SEGURANÇA ALIMENTAR

RS cria Dia das Cozinhas Solidárias e reconhece rede popular de combate à fome

Lei oficializa homenagem em 3 de maio, data marcada pela atuação de cozinhas comunitárias nas enchentes de 2024

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Proposta, de autoria do deputado Adão Pretto Filho (PT), passa a integrar oficialmente o Calendário de Eventos e Datas Comemorativas do estado
Proposta, de autoria do deputado Adão Pretto Filho (PT), passa a integrar oficialmente o Calendário de Eventos e Datas Comemorativas do estado | Crédito: Paulo Roberto Silva/Divulgação

As cozinhas solidárias e comunitárias, que ganharam protagonismo no enfrentamento à fome e na resposta às enchentes históricas de 2024, passam a contar com uma data oficial de reconhecimento no Rio Grande do Sul. Foi sancionada a lei que institui o Dia das Cozinhas Solidárias e Comunitárias, a ser celebrado anualmente em 3 de maio no estado.

De autoria do deputado estadual Adão Pretto Filho (PT), a medida inclui a data no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas do Rio Grande do Sul e busca reconhecer o papel desempenhado por essas iniciativas populares na garantia do direito à alimentação.

A escolha do 3 de maio remete ao momento em que as enchentes atingiram de forma mais severa Porto Alegre e outras cidades gaúchas, desencadeando uma ampla mobilização de redes de solidariedade. Na ausência de resposta estatal suficiente nos primeiros dias da tragédia, cozinhas organizadas por movimentos populares, coletivos e voluntários assumiram parte relevante do atendimento emergencial à população atingida.

Reconhecimento da força da organização popular

Segundo dados divulgados pelo mandato do parlamentar, o Rio Grande do Sul é o estado com o maior número de cozinhas solidárias cadastradas junto ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. São mais de 200 iniciativas formalizadas, além de outras experiências autônomas.

Para Pretto, o reconhecimento institucional marca a valorização de uma estrutura que se consolidou como instrumento de combate à insegurança alimentar no estado. “As cozinhas solidárias foram a linha de frente da resposta humanitária no momento mais difícil que vivemos. Essa lei reconhece a força da organização popular e reafirma que ninguém fica para trás quando há solidariedade e compromisso coletivo”, afirmou.

“Garantir estrutura, apoio e investimento”

O parlamentar, que coordena a Frente Parlamentar de Combate à Fome com Alimentação Saudável, defende que a criação da data não deve se limitar ao simbolismo. Segundo ele, é necessário transformar a experiência acumulada pelas cozinhas em política pública permanente de segurança alimentar.

“As cozinhas solidárias são uma tecnologia social de combate à fome e um instrumento concreto de segurança alimentar. O reconhecimento é importante, mas precisamos garantir estrutura, apoio e investimento para que essa rede continue crescendo e salvando vidas”, declarou.

O debate ocorre em meio à ampliação nacional de políticas voltadas à segurança alimentar. Em março, Pretto propôs ao ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias, a inclusão das cozinhas no programa Gás do Povo, do governo federal. Para o deputado, esses espaços foram determinantes para que o Brasil saísse novamente do Mapa da Fome, em 2025.

Editado por: Marcelo Ferreira

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