Caprichos dos ricos

Papa critica ‘bilhões de dólares gastos em mortes’ em meio a troca de farpas com Donald Trump

O pontífice declarou que governar envolve ouvir a população e construir soluções para os problemas

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O papa Leão 14 não tem endossado as ações dos EUA e se posiciona em defesa da ONU | Crédito: Vatican Media

O papa Leão 14 afirmou que o mundo vive um cenário de guerras e criticou líderes que destinam recursos a conflitos em vez de áreas sociais. Em agenda em Camarões, nesta quarta-feira (15), o pontífice disse que “o mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos” e voltou a condenar o uso da religião para justificar confrontos armados.

“Os mestres da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir”, afirmou. “Eles fecham os olhos para o fato de que bilhões de dólares são gastos em mortes e devastação, enquanto os recursos necessários para cura, educação e restauração não são encontrados”.

As declarações ocorrem em meio a uma troca de críticas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nos últimos dias, Trump chamou o papa de “fraco no combate ao crime e péssimo para a política externa” em uma publicação nas redes sociais e voltou a atacá-lo em outras postagens. O presidente também compartilhou uma imagem de inteligência artificial com sua imagem parecendo um santo.

Sem citar nomes, o papa também criticou governantes que recorrem a argumentos religiosos. “Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para obter ganhos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para as trevas e a imundície”. Em seguida, afirmou que “é um mundo de cabeça para baixo, uma exploração da criação de Deus que deve ser denunciada e rejeitada por toda consciência honesta”.

Durante a visita ao país africano, o papa também tratou da situação interna de Camarões. Em encontro com o presidente Paul Biya, no poder desde 1982, ele pediu medidas contra a corrupção e defendeu o respeito aos direitos humanos.

“É hora de examinarmos nossa consciência e darmos um salto ousado em direção ao futuro”, disse. “Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção que desfiguram a autoridade e lhe roubam a credibilidade devem ser quebradas”. Ele também afirmou que “os corações devem ser libertados da sede idólatra pelo lucro”.

O pontífice ainda defendeu o fim do conflito nas regiões de língua inglesa do país, que já deixou milhares de mortos desde 2017, e afirmou que a segurança deve ser garantida com respeito à população. “A segurança é uma prioridade, mas deve sempre ser exercida com respeito aos direitos humanos”, disse. “A paz autêntica surge quando a lei serve como uma salvaguarda segura contra os caprichos dos ricos e poderosos”.

Editado por: Luís Indriunas

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