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Podcast revisita cotidiano no Quilombo dos Palmares e reforça a importância da construção coletiva

Vida Palmarina fala sobre aspectos econômicos, políticos e culturais dentro de Palmares

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Estreia do podcast 'Vida Palmarina' aconteceu no dia 6 de abril
Estreia do podcast ‘Vida Palmarina’ aconteceu no dia 6 de abril | Crédito: Reprodução

O podcast Vida Palmarina propõe revisitar o cotidiano do Quilombo dos Palmares em cinco episódios. O projeto teve estreia na última segunda-feira (6).

A pesquisadora, produtora cultural e diretora do podcast Tatiana Nascimento conta que a ideia do podcast surgiu quando ela se deu conta de que o aspecto de resistência quilombola é muito explorado, mas as formas de vida nesses territórios, que no caso de Palmares existiu durante 100 anos, nem tanto.

“Eu estava fazendo pós-graduação e tive contato com a obra da Beatriz Nascimento. E ela falava em ‘paz quilombola’. O que acontecia no quilombo quando o quilombo não estava se defendendo, estava em paz. Que sociedade era essa? E ela falou que pouco se estuda sobre isso”, afirma.

Nascimento destaca a importância de apresentar Palmares como organização política, econômica e cultural, aspectos que muitas vezes não ganham destaque sobretudo porque a história é contada do ponto de vista do colonizador.

“Todo registro que a gente tem foi do ponto de vista do colonizador. Mas ao mesmo tempo, se eles registraram é porque de alguma forma eles consideraram aquilo que estava acontecendo importante. Eles consideravam quilombo três pessoas juntas. Então imagina o pavor que eles tinham nessa junção. E o que essa junção queria dizer? Força”, avalia Tatiana.

“Muitas vezes eles [colonizadores] mandavam as expedições para destruir Palmares e as pessoas acabavam ficando porque não passavam fome, eram bem tratadas, bem recebidas, aceitas da forma que eram”

O podcast também amplia o conceito de figuras que lideraram lutas em Palmares, desde o papel das mulheres nesse contexto até outros nomes que descentralizam um pouco a ideia de que só existiu Zumbi como referência. “O Zumbi foi escolhido como um mito de Palmares. E também essa lógica é uma lógica que no fim se volta contra a gente. Porque, na verdade, você trazendo outros nomes, você mostra que só coletivamente se constrói alguma coisa, com outros pontos de vista”, diz.

Para Nascimento, Vida Palmarina tem muito a nos ensinar nos dias de hoje. “Eu acho que a gente espera poder saber de um Brasil agora, muitos anos depois, que é possível. Eu acho que a gente consegue sair da utopia e entender que isso foi concreto e que a gente pode sonhar e que a gente deve ser coletivo, porque é possível a gente fazer de outra maneira”, afirma.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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