Neste sábado e domingo (11 e 12), o município de Petrolândia, no Sertão pernambucano, sedia um seminário envolvendo poderes públicos, instituições religiosas, sindicatos, universidades e movimentos sociais, todos juntos para debater caminhos para solucionar a crise energética e hídrica vivida pelas populações rurais do Sertão do Itaparica. A crise é uma das consequências da privatização da Eletrobras, em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. Sob gestão privada, a empresa não manteve o compromisso social com as comunidades locais.
Às margens do rio São Francisco, a região teve seus primeiros vilarejos nos anos 1700 e chegou a ser visitada por Dom Pedro 2º, que ordenou a construção de infraestrutura portuária para comunicar a parte “alta” do São Francisco (em Minas Gerais) e o baixo São Francisco – onde ficam Paulo Afonso (BA), Jatobá (PE), Petrolândia (PE) e até os municípios mais próximos do oceano Atlântico. Mas em 1988 a população foi desterrada para a construção de uma usina hidrelétrica e a barragem do Itaparica, que colocou a antiga cidade de Petrolândia debaixo d’água e forçou a construção de uma nova cidade do zero.
A tragédia da população em benefício da Eletrobras é o principal motivo das políticas de reparação da empresa junto à população, notadamente as comunidades rurais (agrovilas), atendidas com sistemas de irrigação, infaestrutura hídrica e energética, projetos de fortalecimento da produção das famílias agricultoras e outras ações. Mas tudo acabou com a privatização da Eletrobras.

Por isso, neste fim de semana, Petrolândia receberá representações de comunidades rurais e pesqueiras, povos indígenas e quilombolas, sindicatos rurais, Movimento Sem Terra (MST), representações pastorais e de outras organizações religiosas, as prefeituras dos municípios pernambucanos de Petrolândia, Itacuruba, Orocó, Belém do São Francisco e Santa Maria da Boa Vista; os baianos Abaré, Curaçá e Glória; além de governos estaduais de Pernambuco e da Biahia e do Governo Federal, notadamente da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf).
O Seminário Todos por Itaparica acontece na Escola de Referência (Erem) Maria Cavalcanti Nunes, que fica na rua Capitão José de Souza Ferraz, nº 17, no centro de Petrolândia, a 500 quilômetros da capital Recife (PE). As atividades têm início às 8 horas da manhã. O evento é aberto a todas as pessoas interessadas.
A convocatória afirma que este será um espaço para “fortalecer a união entre agricultores, lideranças comunitárias, autoridades e outras instituições” visando “reforçar a importância da participação popular e da articulação entre as diferentes esferas para assegurar melhorias reais para as famílias que dependem do Sistema Itaparica”.
