Enegrecendo

Livro de Agrinez Melo propõe nova abordagem afrocentrada no teatro com lançamento gratuito no Recife

Autora pernambucana propõe possibilidades de criação cênica a partir de experiências dos terreiros

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Lançamento será nesta sexta-feira (10), no espaço O Poste
Lançamento será nesta sexta-feira (10), no espaço O Poste | Crédito: Heloísa Melo/Divulgação

O lançamento do livro A Poética Matricial dos Orixás e Encantados: o Ara Ritual Mulher Negra no Teatro Ancestral, da autora pernambucana Agrinez Melo, movimenta a cena cultural do Recife nesta sexta-feira (10), com uma programação gratuita que articula literatura, teatro, música e performance no Espaço O Poste, no bairro da Boa Vista.

A partir das 19h, o público poderá acompanhar uma noite que reúne sessão de autógrafos, apresentação da obra e intervenções artísticas de nomes da Região Metropolitana, além de ações de acessibilidade em Libras e Audiodescrição, reforçando o compromisso da autora com a inclusão. O evento marca a chegada ao público de um trabalho que propõe ampliar a presença da ancestralidade afrocentrada e da mulher negra nos estudos e práticas do teatro.

Assinada por Agrinez Melo, que também é atriz, diretora, professora, figurinista, pesquisadora e candomblecista, a obra apresenta uma abordagem contracolonial do fazer teatral. O livro parte das experiências em terreiros de matrizes africanas e indígenas para propor novas possibilidades de criação cênica, tendo o corpo como território de memória, energia e expressão. Voltado tanto para o público em geral quanto para pesquisadoras e pesquisadores das artes cênicas, o trabalho busca tensionar as narrativas tradicionais do teatro ao destacar epistemologias negras e femininas.

Um dos principais eixos do livro é a metodologia intitulada “Poética Matricial dos Orixás Encantados”, desenvolvida pela própria autora. A proposta articula vivências rituais e práticas corporais que dialogam com o conceito de Ara Agbara, expressão de origem iorubá que se refere ao corpo potente. A partir dessa perspectiva, a obra investiga como as energias dos Orixás e Encantados podem atravessar processos criativos, ampliando as noções de presença cênica e contribuindo para a formação artística e social.

Além da dimensão teórica, o livro também se estrutura a partir de experiências práticas e colaborativas. No lançamento, Agrinez Melo recebe artistas como Brenda Lima, Cas Almeida, Gabriel Ferreira, Ester Soares e Sthe Vieira, que participaram da construção da obra e integram a programação com apresentações de dança, música, performance e teatro. A juventude do Núcleo O Postinho também participa do evento, assumindo funções na produção executiva e assistência de produção.

Outro momento previsto é o Ajeum, palavra de origem iorubá que significa alimento, preparado pela Ialorixá Mãe Inajá Soares, do Ilê Axé Oxum Ipondá, de Olinda. A ação reforça o caráter coletivo e ritualístico da proposta, aproximando o público de práticas culturais que atravessam o livro.

A publicação também reafirma o compromisso da autora com a acessibilidade. O resumo da obra está disponível gratuitamente com Audiodescrição no canal I Pele Ti o Dun, no YouTube, e o evento conta com recursos voltados a pessoas com deficiência auditiva e visual. O livro, que está à venda por R$ 50, integra uma trajetória que já inclui o título “Elementos da Encenação e Acessibilidade: relatos de amor e arte nas experiências teatrais”, lançado em 2022.

Como desdobramento, Agrinez Melo pretende ampliar a circulação da obra em bibliotecas, universidades, festivais e encontros acadêmicos, fortalecendo o debate sobre ancestralidade, corpo e representatividade no teatro. A autora também conduz a oficina “A Poética Matricial dos Orixás e Encantados”, que propõe uma imersão nas relações entre cena e matrizes afro-indígenas, já apresentada em eventos como a Mostra de Artes Cênicas do Banco do Nordeste Cultural, em Fortaleza.

Antes da chegada ao Recife, o livro teve um lançamento no município de Arcoverde, no Sertão pernambucano, reunindo artistas locais, apresentações performáticas e nomes importantes da cultura da região, como o mestre Assis Calixto. A circulação reforça o caráter coletivo da obra e sua conexão com diferentes territórios culturais do estado.

As ilustrações do livro são assinadas por Douglas Duan, com fotografia de Pht.all e capa de Talles Ribeiro, que também atua na revisão ao lado da escritora e poeta Odailta Alves. A equipe conta ainda com colaboração de Everson Melo e Robson Haderchpek, diagramação de Luiza Saad e produção, direção criativa e fotografia de Foster Costa. Todo o trabalho foi realizado por profissionais pernambucanos.

O projeto é realizado pela DoceAgri, iniciativa voltada à acessibilidade no teatro, e conta com incentivo do Funcultura, por meio do Governo de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura.

Editado por: Rostand Tiago

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