JUSTIÇA

MST cobra homologação do decreto de desapropriação de fazenda que foi palco de massacre em MG

Luta que lembra massacre de Carajás (PA) cobra que área de acampamento em Felisburgo (MG) seja destinada aos sem terras

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Os assassinos do massacre de Felisburgo foram condenados, mas as famílias ainda precisam ser assentadas | Crédito: Giuseppe Rindoni

O Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Minas Gerais realiza, nos próximos dias 17 e 18 de abril, uma série de ações, reivindicando justiça pelos massacres em Eldorado do Carajás, no Pará, e em Felisburgo (MG), onde fica o acampamento Terra Prometida. 

Em 17 de Abril de 1996, a Polícia Militar abriu fogo contra uma marcha de 1,5 mil trabalhadores sem terra, na Curva do S, no município paraense, matando 21 pessoas. Há 30 anos, a data é marcada como dia de luta para o MST e diversos movimentos camponeses do mundo inteiro. 

Minas Gerais também foi palco de um massacre em 2004, quando jagunços contratados por Adriano Chafik invadiram o acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, e mataram cinco camponeses. Depois de décadas de lutas, Chafik e seus comparsas foram condenados a penas que chegam a mais de 100 anos de prisão, mas o MST aponta que a justiça plena é a desapropriação da terra e a destinação dela às famílias. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou o decreto que desapropria a terra, mas o movimento ainda aguarda a homologação. Por isso, no estado, a luta que lembra o massacre de Eldorado dos Carajás vai se concentrar em cobrar que as terras da Fazenda Nova Alegria, onde se ergueu o acampamento Terra Prometida, sejam destinadas para as mãos das trabalhadoras e trabalhadores.

Para o dia 17, está marcada uma audiência pública na Câmara Municipal de Felisburgo e, no dia 18, acontece uma marcha pela cidade. 

“A justiça só se concretiza de fato com a resolução do conflito e o mesmo só terá solução com a desapropriação da terra e com o reconhecimento das famílias como assentadas”, destaca Silvio Netto, da direção do MST. 

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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