A Juventude Sem Terra realiza o 20º Acampamento Pedagógico em Eldorado dos Carajás (PA) como forma de marcar os 30 anos do massacre e renovar a pauta de luta pela terra e pela vida. Ao mesmo tempo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza mobilizações em todo o país para pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) por avanços da reforma agrária.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Wellington Saraiva, da direção do MST, destaca a importância de falar de memória e o quanto a violência no campo continua vitimando trabalhadores. “O movimento tem essa tarefa concreta e essa responsabilidade histórica de celebrar a memória dos companheiros e companheiras que tombam ao longo do processo. E para nós, celebrar a memória dos companheiros e companheiras que ao longo do processo tombaram, vítima do latifúndio, é também um instrumento de luta da nossa organização”, afirma. “É importante dizer que depois do Massacre dos Carajás, só no estado do Pará foram quase 300 pessoas que foram assassinadas pelo latifúndio. No Brasil, o número chega a 2 mil. E tudo isso já caiu no esquecimento”, critica.
Saraiva conta que a primeira edição do acampamento aconteceu em 2006, quando o massacre completava 10 anos e o movimento sentiu a necessidade de se unir em protesto contra a impunidade, no sentido de fazer pressão no Estado para que as coisas não se repitam.
“Inicialmente a mobilização se deu no Pará e depois vai começar a ter um caráter regional, que é como o MST se territorializa. Começou a ter a participação no Tocantins, do Maranhão, em alguma medida dos companheiros e companheiras de Roraima, naquele espaço que é um espaço muito da nossa juventude, sobretudo da formação política, de compreender o papel da juventude na luta pela terra no nosso país e no nosso movimento”, explica.
O MST também está refazendo a marcha na PA-150, em alusão à Marcha Interrompida, que, em 17 de abril de 1996, foi alvo de ação policial que deixou 21 trabalhadores mortos, resultando no massacre de Eldorado dos Carajás. “A marcha ela faz parte do nosso processo. Em diversos períodos da nossa história, nós marchamos para colocar a nossa cara na rua, para dizer que o nosso movimento é uma organização que faz luta pela transformação na sociedade e é um espaço de diálogo com a sociedade”, destaca Saraiva.
Saraiva explica que as ocupações que estão acontecendo em sedes do Incra, também neste mês de abril, seguem uma mesma linha de mobilização adotada pelo movimento, “não só denunciar a impunidade, mas também de cobrar do Estado a reforma agrária que está atrasada no nosso país”. Mais de 13 estados estão em mobilização.
“Nós temos uma pauta represada com o Estado brasileiro e o mês de abril também é marco desse processo de luta, Nós nos organizamos em todos os estados para cobrar do Estado brasileiro a reforma agrária, que é papel do Estado, a da apropriação de terra é um dever do Estado, garantir a educação no campo é um dever do Estado”, resume.
Para ouvir e assistir
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