Nesta segunda-feira (13), o governo federal anunciou um novo e amplo programa para que famílias brasileiras quitem suas dívidas. Seria o Novo Desenrola, que ainda não foi detalhado, mas que foca no endividamento recorde da população.
Um levantamento recente realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo apontou que 80,4% das famílias estão endividadas e isso impacta diretamente na percepção de como está indo a economia no país. E, segundo a Associação Brasileira de Bancos, para sair da dívida, cada vez mais famílias estão recorrendo aos cartões de créditos e créditos emergenciais, que contam com juros altos.
A colunista da Rádio Brasil de Fato, planejadora financeira Mariana Banja, destaca que o período pós-pandêmico, momento em que as pessoas começaram a procurar se reestruturar, acabou gerando esse ciclo de dívidas para muitas famílias. “O rebote do endividamento veio. Mesmo após o Desenrola, a gente ganhou mais de 9 milhões de endividados. E sem sombra de dúvida, esses endividados têm rosto, têm pele, têm raça, têm gênero. Eles replicam, de certa maneira, a nossa estrutura social nas suas formas mais perversas, mesmo economicamente falando”, avalia.
Para Banja, um dos maiores problemas para que muitas pessoas não consigam sair do buraco de dívidas é o tipo de necessidade para que se chegasse a esse endividamento. “Às vezes, no Brasil, a gente está precisando de crédito para comer e não para comprar casa. E isso se mistura com a complexidade da baixa renda, de uma não ascensão eventualmente social, que a gente chama de endividamento crônico. São gerações e gerações lidando com dívida, vivendo, mas lidando com a dívida”, pontua. “Isso compromete a nossa visão de futuro.”
Banja destaca que faltam políticas públicas de educação financeira e que, por essa razão, acaba sendo fácil cair nas armadilhas do crédito que viram uma bola de neve. “Se oferece apenas mais crédito, mais negociações. Mas essa família não sabe como não cair em outra dívida, por exemplo, e ela vai precisar de crédito, seja para estruturar um plano de futuro extremamente legítimo ou sobre, infelizmente, para lidar com alguma coisa mais corriqueira, algum gasto mais elementar”, critica.
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