação dos 300 Anos de Fortaleza. O momento inclui as apresentações dos planos para os shows do Aniversário e para a Maratona de Fortaleza | Crédito: Divulgação/SetFor

A cultura cearense ganha protagonismo neste fim de semana em Fortaleza, com uma programação diversa que atravessa linguagens, territórios e gerações. De ritmos como forró, reggae e brega a expressões indígenas e atividades que valorizam a memória e a identidade local, os equipamentos culturais da cidade promovem uma agenda gratuita que celebra os 300 anos da capital e reafirma a riqueza artística e simbólica do Ceará.

Complexo Cultural Estação das Artes

O fim de semana na Estação das Artes será marcado por uma programação especial em celebração aos 300 anos de Fortaleza, reunindo diferentes linguagens e atrações para públicos diversos. Na sexta-feira (10), DJ Penaforte e o Quiz das Cunhãs abrem a agenda. No sábado (11), a programação segue com DJ Lucas O Gera e o show “Na Terra do Sol + Tributo a The Gladiators”, com a banda Donaleda. Já o domingo (12) conta com oficina infantil, espetáculo teatral e forró com Os Muringa, no Mercado AlimentaCE.

Brega em vinil, com DJ Penaforte, e Quiz das Cunhãs movimentam a sexta (10) na Estação

Para abrir a programação do fim de semana, na sexta-feira (10), às 17h30, o público confere o projeto “Cotovelo – Bregas & Outras Fossas”, com DJ Penaforte, que assume a pista com uma seleção 100% em vinil dedicada ao brega romântico e suas variações, atravessando também ritmos como lambada e guitarrada. A discotecagem propõe uma experiência sensorial que resgata o sentimentalismo da música popular brasileira, convidando o público a cantar, dançar e se emocionar.

A partir das 19h, a programação é intercalada com o Quiz das Cunhãs, evento que reúne o público em equipes para responder a perguntas sobre política e temas abordados no podcast homônimo. A atividade acontece em blocos, mesclando momentos de interação, música e premiação, promovendo também o encontro entre as jornalistas Inês Aparecida, Hébely Rebouças e Kamila Fernandes e o público. O evento conta com acessibilidade em Libras.

Estação das Artes recebe noite de reggae com Donaleda e DJ Lucas O Gera

No sábado (11), a noite começa às 18h com DJ Lucas O Gera, que abre a pista com sua discotecagem de reggae, trazendo uma bagagem ligada à cena cultural e aos movimentos sociais da cidade.

Na sequência, às 20h, a banda Donaleda apresenta o show “Na Terra do Sol + Tributo a The Gladiators”, que comemora os 300 anos de Fortaleza e marca também 25 anos de trajetória do grupo. Criada em 2001, a banda se consolidou como referência do reggae no Ceará. O espetáculo reforça a conexão com a cultura reggae e a produção autoral. O show conta com acessibilidade em Libras.

Domingo na Estação (12) convida diversos públicos com atividades infantis e forró

O domingo (12) reúne atividades voltadas ao público infantil e familiar, conectando memória, teatro e música. A partir das 10h, acontece a oficina “Entrou na história?! É bom ter na memória!”, ministrada por Rebeka Lúcio, que propõe uma atividade lúdica de apresentação de personalidades cearenses que marcaram a história, convidando os participantes a conhecer e valorizar essas trajetórias.

Às 11h, o público acompanha o espetáculo “João Sortudo”, com a Companhia Prisma de Arte, uma adaptação de conto popular que utiliza linguagem lúdica, musical e cheia de fantasia para narrar a história de um jovem que, ao longo de sua jornada, vivencia situações que resultam em aprendizados. A montagem propõe uma experiência sensível e divertida, dialogando com públicos de diferentes idades, e conta com acessibilidade em Libras.

Encerrando a programação, a partir das 12h30, no Mercado AlimentaCE, Os Muringa sobem ao palco com um show marcado pelo forró tradicional. Criado em 2009, o grupo reúne músicos que compartilham o objetivo de difundir a cultura nordestina por meio de ritmos como xote, baião e forró, levando ao público uma apresentação que combina alegria, regionalismo e referências de importantes nomes da música brasileira.

Sexta-feira | 10 de abril

17h30 às 21h30 – Quiz das Cunhãs + Cotovelo – Bregas & Outras Fossas, com DJ Penaforte

Sábado | 11 de abril

18h às 22h – Show “Na Terra do Sol + Tributo a The Gladiators”, com Donaleda e DJ Lucas O Gera

Domingo | 12 de abril

10h às 13h – Oficina “Entrou na história?! É bom ter na memória!”, com Rebeka Lúcio (Parceria Sesc)
11h às 11h45 – Espetáculo “João Sortudo”, com Companhia Prisma de Arte (Parceria Sesc)
12h30 às 14h30 – Os Muringa, no Mercado AlimentaCE

Museu da Imagem e do Som do Ceará

O Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS CE) promove, nesta semana, uma programação que reúne cultura indígena, arte e reflexão sobre o audiovisual. O destaque é a apresentação performática “Ritualidade: a força e o saber do sagrado”, com artistas do povo Tremembé, no domingo (12), na Praça do MIS, em diálogo com a exposição “Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará”, em cartaz na Galeria da Liberdade, espaço gerido pelo Museu.

No contexto dos 300 anos de Fortaleza, a Galeria da Liberdade reforça sua ressignificação como espaço simbólico da cidade. A criação da Galeria, em junho de 2025, reafirma a centralidade da luta pela garantia de direitos humanos na construção de uma sociedade mais democrática e diversa, na qual a cultura e a educação são fundamentais para o exercício pleno da cidadania. 

A programação do MIS CE inclui ainda o Seminário Arejar o Pensamento: diálogos entre cinema e educação, que será realizado de 8 a 10 de abril, sempre a partir das 14h30, no MIS CE. Integrando o Vento da Tarde – Festival de Filmes de Formação, o seminário reúne educadores, pesquisadores e realizadores para discutir as relações entre cinema, ensino e políticas culturais, em três tardes de debates abertos ao público. Toda a programação é gratuita.

Seminário Arejar o Pensamento | Vento da Tarde – Festival de Filmes de Formação

O MIS CE recebe o Seminário Arejar o Pensamento: diálogos entre cinema e educação, que integra a segunda edição do Vento da Tarde – Festival de Filmes de Formação. Entre os dias 8 e 10 de abril, sempre a partir das 14h30, o evento ocupa o Museu com três tardes de debates gratuitos e abertos ao público, reunindo educadores, pesquisadores e realizadores em torno das relações entre audiovisual, formação e políticas culturais.

Com transmissão em Libras e emissão de certificado de participação, o seminário propõe abrir espaço para novos fluxos de pensamento sobre o papel do cinema nos processos de ensino e aprendizagem, além de discutir a disputa por imaginários no Brasil contemporâneo. A programação reúne nomes relevantes do audiovisual, como Tatiana Carvalho Costa, presidenta da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), a cineasta indígena Patrícia Ferreira Pará Yxapy e o cineasta e ativista Lincoln Péricles (LK).

Organizado em três mesas temáticas, o seminário aborda, no dia 8 de abril, às relações entre mulheres e cinema, a partir de perspectivas que atravessam territórios, práticas educativas e modos de criação; no dia 9, discute as chamadas “policulturas audiovisuais”, com foco em experiências de coletivos, aldeias e periferias na democratização dos meios de produção; e, no dia 10, encerra com um debate sobre preservação e difusão, refletindo sobre os caminhos para a construção de uma cultura cinematográfica nas escolas e o fortalecimento da soberania audiovisual.

Espetáculo “Ritualidade: a força e o saber do sagrado” com Keven Tremembé e Rafaela Tremembé

A performance acontece no domingo, 12 de abril, das 16h às 17h, na Praça do MIS CE, com classificação indicativa livre. Criada e apresentada por Keven Tremembé e Rafaela Tremembé, a obra evoca os rituais sagrados do povo Tremembé da Barra do Mundaú (CE), tendo a dança do Torém como eixo central da criação cênica. A partir das oralidades dos troncos velhos, guardiões dos saberes tradicionais, a apresentação evidencia os processos de transmissão de conhecimento entre gerações, especialmente no fortalecimento da juventude indígena.

Em diálogo com a exposição “Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará”, em cartaz na Galeria da Liberdade, a performance amplia a experiência do público ao trazer para o espaço vivo do museu práticas que reafirmam identidades, territórios e modos de existência. A obra também convoca reflexões sobre o papel das novas gerações na continuidade dos rituais e na valorização dos conhecimentos ancestrais, reafirmando a resistência do povo Tremembé.

A criação tem direção de Keven Tremembé, artista indígena do povo Tremembé que atua na dança desde a infância, com trajetória vinculada às práticas culturais de seu território e formação técnica pela Escola Livre Balé Baião (Itapipoca/CE), além de integrar, desde 2018, o grupo Parente Torém. Em cena, divide a interpretação com Rafaela Tremembé, jovem artista e comunicadora indígena que desenvolve trabalhos em danças tradicionais desde a infância e integra o grupo Parente Torém desde 2021. A trilha percussiva é executada por Maria Clara Tremembé, artista indígena, artesã e dançarina, integrante do grupo desde 2021, com atuação voltada à valorização e difusão da cultura Tremembé.

Sala imersiva, exposições e biblioteca

Devido à realização do Seminário Arejar o Pensamento na Sala Imersiva do MIS CE, entre os dias 8 e 10 de abril, o espaço terá exibição das obras programadas no sábado e domingo, dias 11 e 12 de abril.

Na mesma semana, acontece a exibição, em celebração aos 300 anos de Fortaleza, da obra “Do Ponto ao Patrimônio”, experiência imersiva desenvolvida no âmbito do programa Cientista Chefe da Cultura, com apoio da Funcap. Também acontecem as exibições das experiências “Ypykuéra: Povos Originários e a Megafauna”, “Aves do Ceará” e “O Paraquedista”.

O MIS segue ainda com as exposições físicas “Imaginar os Cearás: memórias e tecnologias” (andar -1) e “Laboratório dos Sentidos” (Casarão).

O Museu funciona de quarta a domingo, com horários diferenciados: quarta, quinta e domingo, das 10h às 18h (acesso até 17h30); e sexta e sábado, das 13h às 20h (acesso até 19h30). A biblioteca Marly Mariano & Thomaz Farkas (andar +1 do Anexo) funciona de quarta a sexta-feira, das 13h às 18h.

Museu Ferroviário Estação João Felipe

O mês de abril será marcado pelo Abril Ferroviário no Museu Ferroviário Estação João Felipe, com uma programação especial que celebra os 300 anos de Fortaleza e o Dia do Ferroviário, comemorado em 30 de abrill. Entre os destaques estão um percurso mediado por educadores museais pela cidade; o lançamento do segundo volume da Coleção Histórias Ferroviárias, agora com uma cartilha sobre a Estação Ferroviária Prof. João Felipe; e atividades de Páscoa para as crianças. Toda a programação é gratuita e aberta ao público. 

Percurso e palestra celebram os 300 anos de Fortaleza

Em comemoração ao aniversário de Fortaleza, celebrado em 13 de abril, o Museu Ferroviário realiza duas atividades especiais. No sábado (11), das 9h às 12h, acontece o percurso “A cidade e os trilhos: 300 anos de Fortaleza”, que parte do Complexo Cultural Estação das Artes até a Ponte Metálica do Poço da Draga.

O itinerário sai do Museu Ferroviário Estação João Felipe e passa pelos pontos Praça da Estação, Praça dos Mártires (Passeio Público), Caixa Cultural Fortaleza, finalizando na Ponte Metálica/Ponte Velha do Poço da Draga.  Durante o trajeto, os participantes serão convidados a refletir sobre a formação urbana da capital cearense a partir das ferrovias, relacionando memória, paisagem e território.

Já no dia 15 de abril, na Universidade Estadual do Ceará (Uece), ocorre a palestra “Um legado sobre os trilhos: lugares de trabalho ferroviário que escrevem a história de Fortaleza”. O historiador e pesquisador Pedro Rebouças aborda os espaços de trabalho ferroviário, suas lutas por direitos sociais e a contribuição desses locais para a história urbana da cidade. 

Atividades para toda a família

Para o público infantil, a atividade de Páscoa ocorre no domingo (12), com caça às pistas dentro da exposição do Museu e, em seguida, oficina de pintura de ovos de argila. 

Pautada nas pessoas idosas, as Rodas de Conversa com Ferroviários são atividades que valorizam o saber e a memória dos trabalhadores da categoria. As atividades acontecem tradicionalmente nas quartas-feiras, às 14h. Em abril, a primeira ocorre no dia 8, com a temática “Os engenheiros da ferrovia: técnica, planejamento e construção”. Já no dia 15, a conversa é sobre “A RFFSA e os trabalhadores ferroviários”.

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Pinacoteca do Ceará

No próximo dia 13 de abril, Fortaleza celebra 300 anos de fundação, e a Pinacoteca do Ceará preparou uma programação temática com atividades ao longo das próximas semanas. O museu oferece oficinas, visitas temáticas, conversas de ateliê e performances que conectam o acervo da instituição ao território urbano. Todas as atividades são gratuitas.

Em alusão ao aniversário da cidade, o Pouso do Trabalhador traz a oficina “A arte do Kirigami e a cidade de Fortaleza”. Conduzida por Franklin Ferreira e selecionada pelo Edital de Credenciamento da Pinacoteca, a atividade acontece nas quartas-feiras, dias 8, 15, 22, sempre das 12h30 às 13h30, no hall da Pinacoteca. Os participantes utilizam a técnica japonesa de recorte e dobradura de papel para criar cartões tridimensionais de pontos turísticos e mapas afetivos de bairros da capital. 

No dia 16 de abril, quinta-feira, a programação debate a identidade de Fortaleza a partir de dois encontros. Às 16h, a arte-educadora Ka Araujo conduz a visita temática “Fortaleza e periferia: cultura e resistências” na exposição “Existências paralelas – acervo em (des)construção”. A atividade investiga como os territórios das bordas da cidade produzem cultura e preservam memórias através de objetos e pinturas, oferecendo 20 vagas por ordem de chegada. 

Logo em seguida, às 17h, a Pinacoteca recebe a escritora e artista Fernanda Meireles para a Conversa de Ateliê “Cidade Solar, uma juventude perene”. O encontro celebra os 20 anos do projeto que registrou o cotidiano fortalezense e marca o lançamento da edição comemorativa de 300 exemplares do livro “Cidade Solar”. A atividade conta com acessibilidade em Libras.

O final de semana do aniversário conta com uma ação itinerante. No sábado (18), a oficina “Desenhando Fortalezas” leva o público para desenhar na Praça General Tibúrcio, popularmente conhecida como Praça dos Leões, e no Parque Cidade da Criança. O grupo sai da Pinacoteca em um micro-ônibus, às 15h, para registrar percepções sobre o presente e o futuro desses espaços históricos do Centro. São 15 vagas disponíveis a partir das 14h, uma hora antes da atividade, e a participação é por ordem de chegada.

Já no sábado do dia 25, às 16h, o artista Léo Silva apresenta a performance “Rotas”, selecionada pelo I Ciclo de Exposições e Performances da Pinacoteca do Ceará. A obra utiliza o gesto de servir café para evocar o passado do prédio do museu, que antes abrigava a Estação Ferroviária João Felipe e as temporalidades que atravessam a história do Ceará. A apresentação da performance será realizada no hall do museu. O processo de criação será tema de uma Conversa de Ateliê com o artista logo depois.

Seminário “DE CORPORE – Corpo adentro, corpo afora”

O debate sobre o corpo contemporâneo ganha novos territórios na Pinacoteca do Ceará com a realização do seminário gratuito “DE CORPORE – Corpo adentro, corpo afora”. Entre os dias 8 e 12 de abril, o museu promove uma série de encontros com grandes nomes das artes e da pesquisa nacional para expandir as reflexões da exposição “Corpos explícitos, corpos ocultos”. 

Na sexta-feira (10) e no sábado (11) o público pode participar de visitas mediadas às exposições em cartaz. Conduzidas pelos arte-educadores do museu, as visitas começam às 15h de cada dia e contam com acessibilidade em Libras e 20 vagas por ordem de chegada. 

Na sexta-feira, das 18h às 20h, a mesa “A imagem do corpo / o corpo da imagem” reúne o artista e doutor em dança Luiz de Abreu, a professora e pesquisadora Marisa Flórido e o cineasta Arthur Omar, sob mediação de Adolfo Montejo Navas. O debate investiga como a corporeidade funciona como sinal e mensagem através da imagem e do movimento. Já no sábado, das 15h às 17h, o encontro segue com a mesa “Corpo de corpos: fraturas e conexões, afetos e limites”, que recebe a escritora e professora Helena Vieira e o arquiteto Enk Te Winkel, do estúdio Vão, responsável pela expografia de “Corpos explícitos, corpos ocultos”, e da artista visual Beth Moysés, com mediação de Agnaldo Farias, para pensar o corpo como território político e de identidade. Ambas as mesas oferecem 100 vagas por ordem de chegada e contam com acessibilidade em Libras. 

Ateliê Criança Cria Sensorial 

No domingo (12), o foco volta-se para a inclusão com o Ateliê Criança Cria. Às 10h30 e às 15h, a oficina “E se o nariz virar um pincel?”, mediada por Juliana Ferreira, acolhe crianças neurodivergentes a partir de 5 anos e seus responsáveis para uma experiência lúdica de pintura e movimento. São 15 vagas por turma e a participação é por ordem de chegada. 

Às 14h, no auditório terá uma sessão de exibição do documentário “Maria – Não Esqueça que Eu Venho dos Trópicos”, sobre a trajetória da escultora Maria Martins e seu pioneirismo na arte brasileira. A obra “O impossível” da artista está exposta na mostra “Corpos explícitos, corpos ocultos ” para o público conferir também. A sessão conta com 100 vagas e classificação indicativa de 10 anos. 

Sobrado Dr. José Lourenço

O Sobrado Dr. José Lourenço realiza a roda de conversa Entre Marés e Memórias Andanças pelo Mucuripe nos 300 anos de Fortaleza, que acontece no dia 11 de abril, a partir das 8h, saindo do Mercado dos Peixes, localizado na Avenida Beira Mar, 3479, no bairro Mucuripe, em Fortaleza.

Uma caminhada pelo Grande Mucuripe, em Fortaleza, que integra história oral, educação patrimonial, cartografia afetiva e intervenção poética. O público conhecerá o território a partir de suas memórias, tradições pesqueiras, paisagens e lutas comunitárias. Além de celebrar os 300 anos da cidade sob a perspectiva das marés e das resistências locais. 

O momento será guiado pelo Acervo Mucuripe, fundado em 2017, como projeto comunitário de memória e educação patrimonial do Grande Mucuripe. Inspirado no trabalho de Verinha Miranda e criado a partir das experiências do artista Diêgo Di Paula, desenvolve palestras, oficinas e trilhas urbanas que articulam história, território e formação cidadã. Confira o roteiro do percurso:

08h00 às 08h20: Ponto de encontro: Mercado dos Peixes do Mucuripe.

08h20 às 08h40: Saída do Mercado, com passagem pela estátua de Iracema do Mucuripe, Parque Bisão, Igreja de Nossa Senhora da Saúde e Cemitério do Mucuripe.

09h: Caminhada até a comunidade Beco dos Cará, com entrada pela Rua Pedro Rufino até a Rua Álvaro Correia.

09h20: Visita ao Acervo Mucuripe

10h00: Comunidade Ribeirinha Saporé; e Pescadores e Patrimônio Imaterial.

10h00 às 10h20: Passada pela Rua Córrego das Flores; • Grafite do Pescador Mestre Jerônimo.

10h20 às 10h30: Encerramento com retorno até a parada de ônibus – ponto central do bairro; e deslocamento final até a Igreja Nossa Senhora da Saúde.

Teatro Carlos Câmara

Abril é tempo de visibilizar, reconhecer e fortalecer as vozes dos povos originários. No Teatro Carlos Câmara, o Abril Indígena se desdobra em uma programação diversa que articula arte, memória e território, reunindo artistas, pesquisadores e criadores em ações que celebram a potência das culturas indígenas contemporâneas. Ao longo do mês, o público é convidado a vivenciar experiências que atravessam música, artes visuais, performance, formação e cena, reafirmando o equipamento como espaço de encontro, escuta e valorização da diversidade cultural.

Um dos destaques da programação é a exposição “Torém – Tear dos Encantados”, do artista e curador indígena Rodrigo Tremembé, em cartaz a partir desta quinta-feira (9), com visitação até 21 de junho. A mostra apresenta o têxtil como linguagem artística e cultural, conectada ao corpo, ao território e à memória coletiva, a partir da vivência do Torém, dança ritual e expressão identitária do povo Tremembé. Com obras que articulam moda, arte têxtil e instalação, a exposição propõe uma experiência sensorial e simbólica, em que os grafismos e as materialidades evocam saberes ancestrais e modos de existência.

A exposição integra o programa “Percursos”, realizado pelo Sobrado Dr. José Lourenço em parceria com o Teatro Carlos Câmara. Rodrigo Tremembé, artista, curador, escritor e arte-educador, é indígena do povo Tremembé e desenvolve pesquisas que atravessam arte, território e ancestralidade a partir de sua vivência na Aldeia Córrego João Pereira, em Itarema (CE).

Abrindo a programação, no dia 9 de abril, o DJ Rapha Anacé apresenta o set “Tecno Tapera”, a partir das 17h30min, no Pátio Artur Guedes. A apresentação propõe uma fusão de brasilidades, reunindo sonoridades contemporâneas da música brasileira com elementos do coco, ritmos tradicionais e instrumentos ancestrais, atravessados pela energia das batidas eletrônicas.

No campo da formação, o curso “Texto Têxtil”, com a artista visual Jamille Queiroz, propõe um percurso teórico e prático sobre a arte têxtil ao longo da história, abordando suas relações com expressão, autonomia e questões de gênero. A partir da aproximação entre têxtil e texto, os participantes experimentam processos de escrita com fios, utilizando técnicas como bordado e crochê.

300 anos de Fortaleza e 60 anos da Secult Ceará

Na sexta-feira (10), a programação comemorativa pelos 300 anos de Fortaleza e pelos 60 anos da Secult Ceará contempla ações de ocupação urbana e participação coletiva, como a performance “Grafite-se: intervenção urbana com cellograffiti”, conduzida pelo coletivo Dias Verdes, formado por Amy Sousa, Thay Duarte e Jefferson Gonçalves. A ação, que acontecerá na sede do Teatro Carlos Câmara, transforma o espaço público em território de criação compartilhada, convidando o público a interagir com a obra e refletir sobre a arte como ferramenta de transformação social. Circulando por diferentes territórios, das periferias às áreas centrais, o projeto amplia o acesso à arte gratuita e reafirma práticas contemporâneas de produção cultural.

Ainda no dia 10 de abril, a Feira do Vinil promove um encontro entre gerações por meio da música, reunindo expositores independentes e apreciadores do formato, a partir das 16 horas, no Pátio Artur Guedes do Teatro Carlos Câmara. A ação cultural celebra o vinil como suporte de memória e experiência estética, conectando passado e presente em um ambiente de troca e convivência.

Na música, o espetáculo “Da Canção ao Coração”, com o cantor e compositor Bernardo Neto, convida o público a uma experiência intimista que celebra a canção nordestina e a poesia da música brasileira, às 18 horas, no Pátio Artur Guedes do Teatro Carlos Câmara. Em cena, voz, violão, viola e guitarra constroem uma atmosfera sensível, em que memória, identidade e afeto se entrelaçam. O repertório mescla composições autorais e parcerias de Bernardo, além de interpretações de artistas como Fagner, Rodger Rogério e Belchior.

Já no sábado (11), voltada para as infâncias, a programação inclui o espetáculo de dança “Iracema”, de Rosa Primo, que parte da inspiração na personagem clássica da literatura cearense de José de Alencar para refletir sobre a presença indígena no passado e no presente, propondo novas possibilidades narrativas. A obra constrói uma experiência visual e sensorial que atravessa temas como natureza, território e pertencimento, dialogando com diferentes gerações.

No domingo (12), encerrando o fim de semana, o público poderá conferir o espetáculo “O Bode Quer”, de Evan Teixeira. Em cena, ao lado de Rami Freitas, Plínio Câmara e Débora Ingrid, o artista dá vida às narrativas que tornaram o animal um dos maiores símbolos culturais do Ceará. Ícone da irreverência popular, Ioiô ficou conhecido por circular livremente por Fortaleza, frequentar espaços públicos e, em 1922, ser eleito vereador como voto de protesto.

Ainda no domingo, o Teatro Carlos Câmara recebe o espetáculo “Ritos de Passagem”, criação cênica que articula circo, teatro e dança a partir de uma perspectiva cartográfica e afetiva, da Companhia Acaso. A obra reverencia as mulheres da família Sousa Pereira, as “10 Marias”, cujas trajetórias se entrelaçam à formação do bairro Bom Jardim, em Fortaleza. 

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Editado por: Camila Garcia

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