ANÁLISE

PT cresce na ALMG e PL no Congresso: o que muda nas bancadas de MG após janela partidária? 

33 parlamentares mineiros mudaram de legenda partidária

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Na Câmara dos Deputados, o principal destaque foi o avanço do Partido Liberal (PL), que passou de 10 para ao menos 14 parlamentares, tornando-se a maior bancada mineira.
Na Câmara dos Deputados, o principal destaque foi o avanço do Partido Liberal (PL), que passou de 10 para ao menos 14 parlamentares, tornando-se a maior bancada mineira. | Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

As movimentações da janela partidária reconfiguraram o cenário político de Minas Gerais, com impactos distintos nos âmbitos federal, estadual e também nas articulações para as eleições de 2026. O período, encerrado no dia 3 de abril, permitiu a troca de sigla sem perda de mandato e resultou em 33 mudanças entre parlamentares mineiros, alterando o equilíbrio de forças entre os partidos.

Na Câmara dos Deputados, o principal destaque foi o avanço do Partido Liberal (PL), que passou de 10 para ao menos 14 parlamentares, tornando-se a maior bancada mineira. O crescimento de 40% fez a legenda ultrapassar o Partido dos Trabalhadores (PT), que manteve seus 10 deputados federais no estado.

Outras siglas também ampliaram presença. O Partido Social Democrático (PSD) passou de cinco para seis deputados, enquanto o União Brasil saltou de três para cinco representantes. O Progressistas (PP) cresceu de três para quatro cadeiras.

Entre os partidos de menor bancada, houve ganhos pontuais. O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) dobrou sua representação com a filiação de Duda Salabert, enquanto a Rede Sustentabilidade passou a contar com um deputado mineiro após a chegada de André Janones.

Em sentido oposto, algumas legendas encolheram de forma significativa. O Avante foi o mais impactado, passando de cinco para apenas um parlamentar. PRD, Solidariedade e PDT também registraram perdas, em movimentos que, segundo interlocutores, teriam sido articulados pelas próprias direções partidárias com foco em estratégias eleitorais.

Na avaliação do cientista político Leonardo Avritzer, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o crescimento do PL em Minas acompanha uma tendência nacional. 

“No nível federal, quem ganhou foi o PL. Ele praticamente voltou ao patamar de mais de 100 deputados no país”, afirma. Segundo ele, o partido tem sido impulsionado por lideranças com forte desempenho eleitoral, o que atrai novos filiados.

Avritzer também destaca o impacto da chegada de nomes com alta densidade eleitoral em federações partidárias. 

“Dois pesos pesados vieram para a federação PSOL-PV, que são o Janones e a Duda. Isso reduz o espaço para outros parlamentares, porque dificilmente a federação elegerá mais de dois nomes”, explica.

Nível estadual

Já na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o cenário apresenta outra dinâmica. O PSD assumiu a liderança ao passar de 11 para 14 deputados, mesmo número alcançado pelo PT, que também cresceu durante a janela. O PL aparece em seguida, com 12 parlamentares, enquanto o União Brasil teve uma das maiores expansões proporcionais, saltando de três para sete cadeiras.

Para Avritzer, essas mudanças no plano estadual refletem cálculos mais específicos de sobrevivência eleitoral. 

“Há movimentações ligadas à dificuldade de alguns parlamentares em competir dentro de determinadas chapas. Isso explica, por exemplo, a migração de nomes para partidos com maior possibilidade de eleição”, avalia.

No Senado, as alterações também indicam rearranjos estratégicos. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, deixou o PSD e se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), movimento interpretado como preparação para uma possível candidatura ao governo de Minas. 

“A candidatura dele não era viável no PSD nem no União Brasil, que já estão comprometidos com outro projeto”, afirma Avritzer.

Já Carlos Viana migrou do Podemos para o PSD, em um movimento considerado menos previsível. Segundo o cientista político, o cenário ainda é incerto.

 “A eleição para o Senado é muito aberta. A maioria dos eleitores decide em cima da hora, o que torna difícil avaliar o impacto dessa mudança”, explica.

As trocas também chegaram à Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde vereadores reposicionaram suas filiações mirando disputas em 2026, principalmente para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal.

O vereador Cleiton Xavier foi do MDB para o União Brasil, e Irlan Melo saiu do Republicanos e foi para o PL.  Wagner Ferreira, por sua vez, trocou o PV pela Rede Sustentabilidade. 

Confira todas as mudanças:

Câmara dos Deputados

André Janones: Avante > Rede

Bruno Farias: Avante > Republicanos

Delegada Ione: Avante > PL

Dr. Frederico: PRD > PL

Duda Salabert: PDT > Psol

Greyce Elias: Avante > PL

Lafayette de Andrada: Republicanos > PL

Luiz Fernando Faria: PSD > União

Pedro Aihara: PRD > PP

Samuel Viana: Republicanos > União Brasil

Weliton Prado: Solidariedade > PSD

Zé Silva: União > PP

Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG)

Adalclever Lopes: PSD > PV

Ana Paula Siqueira: Rede > PT

Arlen Santiago: Avante > MDB

Bella Gonçalves: PSOL > PT

Betinho Pinto Coelho: PV > União Brasil

Bosco: Cidadania > PSD

Carlos Pimenta: PDT > PSB

Chiara Biondini: PP > PL

Doorgal Andrada: PRD > PP

Doutor Paulo: PRD > União Brasil

Enes Cândido: Republicanos > PSD

Grego da Fundação: Mobiliza > União Brasil

João Magalhães: MDB > PSD

Neilando Pimenta: PSB > Republicanos

Professor Wendel Mesquita: Solidariedade > União Brasil

Raul Belém: Cidadania > PSD

Senado

Rodrigo Pacheco: PSD > PSB

Carlos Viana: Podemos > PSD

Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH)

Cleiton Xavier: MDB > União Brasil

Irlan Melo: Republicanos > PL

Osvaldo Lopes: Republicanos > Podemos

Wagner Ferreira: PV > Rede

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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